Dark Souls II

9
Longevidade: 9/10
Jogabilidade: 9/10
Gráficos: 8/10
Som : 10/10

Excelente mundo, ambiente único, desafiante sem ser frustrante

A fórmula começa a ser demasiado familiar, continua a ser algo difícil para principiantes

Prepare to die” é algo já conhecido pelo público e familiar aos fãs da série. Desde o bem-sucedido “underground-hitDemon’s Souls em 2009, que sempre que colocamos um jogo desta série na consola nos preparamos mentalmente para morrer imensas vezes. O processo de começar a jogar é iniciado por mentalizarmo-nos enquanto jogadores que vamos perder e que vamos morrer. Depois percebemos que isso vai acontecer imensas vezes, depois percebemos que o jogo dura umas 60 horas no mínimo e só depois disso é que o jogador pondera se quer ou não aventurar-se. Mas, aquilo que toda a gente deveria fazer era pegar no jogo, metê-lo na consola e aprender a jogá-lo. Quem o faz tem uma das melhores experiências da última geração, um jogo que é muito mais do que aparenta ser à primeira vista e só aqueles que investem nele tempo suficiente é que percebem isso.

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Dark Souls II tem um início bem mais fácil que os antecessores, o que pode vir a encorajar novos jogadores a progredirem no mundo, mas não tarda a tornar-se numa experiência exigente. Tal como os anteriores, o jogo não estende a mão ao jogador, não lhe explica nada e cabe a este aprender todas as suas mecânicas sozinho (ou com auxílio da internet claro). Pode parecer preguiça de explicar ou de fazer um verdadeiro tutorial mas não é, para os veteranos da série é tudo familiar e para os novatos descobrir e perceber Dark Souls é uma experiência extremamente gratificante. A própria narrativa é apresentada como algo muito simples e o resto apenas é possível descobrir ou compreender através de descrições de itens e observação dos cenários o que sinceramente é único e muito interessante. Descobrir e aprender a jogar Dark Souls II é tão bom quanto diversificado. As áreas que nos são apresentadas são belíssimas e com um aspecto visual único, já que estas criam um ambiente opressivo como nenhum outro jogo. Das florestas cerradas à calma vila que serve de ponto central, tudo tem uma vida e um feeling próprio.

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Dark Souls II mistura um pouco de Demon’s Souls e de Dark Souls na maneira como progredimos na “narrativa”, embora seja um mundo aberto como em Dark Souls. A vila principal, Majula, que serve como ponto central assemelha-se um pouco ao Nexus de Demon’s Souls. É uma área onde nos sentimos seguros, onde existem vários NPC para interagir e é daí que progredimos para o resto do jogo. Para explorar este mundo contamos agora com mais itens para recuperar vida do que nos jogos anteriores, e embora tal ser útil não pensem que o jogo se tornou mais fácil. Além dos Estus Flasks introduzidos no jogo anterior contamos agora também com life gems. Estas são abundantes e recuperam vida, mas apenas progressivamente ao longo de um espaço de tempo. De volta está obviamente a dificuldade exigente que vai testar a paciência de muita gente. No entanto, é importante frisar que este é um jogo onde é necessário aprender a jogar e mentalizarmo-nos que não estamos a jogar um jogo de acção vulgar. Este é um jogo onde é necessário avançar com cuidado e estudar o ambiente que nos rodeia, muito diferente de matar tudo e todos como num Devil May Cry ou um God of War. Quando aprendemos a progredir neste jogo grande parte da frustração desaparece, no entanto ficam os erros humanos e a inevitável morte consequente.

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Quando ultrapassam a fase de frustração passam a culpar-se a vós próprios pelas vossas mortes em vez do jogo, o que é saudável e provavelmente pode salvar alguns comandos da destruição total por parte dos seus donos irritados. Como é típico nesta série, e como já referi, nada é propriamente explicado, e isto aplica-se ao multiplayer e à maneira como o mundo de jogo muda com as consequências deste. O multiplayer desta série sempre foi alvo de controvérsia com jogadores que o acham dispensável e inútil e outros que acham que faz parte integral da experiência. Eu sou o segundo caso, a simplicidade deste é fantástica, e sem este a experiência de jogo era bastante diferente. Embora o PVP seja possível é provável que só um jogador que se dedique a aprender a disciplina Souls chegue a experimentar essa vertente, caso contrário ficam-se pelo sublime sistema de mensagens e pela visualização de mortes alheias. As mensagens deixadas por outros jogadores é uma característica muito interessante desta série.

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Com a utilização de um item podemos deixar uma mensagem em qualquer lugar do mapa, há quem ajude e há quem se arme em troll e sugira por exemplo saltar de ravinas que acabam por nos presentear com um belo game over. A nível gráfico é um motor que já mostra sinais de idade e que sinceramente não é do melhor que se vê por ai. Ainda assim consegue ser visualmente fantástico por um motivo simples. Tal como os indies vivem do aspecto diferente como os pixéis a lembrar o passado para criar um ambiente visualmente agradável ou nostálgico, Dark Souls II não necessita de um grande motor gráfico para criar um ambiente perfeito. Algo similar para mim seria Diablo II por exemplo, já que ainda hoje acho que aqueles gráficos complementam o ambiente na perfeição, melhor do que em Diablo III.

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Para ajudar a criar um dos melhores ambientes na indústria e complementar, a tão importante sensação de desolação e perigo, acompanha-nos durante o jogo uma banda sonora incrível que para apreciadores do género vai ser sem duvida um guilty pleasure no iPod. Mais uma vez os japoneses que fazem jogos ocidentais da From Software conseguem fazer um jogo que é um excelente desafio e que é mais acessível aos novatos, embora só nas primeiras horas. Se gostam dos anteriores vão certamente gostar desta entrada na série embora, a forma comece a ser bastante familiar. Talvez este seja mesmo o único ponto negativo do jogo. Dark Souls II continua a não ser para todo o tipo de jogadores, mas aqueles que tiverem paciência para se licenciar em “Souls” vão ter uma excelente, única e longa experiência.

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Autor: Ivan Cordeiro Pesquise todos os artigos por

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