Die Hard Arcade

7
Longevidade: 5/10
Jogabilidade: 9/10
Gráficos: 7/10
Som: 7/10

Excelente jogabilidade | Variedade de armas | Objectos que podemos utilizar

Curta duração | Praticamente nenhum extra face à versão arcade

O género “Beat ‘em Up”, popularizado no final dos anos 80, inícios de 90 com jogos como Double Dragon, Final Fight ou Streets of Rage perdeu bastante fulgor quando a indústria entrou de vez nos videojogos em 3D poligonal. Jogos como Fighting Force ou mesmo este Die Hard Arcade tentaram continuar o sucesso dos anteriores, mas a chama foi-se perdendo, pois de alguma forma estes videojogos não se conseguiram adaptar da melhor aos novos tempos. Mas acho que Die Hard Arcade foi uma excepção, tal como irei descrever em seguida.

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Em primeiro lugar, Die Hard Arcade apenas é conhecido com esse nome em territórios ocidentais, pois no Japão, onde este jogo ganhou forma, é conhecido como Dynamite Deka, que por sua vez deu origem à sequela Dynamite Deka 2 para a Dreamcast, conhecida por cá como Dynamite Cop. O porquê de o jogo ter sido apelidado de Die Hard Arcade por cá não é assim tão difícil de adivinhar. A história tem imensas parecenças com a do primeiro filme, onde um grupo de terroristas toma de assalto um arranha-céus em plena cidade de Los Angeles, com a agravante de terem também raptado a filha do Presidente Norte-Americano. A personagem principal tem também imensas parecenças com John McClane, papel interpretado por Bruce Willis. Então alguém da Sega of America lá deve ter achado que entre lançar um jogo “inspirado” por Die Hard, e lançar um jogo com o nome de Die Hard iria atrair mais a atenção do público. O jogo foi lançado originalmente nas arcades no sistema ST-V, portanto uma conversão para a Sega Saturn seria o próximo passo lógico, e é essa a versão aqui analisada.

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Die Hard Arcade, tal como o seu nome indica, é uma experiência completamente arcade. O jogo apesar de curto está repleto de combates intensos, onde muito raramente temos tempo para respirar. E tal como outros beat ‘em ups da Sega como o Streets of Rage, a jogabilidade é simples e eficaz. Controlamos John McClane ou a sua companheira Chris Tompsen, ao longo de diversos níveis num arranha-céus muito semelhante ao Nakatomi Plaza, do primeiro filme. E tal como os beat ‘em ups da velha guarda em 2D, embora nos possamos movimentar em 3 dimensões, as personagens aparecem sempre no ecrã como se estivessem viradas para a esquerda ou para a direita. Era algo que resultava bem em sprites, já num jogo em 3D pode parecer estranho, mas para mim é justamente isso e o facto de a câmara ser fixa que tornam este jogo em algo muito melhor conseguido que outros beat ‘em ups 3D lançados muitos anos depois não o conseguiram. Sim, foi uma referência ao Final Fight Streetwise.

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Mas seria injusto reduzir este jogo apenas à câmara fixa e à movimentação da velha guarda. Die Hard Arcade é um jogo muito divertido e que não se leva a sério. As personagens são fáceis de controlar e cada “arena” está repleta de objectos que podemos utilizar como arma, ou que poderão ser usados contra nós. Desde vassouras, barris, TVs a diversas armas de fogo que vão até lança-rockets que podemos disparar à queima-roupa e só dão dano ligeiro aos inimigos, o arsenal que vamos dispondo é muito vasto. E tal como seria de esperar, no final de cada “nível” temos o tradicional boss à nossa espera. O vilão e boss final deste jogo chama-se Wolf “White Fang” Hongo, e a sua semelhança com Shun Di de Virtua Fighter 2 confesso que ao fim de todo este tempo, ainda me deixa com algumas dúvidas se não será apenas uma coincidência. Mas não é só de Shun Di que este jogo vai buscar influências a Virtua Fighter. Os golpes especiais e sistema de combos também foram certamente inspirados por esse jogo e são mais um dos ingredientes pelos quais este é um jogo tão divertido de se jogar.

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Uma outra curiosidade com este título são as cenas com “quick time events” que separam os níveis. Nessas alturas, vemos John a correr de forma bastante engraçada entre vários corredores e no momento certo temos de carregar um botão, seja para dar um golpe bastante forte num inimigo, ou fugir de algum obstáculo que subitamente se mete no nosso caminho. Se falharmos o timing, ou perdemos alguma da nossa vida e seguimos caminho, ou então somos parados e teremos de defrontar alguns inimigos extra. Seja qual for a situação, somos presenteados com uns quantos replays do grande uppercut ou pontapé que conseguimos acertar, ou do falhanço colossal.

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Inicialmente apenas dispomos de uma vida e 3 continues, pelo que jogar isto “on the go” poderia ser muito frustrante, pois os bosses não são propriamente pêra doce. No entanto podemos amealhar um conjunto practicamente ilimitado de continues, mediante o máximo de pontos que conseguirmos obter jogando um outro joguinho que vem no pacote. Mais um tesourinho dos primeiros anos da Sega enquanto produtora de jogos arcade, o Deep Scan, onde temos de afundar o máximo de submarinos possível a bordo de um navio.

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Graficamente nota-se bem que é um jogo original de 1996. Embora não seja nada mau para uma Sega Saturn, apresentando um 3D competente para a altura, naturalmente não envelheceu da melhor forma, com as personagens bastante “quadradas” e texturas simples. A banda sonora é competente, embora não tenha o mesmo impacto de muitas outras bandas sonoras de excelente qualidade que a Sega compunha para as suas conversões arcade de jogos como Sega Rally ou Daytona USA. Infelizmente nota-se com frequência a música a ser interrompida abruptamente pelos loadings entre ecrãs, recomeçando do início logo em seguida. É um dos pequenos defeitos que coloco neste jogo. Os diálogos, quando existentes são bastante “cheesy”, mas sinceramente acho que assentam que nem uma luva em jogos deste género que não se levam muito a sério.

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É uma pena que Die Hard Arcade não tenha atingido o sucesso que certamente merece, o jogo tem uma jogabilidade bastante fluída, e a quantidade absurda de objectos e armas que podemos utilizar para andar à pancada tornam este jogo em algo que deve figurar em qualquer colecção que se preze. No entanto, não é perfeito, e para além dos pequenos defeitos que já mencionei, o facto de ser um jogo muito curto e não incluir nenhum outro modo de jogo alternativo reduz bastante o factor de replayability. Ainda assim é sem dúvida um jogo de respeito para a máquina 32 Bit da Sega, que capturam bem o espírito arcade que a empresa sempre teve.

Autor: Ivo Leitao Pesquise todos os artigos por

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