Croc: Legend of the Gobbos

7
Longevidade: 7/10
Jogabilidade: 6/10
Gráficos: 7/10
Som: 8/10

Banda sonora fantástica

Jogabilidade complicada, sobretudo os controlos difíceis em movimentos subtis

Croc, o protagonista deste videojogo nunca teve a sua vida facilitada quando saiu para o mercado. Acabou por passar ao lado de muitas das pessoas pois a sua competição directa incluía, entre outros, Super Mario 64. Considerando o sucesso que o canalizador teve na consola da Nintendo, este pequeno e amoroso crocodilo estava destinado a enfrentar algumas dificuldades para conseguir dar nas vistas. Apesar de ter a concorrência directa de títulos como Crash Bandicoot: Cortex Strikes Back, foi lançado em várias plataformas, tais como Playstation 1, PC e Sega Saturn, e a verdade é que Croc fez sucesso mas não chegou para fazer verdadeiramente concorrência ao seu rival. No entanto vendeu mais de 4 milhões de cópias em todo o mundo e foi o título mais vendido da Argonaut. Um facto curioso é que Croc foi inicialmente pensado para ser um exclusivo da Nintendo 64 que teria Yoshi, de Super Mario, como protagonista. A Nintendo acabou por rejeitar a ideia e o jogo acabou por ser reformulado e vendido à Sony.

Croc Legend of Gobbos IMGS1

No meu caso pessoal, como a PS1 foi a primeira consola à qual me dediquei a 100% e já tinha noção do que com ela estava a fazer, Croc: The Legend of Gobbos foi um dos jogos mais marcantes da minha infância – quando saiu tinha apenas sete anos. O jogo começa quando o Rei dos Gobbos, criaturas pequenas, redondas e felpudas, avista um cesto com um bebé crocodilo dentro – Croc é assim adoptado por criaturas que o criam como sendo um dos seus. Viviam todos em paz na ilha dos Gobbos até ao momento que aparece Baron Dante que com a ajuda dos seus diabretes ajudantes rapta vários Gobbos, incluindo o rei e encolhe Croc. Está assim lançado o mote para a partida do pequeno crocodilo em busca dos seus amigos.

Croc Legend of Gobbos IMGS4

Desde o primeiro momento em que entramos no jogo, fica logo algo bem perceptível: a banda sonora é fantástica e é o melhor ponto deste título. Numa mistura de jazz com ritmos alegres e divertidos, não há nenhum nível em que a parte sonora seja descurada. E ainda bem, pois a sua junção com os ambientes coloridos e vibrantes davam a Croc: The Legend of Gobbos todo o cenário necessário para presentear o jogador com uma aventura épica. Mas na verdade, tudo isto era estragado pelos controlos imprecisos que davam a Croc movimentos exagerados e que fizeram com que eu, uma criança pacata nos seus sete/oito anos, fizesse rage quit por diversas vezes, lançando pragas a quem tinha criado aqueles movimentos. Para começar, existia uma espécie de quick turn que aparentava que Croc partia a coluna para mudar rapidamente de direcção, contorcendo-se todo (admito que este movimento dava bastante jeito), mas qualquer movimento subtil que pretendêssemos realizar era impossível.

Croc Legend of Gobbos IMGS5

Sendo este um videojogo de plataformas, em todos os níveis era necessário realizar pequenos saltos, mais ou menos complexos, o que resultava – e não eram poucas vezes – em quedas que (felizmente) antes de nos matarem, nos retiravam os cristais que eram necessários recolher ao longo dos níveis. Aliás, este sistema de health, bem ao estilo de Sonic, acabava por ser muitas vezes a salvação para uma morte que, de outra forma, seria inevitável. Além destes cristais coleccionáveis, existia ainda o objectivo de libertar das suas jaulas os seis Gobbos de cada nível – vim mais tarde a descobrir que não é de todo necessário apanhá-los para chegar o fim do jogo e não vos consigo explicar a raiva que cresceu em mim por todas as vidas que perdi ao me meter nos saltos mais loucos que acabavam invariavelmente mal, só para salvar estes pequenos felpudos que afinal eram inúteis. Em todos os níveis existiam também cinco cristais coloridos que podiam ser encontrados um pouco por todo o lado e que, ao serem juntos, abriam uma porta que dava para uma zona bónus. A emoção que era entrar nesta zona é inexplicável pois a música era fantástica e existiam trampolins de gelatina cor-de-rosa e um balão que nos transportava pelas plataformas. O que há para não gostar nisto?

Croc Legend of Gobbos IMGS7

Entre as plataformas, níveis subterrâneos e aquáticos, ambientes ao pôr-do-sol ou na neve, Croc: The Legend of Gobbos acaba por ser um videojogo com algumas falhas na jogabilidade e até na profundidade da história – uma vez que é possível terminá-lo sem salvar o nosso objectivo principal – mas que sem dúvida marcou a infância de muitos, incluindo a minha. Talvez seja o facto de todas as músicas serem uma verdadeira obra de arte ou de os níveis serem lindos ou até mesmo de os inimigos serem absolutamente adoráveis e terem quase todos olhos esbugalhados, mas a verdade é que Croc: The Legend of Gobbos podia não ser um jogo excelente ao nível de Crash Bandicoot ou Super Mario mas era sem dúvida um título que nos fazia sempre voltar para mais.

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Autor: Silvia Farinha Pesquise todos os artigos por

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