Ser perseguido por dezenas de zombies é coisa comum hoje em dia devido à quantidade de jogos, filmes e séries que abordam o tema. Ainda assim, Dead Nation consegue fazer-nos sentir a tensão e o perigo inerentes a este tipo de situação e podia ser perfeitamente um jogo puramente de acção alocado à BD e série do Walking Dead (e melhor do que outros que já o fizeram). Apesar disso, neste caso os zombies quase que passam por formigas carnívoras. A perspectiva de topo na qual jogamos permite ver um espaço considerável do cenário, cheio de destroços e carros abandonados, num bom retrato de um ambiente pós-apocalíptico. Essa amplitude tem contudo um reverso da medalha pois, infelizmente, faz com que vejamos o nosso personagem e os seus inimigos mortos-vivos com um tamanho bastante pequeno.
Isto torna-se problemático quando se perde vidas não por falta de destreza mas porque não nos conseguimos aperceber que um ou outro zombie se estava a aproximar. Dead Nation é um port da sua versão PS3 e, sendo a escala similar à da usada na televisão o ecrã da VITA não consegue evitar que as coisas se tornem diminutas (pelo menos para um míope como eu). Seria útil uma perspectiva dinâmica ou, pelo menos, mais próxima do jogador. Problemas de escala à parte o jogo é bastante divertido e desafiante e vai-nos fazer avançar com estratégia e cautela em vez de ir à herói. O número de zombies que nos ataca por cada vaga é considerável e têm tendência por nos tentar cercar e, para piorar, não são tão lentos como isso. A forma de sobreviver não passa por disparar aleatoriamente para todo o lado mas sim por pensar um pouco mais estrategicamente nos nossos passos. Será frequente recuar para ganhar mais espaço em relação aos zombies e usar o ambiente em nosso favor accionando alarmes de carros e explodindo-os de seguida. Este tipo de tensão é a melhor parte de Dead Nation.
O ponto negativo é que por vezes a dificuldade surge também de imprecisão nos controlos, principalmente do comando analógico direito que permite direccionar para onde o personagem aponta. Torna-se bastante complicado rodar exactamente para o sítio pretendido e acertar nos zombies no tempo curto que temos antes de ser mordidos. Felizmente temos também uma faca que se torna bastante útil nessas emergências mas o risco de deixar que os zombies se aproximem tanto é elevado. Com a progressão nas várias zonas vão aparecendo inimigos com características diversas mas o nosso poderio bélico também poderá evoluir através da compra de novo equipamento e armamento o que equilibra as coisas.
No fim de contas este é um shooter que vale a pena jogar, principalmente para quem não gosta de ter a vida facilitada mas não podemos deixar de referir que tem defeitos e a dificuldade não surge apenas de forma intencional mas também da imprecisão nos comandos analógicos e no ponto de vista escolhido.







