Chrono Cross

10
Longevidade : 10/10
Jogabilidade : 8/10
Gráficos : 10/10
Som : 10/10

Após o lançamento do primeiro jogo em 1995, já nos finais de vida da consola da Nintendo, a sua sequela pouco directa, Chrono Cross foi lançada em 1999 no Japão e no ano seguinte nos Estados Unidos, não tendo chegado às Playstations europeias.

Esta obra-prima dos considerados “melhores tempos da Square” é uma mistura bastante completa e eficaz de uma história bastante bem desenvolvida, personagens igualmente desenvolvidas, gráficos de topo para a consola,  jogabilidade, uma banda sonora considerada das melhores da história da consola, uma longevidade ao nível dos restantes RPGs da software-house japonesa e uma equipa bastante bem organizada que conseguiu realizar um dos projectos mais consideráveis dentro do género.

A equipa era bastante diferente à original que tinha desenvolvido o primeiro jogo e portanto, a pressão e o desafio de realizar algo ao nível de Chrono Trigger poderia levar a péssimas reacções dos jogadores. Cross não contava com os bonecos Akira Toriyama (que nós, portugueses, tão bem conhecemos), um sistema de batalhas novo, tería que ser realizado em 3D – algo complicado num momento de transição dos jogos em 2D para 3D (não é o dos óculos) sendo um RPG um género complicado de desenvolver.

A história em si, apesar de directamente pouco relacionada com os acontecimentos de Chrono Trigger é relativamente complexa e por vezes poderá causar alguma confusão ou estranheza ao jogador, suscitando questões como “Quem é esta gente toda?”, “O que raio tem isto a ver com Chrono Trigger?”, “Mas que diabo se passa aqui?“ mas que, no todo, é uma narrativa bastante completa e intrigante capaz de puxar um jogador interessado para dentro do ecrã (metaforicamente) e dar-lhe vontade de explorar mais.

Acompanhamos o protagonista Serge, um rapaz de 17 anos e cabelo azul com bandana laranja que, volta e meia e deu por si numa realidade paralela na qual já tinha morrido. Curioso sobre o incidente, Serge pretende saber mais sobre essas realidades paralelas e, juntamente com Kid –a sua fiel amiga loirinha, viajam pelo mundo de El Nido para procurar as suas respostas. A história desenrola-se por bastantes horas, incluíndo fortes surpresas, diversos plot-twists e podendo contar com cerca de 40 personagens jogáveis.

Chrono Cross conta com um dos melhores grafismos da consola, provando que 2 anos depois de Final Fantasy VII, a Squaresoft conseguiu melhorar os seus modelos 3D na consola (lembram-se dos braços dos personagens?), num mundo bastante vivo e colorido, agradável para os olhos de qualquer jogador, apesar da idade do jogo.

O desenvolvimento gráfico deste jogo era bastante superior em termos de qualidade e detalhes à grande maioria de jogos até então lançados, que combinado a uma das melhores, mais imersivas e mais épicas bandas sonoras da história dos videojogos conseguem envolver o jogador numa experiência de proporções épicas capaz de trazer lágrimas, sorrisos ou tremeliques de nervosismo a quem não resista (a quem se atrever, fica o aviso de que é não é tarefa fácil) deixar-se levar pela magia do mundo de Chrono Cross.

A jogabilidade de Cross é tradicional e não muito complicada relativamente a outros RPGs da altura, os controlos são de rápida e intuitiva aprendizagem e o mundo é vasto, contando com várias side-quests e locais para correr de um lado ao outro.

O sistema de batalha por turnos pode causar alguma estranheza no início, mas torna-se fácil de dominar passado uns quantos combatezitos ainda no início do jogo; o que poderá causar mais comichão será certamente o sistema de percentagens que definem a probabilidade de atingir o inimigo, permitindo fazer ataques múltiplos no memso turno. Entram em campo magias e algumas combinações que alguns jogadores poderão reconhecer de Chrono Trigger, o que poderá ser mais personalizável dado o enorme número de personagens jogáveis.

A Squaresoft conseguiu superar as expectativas criadas em torno de uma “sequela” de um dos “meninos queridos” da SNES, tornou-se um dos jogos mais populares da Playstation e conseguiu arrancar notas elevadíssimas das mais prestigiadas revistas e websites de jogos (e nem eu era capaz do contrário).

Chrono Cross é um título imperdível para qualquer jogador que aprecie RPGs e/ou tenha gostado de Chrono Trigger, infelizmente, pecou por não chegar até este continente mas, já que Trigger foi editado para a DS, porque não rever Cross no futuro?

Autor: Ricardo Gouveia Pesquise todos os artigos por

3 Comments on "Chrono Cross"

  1. Rui Murteira Gomes 17 April 2015 at 21:45 - Reply

    Claramente o melhor RPG na ps1 seguido de Xenogears e Final Fantasy Tactics. Uma era que era dominado pela Squaresoft. Muitos mais grandes jogos saíram daqui tanto na snes como na ps1. Simplesmente uma era gloriosa

  2. Pushstart 20 April 2015 at 13:50 - Reply

    Olá Rui, obrigado pelo comentario.

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