Conception II: Children of the Seven Stars

6
Longevidade: 6/10
Jogabilidade: 8/10
Gráficos: 6/10
Som: 6/10

Diálogos hilariantes

História desinteressante | Mais bebés do que qualquer pai consegue aturar

Conception II é daqueles jogos que só podiam ter saído de uma sociedade tão única como a japonesa. Esta nação consegue sempre surpreender os ocidentais com o factor estranho presente na sua cultura e neste jogo isso não é excepção. Consegue não ser tão estranho como Mr.Moskeeto ou Katamari Damacy, títulos onde reina a originalidade do conceito e da jogabilidade única. Conception II é um RPG por turnos que vai buscar a sua base aos tradicionais RPGs japoneses, mas que é ao mesmo tempo um dating simulator. Até aqui nada de muito estranho, outros RPGs (incluindo a muito adorava série Persona) fazem algo similar. Mas Conception II consegue levar a parte de dating a um patamar que toca no assustador e anda sempre a orbitar o ridículo. A narrativa diz-nos que alguns adolescentes são abençoados pelo deus das estrelas com poderes especiais, e como é óbvio o nosso personagem é o mais especial de todos eles. Controlamos um estudante que é considerado uma dádiva de deus devido às suas impressionantes capacidades, não só em batalha mas também em relacionamento com outras personagens femininas. Só por aqui já devem ter começado a ficar assustados, mas não é tudo. O mundo de jogo gira à volta de uma religião e o seu chefe máximo é ligeiramente tarado, as professoras são atrevidas, e existem os inevitáveis planos de câmara focados em seios avantajados.

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Para além de tudo isso o título Conception não é por acaso. A mecânica mais única do jogo é a possibilidade de ter filhos com as várias personagens femininas e usá-los em batalha. Estes são produto de um ritual sagrado, aka, sexual intercourse, praticado na igreja, onde os melhores alunos têm acesso privilegiado, e que com o decorrer do jogo vai ficando mais explícito. Estes filhos fazem parte integral da jogabilidade, com habilidades, classes diferentes e combatendo ao lado dos nossos personagens. A nossa missão é derrotar os monstros que chegam à terra via dusk circles. Estes são nem mais nem menos que as nossas dungeons. Estes labirintos têm uma estrutura aleatória, à semelhança daquilo que Diablo popularizou em 1996. Infelizmente a repetição constante destes cenários desinteressantes e despidos rapidamente testa a paciência de qualquer um. O desafio passa a não ser o combate mas sim ter a paciência necessária para passar mais um nível igual ao anterior. Alguma da variedade vem das relações que estabelecemos com as várias personagens femininas, que nos podem acompanhar quando entramos nas dungeons. Dependendo do tipo de relacionamento e do quão forte é o mesmo, os filhos que resultam da relação serão mais fortes e terão habilidades específicas. O combate é, durante a exploração dos labirintos, a melhor maneira de desenjoar dos cenários. Este é bastante variado e, embora ao início pareça bastante simples, alguém que perca tempo suficiente a aprender todos os seus pormenores vai sem dúvida apreciar o que este tem para oferecer. As imensas combinações de filhos possíveis ajuda também à variedade do combate, e vocês vão ter muitos, muitos filhos. Mais do que vocês conseguem imaginar, e como um pai desnaturado que inevitavelmente serão, vão ignorar muitos deles.

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Gerir todos os filhos é praticamente um mini-jogo. Fora dos combates e da exploração vão socializar com as sete raparigas disponíveis, tentando manter uma relação com todas elas. A atenção delas está toda centrada em vocês, já que controlam o personagem masculino mais fantástico de todo o sempre. Já a vossa atenção vai ter de ser dividida. Inevitavelmente vão aproximar-se mais de umas raparigas do que de outras e todas elas têm a sua própria história. Visualmente Conception II é até algo agradável, embora o design dos personagens esteja cheio de clichés e pareça bastante vulgar. Nos dusk circles as coisas infelizmente não são tão bonitas, com texturas repetitivas e ângulos de câmara que metem os olhos em bico a qualquer ocidental. A banda sonora soa bastante bem, embora algo repetitiva. O pop japonês durante os relacionamentos e os ritmos simples na exploração encaixam bastante bem. Curiosamente, algo que até me surpreendeu pela positiva, foi o voice acting. Quem costuma jogar este tipo de jogo sabe que raramente estes têm falas decentes quando traduzidos para inglês. Normalmente todos os actores exageram nas interpretações e as vozes são geralmente irritantes, mas felizmente isso não acontece em Conception II.

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Embora esteja longe de ser perfeito, pode ser um exemplo a seguir para produções mais pequenas deste género. No fim das contas Conception II é um jogo competente, tem vários problemas como uma história desinteressante e o facto de ser algo genérico, mas não deixa de ser divertido. Para os fãs de RPGs ou para quem gosta de jogos estranhos vindos do país do sol nascente é uma opção a considerar. Se há algo que nunca consegui ultrapassar foi a sensação de semelhança entre este jogo e a série Persona, devido às mecânicas de relacionamento. Não é que estas sejam más mas, devido à natureza delas, da maneira como tudo se desenrola e o processo de criação, não conseguia deixar de pensar que estava a jogar um Persona 4 menos inteligente.

Autor: Ivan Cordeiro Pesquise todos os artigos por

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