Castlevania – The New Generation

8
Longevidade : 8/10
Jogabilidade : 9/10
Gráficos : 8/10
Som : 7/10

Níveis bem construídos e detalhados | Boa banda sonora | Muita acção

Os efeitos sonoros não estão ao mesmo nível da música | Versão PAL do jogo censurada

Reboots. Cá está algo a que eu sempre torci o nariz. Não me estou a referir a reboots que tenham feito à jogabilidade de certos jogos, pois por vezes a mesma inovação é bem-vinda, como por exemplo os casos de Metroid Prime ou Resident Evil 4. Agora quando nesses reboots vários anos de história são deitados ao lixo, aí eu já não concordo muito. Castlevania é uma série que, apesar de existir um ou outro “plot-hole”, algo que é perfeitamente normal dado a quantidade de jogos que a série possui, continha uma cronologia bem definida. Com o recente Lords of Shadow decidiram recomeçar do zero, vamos ver no que irá dar.

Pouca gente se calhar sabe que os acontecimentos narrados no clássico romance de Bram Stoker “Dracula” fazem parte da história da saga clássica de Castlevania. E este Castlevania – The New Generation para a Mega Drive é um dos seus elos de ligação com a obra de Bram Stoker. Lançado em 1994, numa altura em que o nome Konami era sinónimo inquestionável de qualidade e diversão, este Castlevania foi o primeiro (e dos únicos) jogo da série a agraciar a sua presença numa consola da Sega, numa altura em que outros clássicos da Konami como Contra ou Teenage Mutant Ninja Turtles também receberam lançamentos para a consola do “blast processing”.

A história decorre 20 anos após os acontecimentos de Dracula de Bram Stoker, em 1917, em plena 1ª Guerra Mundial. Alguns anos antes uma qualquer bruxa ressuscitou acidentalmente a Condessa Bartley (baseada na conhecida Condessa de Bathory). A Condessa, sendo familiar do próprio Drácula, começou os seus planos para o ressuscitar, sendo também a causa por despoletar a 1ª Guerra Mundial, para que conseguisse reunir o maior número de almas humanas possível, para alcançar os seus objectivos. E, tal como no romance, desta vez não existe nenhum Belmont para dar conta do recado. Podemos jogar com 2 diferentes protagonistas: John Morris e Eric Lecarde. John é o filho de Quincey Morris, uma das personagens responsáveis pela derrota do Dracula anos antes. Supostamente a família Morris é também descendente dos Belmont, pelo que John também pode usar o tradicional chicote “Vampire Killer”. Já Eric Lecarde é originário de uma família espanhola e decide ajudar John na sua aventura para vingar a sua amada, que se tinha tornado numa vampira através da condessa. Eric usa uma lança como a sua arma principal.

O jogo está construído à maneira dos antigos Castlevania, ou seja, dividido por níveis e com um progresso linear até ao final. Ao longo do jogo são visitados vários locais na Europa, desde as ruínas do Castelo de Drácula em plena Transilvânia (nível inspirado no castelo do primeiro jogo), passando por templos em plena Grécia, ou na própria torre de Pisa. São um total de 6 níveis apenas, porém são grandinhos e cada um com um boss final como de costume (e bosses intermediários). A jogabilidade entre as duas personagens difere um pouco, pois as suas armas principais têm características diferentes. John pode usar o seu chicote para se “balancear” entre precipícios (algo como o Indiana Jones faz nos seus filmes), já Eric pode usar a sua lança para fazer uma espécie de “salto à vara”, podendo assim cada personagem aceder a secções diferentes dos níveis mediante as suas habilidades.

Isto obviamente que acaba por adicionar algum “replay value” ao jogo, pois o percurso de cada personagem acaba por ser ligeiramente diferente ao longo do jogo. Para além das suas armas principais, Castlevania tem a tradição de ter uma série de armas secundárias, alimentadas pelos “coraçõezinhos” que vamos descobrindo ao longo do jogo, seja por derrotar inimigos, ou destruir objectos no cenário, como velas, candeeiros e candelabros. Neste jogo podemos contar com bumerangues, machados e água-benta, sendo que cada arma especial tem um padrão de ataque diferente, e podem ser especialmente úteis para determinados bosses.

Tecnicamente Castlevania cumpre bem o seu papel. As “16-Bit Wars” foram bastante interessantes na sua altura. A maior parte dos “putos ranhosos” apenas poderia ter uma das 2 consolas e por isso defendiam-nas com unhas e dentes. Já eu continuava confinado a uma Master System na altura, mas isso não interessa agora para o caso. Os argumentos utilizados eram vários mas podemos reduzi-los apenas a “A Super Nintendo por ser mais recente apresenta jogos com melhores gráficos e som, já a Mega Drive tem o seu blast processing, sendo capaz de correr jogos mais rápidos e frenéticos como Sonic the Hedgehog”.

A nível de som, este é um jogo que tem uma banda sonora fantástica, repleta de músicas memoráveis. É verdade que o chip de som da SNES é superior, mas enquanto esse se aproxima do som MIDI, já o da Mega Drive faz realmente lembrar o som de um videojogo oldschool que tanto me agrada. Visualmente, apesar de possuir sprites mais pequenas e menos detalhadas que as dos jogos da mesma série na Super Nintendo, assim como níveis com uma paleta de cores mais reduzida, introduz vários efeitos gráficos raramente vistos na plataforma, como reflexos na água e rotação de cenários. Os níveis em si estão também muito bem detalhados, e o artwork deste jogo é dos seus pontos fortes. Infelizmente a versão PAL sofreu alguma censura. A versão americana, com o subtítulo “Bloodlines”, apresenta bastante mais sangue e gore, algo inédito na série em solo ocidental, e não se percebe muito bem porque tomaram esta atitude em solo europeu, quando era precisamente nos Estados Unidos, com casos como Mortal Kombat e Night Trap, que a questão da violência nos videojogos estava a dar que falar. Ainda assim, não deixa de ser um dos melhores jogos disponíveis na biblioteca da Mega Drive. Recomendo vivamente a todos os fãs da série, ou de jogos de acção/plataforma.

Autor: Ivo Leitao Pesquise todos os artigos por

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