Dead Space 3

8
Longevidade : 7/10
Jogabilidade : 8/10
Gráficos : 9/10
Som : 8/10

Ambiente muito bem aplicado | Grafismo impecável

História confusa | Diálogos fracos

Mais um título que me puxou a curiosidade aos limites. O que e que iria sair dali? Foi uma grande surpresa e uma não tão grande desilusão, tudo ao mesmo tempo com alguns “uauu” e “belheck” pelo meio conforme ia desbravando caminho. Digo já que o resultado final é bastante positivo e temos aqui um jogo bem sólido na categoria de survival horror, mas sem dúvida que podia ser bem melhor sem custar muito.

O terceiro título de Dead Space começa num planeta gelado (Tau Volantis) onde um soldado está a tentar recuperar um objecto chamado de codex para um Dr. Earl Serrano. Depois de despachar alguns Necromorphs (mistura de zombie com mutante), consegue obter o que procura, mas é depois executado pelo seu superior que posteriormente elimina o conteúdo do codex e comete suicídio. Duzentos anos mais tarde, Issac Clarke, o protagonista daqui para a frente, é abordado um pouco à bruta por Robert Norton e John Carver que lhe contam que são o último batalhão da EarthGov e que necessitam da ajuda dele para encontrar a sua namorada (de Issac) e a sua equipa desaparecida.

Pouco mais se sabe de início e partimos de arma na mão sem perceber grande coisa do que se está a passar. Para quem não jogou os anteriores títulos, aconselho a irem ler o resumo da história dos anteriores e mesmo assim, vão ficar com dúvidas. Esta é a meu ver a primeira falha do jogo, a historia não é devidamente situada ao (novo) jogador; mesmo ao seguidor da serie não é tudo claro. Como se não bastasse, além da história não ser a melhor, alguns diálogos parecem saídos de uma telenovela. O desenrolar da narrativa durante o jogo é fraquinho também, deixando o jogo quase como um mero FPS (leia-se, tiro neles e siga a marinha).

Metendo a história de lado, ainda temos mais alguns pontos negativos, como por exemplo a confusão inicial nos terminais existentes ao longo do jogo para upgrades e criação de armas. Estes locais típicos do género RPG permitem alterar partes das armas e construir novas conforme o gosto pessoal. Mas o primeiro contacto é confuso. Não temos uma explicação correcta de para que serve cada opção bem como as vantagens e desvantagens de determinado upgrade ou peça nova. Requer tempo para assimilar este conceito e tirar partido dele.

Nota negativa como impacto inicial embora depois de ultrapassada a confusão revela-se uma mais-valia no jogo. E abro assim as notas positivas começando precisamente por este ponto. A alteração e criação de armas e as suas inúmeras combinações dão uma jogabilidade extra. Não existe propriamente uma que seja muito melhor que as restantes, mas permite ter mais que uma arma adaptada às situações que vão aparecendo, nomeadamente o combate a curta e média distância. Para tal, o poder de fogo e a rapidez de tiro são características importantes que podemos alterar e desenvolver.

Pegando agora no tema do combate, este parece-me ser o melhor que o jogo tem para oferecer. Em vez do tradicional atirar à cabeça ou tronco, lógico em qualquer animal ou humano, aqui temos de apontar aos membros, braços, pernas, apêndices e afins (visto que se tratam de mutações e não temos uma fisionomia dita normal). Desmembrando o inimigo não só lhe retiramos a capacidade de locomoção mas também aceleramos a morte do bicharoco. Estranho no mínimo, como atirar nos membros é mais eficaz do que atirar na cabeça ou tronco, mas a realidade é esta e torna tudo mais desafiante pois não apontamos ao centro mas sim à periferia.

Depois de retirar os membros principais de locomoção é vê-los cair e rastejar ao nosso encontro onde temos então de acabar a tarefa dando mais uns “balázios”. De notar que um inimigo a rastejar continua a apresentar perigo. Quando temos vários em simultâneo, podemos jogar pela táctica de desmembrar todos primeiro para lhes atrasar o passo e passar então à matança final. Aniquilar totalmente um a um pode não ser a melhor táctica, tudo depende do número e das armas que temos ao dispor. Temos assim uma jogabilidade no que toca a combate bastante boa e no resto do jogo, para a interacção com o cenário temos a Kinesis, um dispositivo capaz de gerar gravidade artificial que permite agarrar, arrastar e transportar objectos no ar, bem como disparar contra um inimigo para o fazer abrandar. Usado em sintonia com as armas, revela ser de extrema utilidade.

Apesar de boa jogabilidade acaba por ficar um pouco repetitivo num sistema de abertura de portas e elevadores já tradicional, a servir também para camuflar a passagem de níveis suavizando os tempos de leitura.

Dead Space 3 à imagem dos anteriores possui um ambiente excelente, um grande grafismo, que, aliado a um som bastante bom, dão uma grande experiência e sensação. Tem um grande detalhe gráfico com um belíssimo uso de luzes e sombras, embora o tom escuro seja predominante, como é óbvio no género. Os efeitos sonoros estão bem-feitos com um surround muito bom e o discurso bem gravado (sem contar com a qualidade do texto). Em contraste ao ambiente fechado dos corredores e salas, podemos por vezes vir ao exterior e flutuar no espaço dando um contraste muito saudável à frenética de interior. A música de fundo por um lado, é rica em termos de composição, mas por outro lado (mais um defeitozinho) acaba por revelar o que se vai passar em várias situações. É normal o volume e intensidade da música acompanhar o desenrolar da acção, mas deveria começar depois e não antes, pois acaba por revelar que vai aparecer alguma coisa. Acabei por usar a música muitas vezes como se fosse um radar.

Temos aqui um jogo que poderá facilmente dividir opiniões. Para os seguidores da saga será o desfecho (será?) e apesar de ficarem agradados muitos vão ficar com a sensação de saber a pouco e vão achar que falta qualquer coisa. Para os ávidos de tiro neles vai ser mais um belo título. Para os que vão jogar pela primeira vez aconselho uma leitura prévia da história para melhor compreenderem o jogo. Parece-me que a apreciação do título passa muito pela maneira como o enquadramos, se tivermos em conta que é um FPS puro e não tendo em conta as versões anteriores. Não vai desiludir, mas se o quisermos ver como desfecho e o quisermos transformar num FPS mais requintado, aí pode sair um pouco furado.

Independentemente de como se queira ver a coisa, o saldo parece-me ser bem positivo. São entre 10 a 15 horas de bom tiroteio com alguns sustos valentes pelo caminho.

Autor: Tiago Dias Pesquise todos os artigos por

4 Comments on "Dead Space 3"

  1. João Canelo 14 March 2013 at 15:03 - Reply

    Ainda bem que Dead Space 3 não desiludiu. Sou fã da série e mal posso esperar para jogar o novo jogo!

  2. Luís Filipe Teixeira 16 March 2013 at 2:51 - Reply

    Pensei que o 3º capítulo chegasse mais tarde. Não estava à espera de o poder jogar tão cedo. Boa review, agora tenho mesmo de pegar nele!

  3. Atos 16 August 2013 at 19:03 - Reply

    O Dead Space 1 foi show de bola, o 2 me deixou meio desapontado quer dizer muito mais estágios horas e horas do mesmo chega uma hora no jogo que você já está cansado de tanto jogar e nada de novo, sem contar que Dead Space 2 está muito mais fácil que o 1(onde está a dificuldade?), vou jogar o 3 para ver no que dá.

    • Pushstart 16 August 2013 at 23:35 - Reply

      Força nisso Atos, depois deixa o teu comentário!

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