Donkey Kong Country: Tropical Freeze

10
Longevidade: 9/10
Jogabilidade: 10/10
Gráficos: 9/10
Som: 10/10

Perfeição a nível audiovisual e jogabilidade | Níveis enormes e cheios de variedade

Não recomendado a quem lança comandos contra a parede

Por detrás desta grande macacada, existe um grande jogo que merece que troquemos todas as nossas bananas por ele!

Uma das coisas que a saga Donkey Kong Country tem de extraordinário, e quase único no mundo dos videojogos, é o facto de ter conseguido o feito de tornar os níveis passados dentro de água magníficos e este está bem ciente disso, pois é assim que começa. Logo no primeiro nível somos presenteados com um mergulho. E o prazer que é nadarmos lá dentro. Um prazer a todos os níveis. Um prazer visual – desde a palete de cores e o seu tom mais claro, à própria animação do Donkey Kong a esticar os braços e pernas e todos os pormenorzinhos em background como as bolhinhas de ar por tudo o que é sítio e as algas marítimas a esconderem-se sempre que passamos por elas. Um prazer sonoro – mal caímos dentro da água, os instrumentos mudam por completo, transformando-se tudo em algo mais calmo, mais relaxante e meio abafado. E é exactamente assim que nos devemos sentir nas profundezas. Um prazer no controlo da personagem – é tão intuitivo mover os personagens como andar a pé. Não sentimos que nada esteja fora do sítio. Aliás, parece que até conseguiram melhorar a (já antes quase perfeita) jogabilidade dentro da água. A preocupação nesse sentido também é revelada no facto de podermos jogar com qualquer um dos comandos disponíveis na Wii U: Gamepad (o ecrã encontra-se desligado para poupar bateria se preferirmos), Wii Remote + Nunchuk, Wii Remote na horizontal e Wii U Pro Controller.

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A variedade de níveis, e também variedade dentro dos níveis, é o que não falta. Da mesma forma que saltamos para a água, tão depressa voltamos a sair dela. Há pouco referi os pormenores que se encontram em background e de facto não dá para contar o número de layers atrás e à frente (ou seja, também em foreground) de Donkey Kong e todos eles bastante pormenorizados. Isso faz com que nos sintamos mesmo dentro da selva e não apenas a passar ao lado dela e esta está viva! Está sempre a acontecer algo no ecrã. Sejam folhas a cair, sejam bichos a tratar das suas vidas. A animação é fantástica, quer esteja directamente relacionada com a jogabilidade ou não. Este não é o típico jogo do corre para a direita e salta. Existem muitas mais tarefas para fazer como agarrarmo-nos nas paredes, procurarmos passagens secretas, desviarmo-nos de tudo aquilo que mexe… O engraçado é que há níveis que embarcam várias características. E com isto é importante referir a componente 2.5D. Dimensão especialmente notável nas famosas partes em que nos catapultamos de barril para barril e viajamos de layer para layer. A câmara move-se por todo o lado. Ora vamos para a direita do ecrã, ora voamos diagonalmente para cima enquanto mudamos de mais um layer. Os longos planos acompanham-nos pelos gigantescos cenários. O pessoal da Retro Studios depois de ter concluído Donkey Kong Country Returns para a Wii, sentiu que ainda não tinha concretizado todas as ideias, que ainda havia muito para inventar e de facto nota-se que tinham razão. Depois há os famosos níveis em que conduzimos os carros das minas ou os barris a gasolina (rocket barrels). As viagens são no mínimo extravagantes.

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“Ah, mas o ambiente tropical vai ser uma constante”, pensamos nós ao percorrer a ilha paradisíaca. Coisa que é desmentida, depois de passarmos o primeiro mundo/colectânea de níveis. Após o primeiro grande boss saltamos para a próxima ilha. Ilha esta que apresenta um ambiente completamente diferente da anterior. De repente encontramo-nos no meio de montanhas semelhantes às dos países nórdicos cheias de pinheiros e cheias de casinhas de madeira. A única coisa igual à ilha anterior é o grau de beleza e admiração que nos proporciona. A partir daqui sabemos que vamos poder contar com ainda mais variedade.

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Os níveis podem ser belos, mas também são deveras difíceis de completar. Com tanta coisa a acontecer no ecrã, torna-se fácil perder uma vida. Os inimigos são imensos, os precipícios imperdoáveis… Precisamos de ter muita atenção e paciência, principalmente se quisermos descobrir os segredos todos e recolher todos os itens pedidos. Ironicamente, se quisermos recolher mesmo tudo, temos também de passar pelo modo Time Attack que tem a finalidade de atravessar os níveis num determinado espaço de tempo. Isso é especialmente difícil, mas a série Donkey Kong Country é famosa por tal.

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Isso não seria possível sem os nossos amigos. O Diddy e a Dixie Kong já nos ajudaram em capítulos anteriores, mas nunca ambos num mesmo jogo e como que se isso não bastasse, o velho e resmungão Cranky também se junta à festa agora. Cada um apresenta características diferentes. O levezinho Diddy usa por exemplo, um rocket que o mantém durante algum tempo no ar, a Dixie usa o seu cabelo como hélice e o Cranky usa a sua bengala fazendo mesmo lembrar o velho Patinhas no DuckTales, até mesmo quando salta. Nota-se igualmente uma certa diferença na própria movimentação de cada um. Diddy Kong, por exemplo, é bastante mais ágil do que Donkey.

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Ao jogarmos sozinhos, o segundo personagem salta automaticamente para as nossas costas, adicionando as características dele às nossas. Se jogarmos juntamente com outro jogador ao nosso lado, temos aqui uma novidade: cada um pode controlar o seu personagem individualmente, se preferirmos. Essa é uma adição muito bem-vinda. Deixem-me avisar-vos, pois se o modo singleplayer já é suficientemente difícil, com um amigo ao nosso lado as coisas complicam-se ainda mais. Torna-se fulcral ter de cronometrar o timing de cada um. Mas não se sintam assustados, pois Funky Kong também está de regresso! Na sua loja podemos comprar vários itens que nos vão ajudar na nossa viagem. Existe outra característica interessante chamada Kong Pow. Se preenchermos totalmente a devida barra, ficamos com a oportunidade de transformar todos os inimigos que se encontrem no ecrã em itens preciosos. Outro amigo nosso que vem matar saudades é Rambi, o rinoceronte. Cavalgando nele podemos derrotar inimigos que se ponham à nossa frente ou até abrir buracos nas paredes, revelando assim entradas secretas.

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Este não é só um jogo obrigatório quem já possui uma Wii U. É um jogo obrigatório para quem gosta de videojogos. Ponto! Gostaria de terminar esta análise com outro muito importante regresso: David Wise, o compositor da trilogia original. Esteve ausente em Donkey Kong Country Returns, mas volta agora com uma banda sonora épica e cheia de momentos que nos deixam deslumbrados. No meio de muitas originais, não podiam faltar também variantes, como por exemplo a de Stickerbush Symphony e Aquatic Ambience, duas canções que ficaram eternizadas. Mas a minha maior alegria foi quando me deparei com outra composição para os níveis aquáticos chamada Amiss Abyss. Esta música original tem tudo para ficar na história também. Pelo menos merece, pois são preciosidades como esta que nos deixam a sonhar. Falo naturalmente disto:

Autor: Luis Teixeira Pesquise todos os artigos por

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