Don’t Starve

8
Longevidade: 9/10
Jogabilidade: 8/10
Gráficos: 8/10
Som: 6/10

grande duração de vida, ambiente imersivo

pouca diversidade na música, causa alguma frustração

Depois de já ter lançado alguns jogos com bastante sucesso, como Shank e Mark of the Ninja, a Klei Entretainment resolveu expandir os seus horizontes e experimentar algo totalmente diferente dos seus títulos anteriores com Don’t Starve. Como o próprio nome leva a pensar é baseado na sobrevivência e é possivelmente uma das melhores experiências no género. Desde o início que esse aspecto está bastante presente, uma vez que somos “largados” no mundo sem nenhuma informação, excepto a fornecida por uma personagem que nos diz que temos de nos alimentar e preparar para a noite que se aproxima. Cabe-nos descobrir aquilo que podemos fazer ao explorarmos as redondezas.

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O mundo é gerado aleatoriamente e pode ser bastante ingrato caso comecemos num local onde não estão disponíveis os materiais necessários para sobreviver sequer à primeira noite. Estes materiais iniciais passam por paus e pedras para construir utensílios para poder cortar árvores e fazer o primeiro fogo, elemento essencial para passar a noite em segurança, porque com a escuridão surgem monstros que nos matarão rapidamente sem essa fonte de luz.

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Passada esta primeira experiência, temos que nos começar a preocupar com três aspectos para sobreviver: fome, sanidade e vida. Estes três aspectos, interligados de uma forma inteligente e interessante, serão a nossa principal preocupação para nos mantermos vivos o maior tempo possível. A diminuição de um destes influência de alguma forma outro, por exemplo, se a personagem ficar com fome vai começar a perder vida rapidamente, por isso é sensato ter sempre estes factores debaixo de olho para evitar males maiores. O que me leva a outro aspecto, não menos importante do jogo, a morte. Em Don’t Starve a morte é permanente, consequentemente, perdemos tudo o que juntamos numa sessão. Isto é algo que pode gerar algumas frustrações, principalmente no início enquanto as mecânicas ainda não estão bem assimiladas. Mas morrer em Don’t Starve não tem que significar sempre algo negativo. É através da morte que ganhamos pontos de experiência, relativamente ao número de dias que sobrevivemos, para poder desbloquear novas personagens. Estas ainda trazem mais diversidade ao jogo, assim como outras formas de o redescobrir, pois cada uma delas possui habilidades próprias, cada uma mais divertida que a anterior. Para além que, morrer é uma forma de aprendermos um pouco mais sobre o mundo e fazer o possível para não cometer os mesmos erros da próxima vez.

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Um dos melhores elementos no jogo é o mundo. Este, estranho, assustador e belo, é um sítio onde não podemos confiar em nada, porque parece que tudo nos quer matar; começando na comida, que com o tempo se estraga ou certos tipos de carnes e vegetais que diminuem a sanidade, até aos maiores predadores que atacam assim que nos aproximamos. O mundo molda-se também conforme o nível de sanidade que temos. Se a deixarmos baixar em demasia começa a aparecer um mundo de certa forma diferente, mais hostil, onde coelhos se transformam em monstros e sombras materializam-se e tentam atacar-nos. Mas este mundo também nos traz algo novo à experiência, novos materiais passam a ser possíveis de obter onde no dito mundo “normal” não é possível. Além disto também existe uma porta que altera o modo de jogo para um com mais ênfase na aventura, onde temos que encontrar certos objectos para podermos passar a outro nível. A morte neste mundo não é permanente, apenas nos traz de volta de imediato à entrada da porta e somos livres de continuar a tentar sobreviver ou reiniciar o modo aventura.

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O conjunto dos desenhos e animações cartoonescas do ambiente, assim como dos seres surreais que nele vivem, incluindo da nossa personagem, dão vida a um mundo que parece saído de um filme de Tim Burton. Estes elementos são coerentes entre si e funcionam bem com a junção de gráficos 2D com a liberdade de exploração num falso 3D, o que ajuda a criar um mundo vivo e dinâmico onde podemos explorar e interagir com praticamente tudo que está presente nele.

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O mundo apresenta um dinamismo tão fluente que tem mesmo passagens de estações climatéricas que alteram não só a jogabilidade mas também dão uma outra vida ao mundo. Algumas das alterações são a duração dos dias e os novos cuidados que temos que ter para sobreviver às dificuldades destas novas estações, o que nos leva outra vez à parte da frustração. A chegada do Inverno acresce a dificuldade do jogo, de uma forma que parece um pouco exagerada pela rapidez com que a altera. Os lagos congelam, os frutos deixam de crescer e surgem novos inimigos, o que torna a experiência bem mais complicada, caso não estejamos preparados. Pode acontecer que consigamos sobreviver sem problemas até ao Inverno e morrermos logo no primeiro dia em que surge neve tal é esta discrepância.

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Quanto ao crafting, essencial para prosseguirmos neste mundo, é bastante eficaz e fácil de adaptar. Temos no início um número limitado de objectos que podemos adquirir na nossa lista ainda muito rudimentar de crafting. Mais tarde, a construção de máquinas da ciência permitem-nos ter acesso a toda a lista, sendo necessário, para esses objectos, estar próximo dessas tais máquinas, dando uma certa importância à construção de uma base para estarmos sempre ao alcance delas.

Nos termos sonoros penso que o jogo pedia mais, pelo menos em relação à música. Praticamente inexistente, a não ser em casos particulares como o amanhecer, e demasiado repetitiva, tornando a banda-sonora algo decepcionante. Felizmente os efeitos sonoros são excelentes e estar simplesmente a ouvir o ambiente dá-nos uma sensação de solidão que fica bem no contexto do jogo.

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Se estiverem à procura de um jogo com uma narrativa brilhante não vão encontra-la em Don’t Starve. Neste jogo essa característica é deixada um pouco de parte, no entanto, possui uma experiência de sobrevivência aditiva que nos dá vontade de voltar a tentar outra e outra vez pelo simples facto de tentarmos sobreviver a mais um dia que da vez anterior.

Autor: Equipa PUSHSTART Pesquise todos os artigos por

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