Darkwing Duck

7
Longevidade: 7/10
Jogabilidade: 8/10
Gráficos: 7/10
Som: 7/10

Ser um clássico

Alguma dificuldade exagerada em certas partes

Review 4×4

Review Principal
E assim, a noite viu surgir… Darkwing Duck! A Disney tinha vindo a desenvolver já desde o final dos anos 80 uma parceria com a japonesa Capcom para desenvolver jogos licenciados com base nas séries que a companhia norte-americana exibia na televisão. Depois do mega-sucesso de Ducktales (1989) e de alguns tiros no pé como Talespin (1991), a Capcom partiu para a aventura de adaptar Darkwing Duck para a NES, embalada pelo sucesso da série. Mesmo que os resultados nem sempre sejam brilhantes, em boa hora o fez.

DARKWING_003

Darkwing Duck, tal como Ducktales,foi construído sobre o código da franchise Megaman, neste caso sobre uma versão modificada de Megaman 5 (1992). A receita é simples, mas eficaz. Trata-se de um jogo de acção e plataformas no qual o nosso personagem percorre as diversas missões a combater o crime, saltando e disparando contra os inimigos. Apesar de ser um jogo Disney direccionado para um público infantil, as raízes pulp de Darkwing permitiram à Capcom recorrer à utilização de armas de mão, e capitalizar o que a empresa fazia de melhor em 8-bit.

DARKWING_033

Uma das características mais interessantes de Megaman, na altura em que foi lançado, era a não linearidade da progressão do jogo. É possível escolher no início qual o nível que queremos jogar, com o respectivo boss para derrotar. Ducktales seguiu a mesma fórmula, e Darkwing Duck também. Mal o jogo começa podemos contar com Launchpad McQuack, o piloto do Tio Patinhas, para nos levar de avião (o Thunderquack!) a um de três níveis à escolha. Uma vez completados, teremos então acesso a mais três antes do final.

DARKWING_018

O grafismo é colorido mas sombrio, o mais próximo que um jogo Disney esteve de uma estética noir. Os níveis estão bem desenhados, assentes numa lógica de progressão horizontal, mas também vertical. Para ascendermos a plataformas superiores temos acesso a um gancho, o que acaba por se tornar determinante para a identidade do jogo. Claro que nem sempre é fácil pendurarmo-nos e conseguirmos avançar. A dificuldade aumenta, e a frustração também… Porém, esta mecânica foi bem-sucedida o suficiente para que a Capcom a tenha incluído em Ducktales 2 (1993), lançado já na fase final da vida da NES.

DARKWING_048

O facto de podermos apanhar upgrades para a nossa arma permite-nos experimentar diversas soluções para os desafios. Se por um lado nos ajudam a combater melhor os inimigos, também nos ajudam a progredir, como no caso do power-up que faz a nossa arma lançar setas onde nos podemos empoleirar. Podemos ainda contar com a nossa capa para nos protegermos. Os inimigos são variados mas é difícil não ver uma linha directa até Megaman, no design e também por causa do terrível hábito de reaparecerem depois de terem sido derrotados, caso o scroll do ecrã retroceda um pouco para além do ponto em que é suposto eles iniciarem a sua rotina. Em todo o caso, as animações estão bem conseguidas, e nunca se afastam do espírito Disney nem da qualidade Capcom.

Darkwing-5

O jogo não é particularmente difícil, mas tem picos de dificuldade em algumas secções. Os inimigos e armadilhas encontram-se sempre nos locais mais incómodos, e basta um hit para perdermos um quarto da nossa vida. Ainda por cima, o tempo de invulnerabilidade quando somos atingidos, uma mecânica comum em jogos de plataformas, tem aqui uma duração muito curta. Se jogarmos com calma, no entanto, descobrimos que há muita energia espalhada pelo jogo e que, com atenção, conseguiremos chegar ao boss final. Diz-se que um super-herói é tão interessante quanto o seu leque de inimigos for, e felizmente nesse campo Darking Duck encontra-se bem servido, com personagens da série como Megavolt, Negaduck ou o boss final, Steelbeak. Um festim de antropomorfismo.

DARKWING_054

No campo sonoro a Capcom não desilude, e apresenta as músicas da série em charmosas versões 8-bit. Se há alguma desilusão, reside em pormenores tais como não podermos disparar e andar ao mesmo tempo, ou na constatação de que mesmo com toda a sua personalidade, Darkwing Duck não representa uma grande evolução em relação ao seu ascendente mais directo, Ducktales.

DWD (1)

Mas ainda assim, parece-nos que é um jogo que não tem o devido reconhecimento na livraria da NES. O site IGN, por exemplo, posiciona Ducktales como o décimo melhor jogo da NES, mas na lista dos 100 melhores Darkwing não encontra nem a mais pequena plataforma na qual se pendurar. A nós, cheira-nos a jogo de culto.

DWD (4)

Nos últimos anos a personagem tem andado esquecida, tendo acordado timidamente apenas para uma breve aventura para dispositivos móveis. Está eminente o lançamento da versão HD de Ducktales, e o grau do seu sucesso poderá ser significativo para motivar um novo olhar sobre o historial da relação entre a Capcom e a Nintendo na era de 8 e 16 bits. Uma história que teve consequências tão felizes como ter dado a oportunidade ao jovem Shinji Mikami de produzir um jogo da Capcom para SNES, Goof Troop (1994), antes de alcançar o sucesso mundial com a saga Resident Evil. Quem sabe se Darkwing Duck não voltará a ter um lugar ao sol… ou à luz da lua!

Visto por: Luis Teixeira

 

Com uma jogabilidade claramente inspirada em Mega Man, notando-se que é dos mesmos criadores, Darkwing Duck consegue ser mais justo relativamente ao nível de dificuldade. Mas o que mais salta à vista é o excelente ambiente nocturno típico da série. Os gráficos são perfeitos no sentido de tudo ser facilmente reconhecível e agradável ao olhar. A música transporta-nos de imediato para esse mundo pertencente à nossa infância.

Darkwing Duck era uma das minhas séries preferidas na altura e este jogo não lhe fica nada atrás.

Pontuação: 9

 

Visto por: André Santos

 

Falar de Darkwing Duck é falar de um verdadeiro clássico. Uma muito feliz mistura de diversão com plataformas, que se reflecte num título que para sempre ficou (e arrisco um vai ficar) na nossa memória. Apesar de incrivelmente curto e por vezes excessivamente difícil (no meu entender), apresentava uma capacidade gráfica bastante acima da média, para a altura, além de uma jogabilidade com mecânicas bastante inspiradas, ainda que claramente influenciadas por outro título igualmente conhecido – Mega Man. Apesar de tal, Darkwing Duck é um jogo que tem tanto de brilhante como de intemporal.

Pontuação: 8

 

Visto por: Ivan Cordeiro

 

Hoje em dia falamos sempre de gráficos espectaculares, de se ver os pêlos dos personagens, de a água reflectir mais do que na realidade é possível, da tecnologia fazer coisas fantásticas. Ficamos tão obcecados com a perfeição que nos esquecemos daquilo que fez dos videojogos aquilo que são hoje – diversão. E é isso mesmo que Darkwing Duck faz, diverte o jogador. Este foi um dos jogos a nascer da parceria da Capcom com a Disney e mais uma de qualidade. Apesar de muito curto, os lindos sprites e excelente jogabilidade fazem deste jogo um platformer obrigatório na NES.

Pontuação: 8

 

 

Autor: Goncalo Neto Pesquise todos os artigos por

Deixe aqui o seu comentário