Dracula 4 – The Shadow of the Dragon

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Longevidade: 3/10
Jogabilidade: 4/10
Gráficos: 6/10
Som: 8/10

Ambiente continua fenomenal

Longevidade abaixo da média; Características dos medicamentos supérfluas

Bem-vindos ao mundo onde vão poder encontrar cofres enterrados no cemitério. Ao mundo onde ouvem gritos ao longe sem saber bem de quem é que são. Ao mundo onde os humanos e os monstros se confundem. Bem-vindos a Dracula 4: The Shadow of the Dragon.

Todos os anos por esta altura analiso um capítulo desta saga. Se em 2011 comecei com Dracula: Resurrection, em 2012 continuei com Dracula 2: The Last Sanctuary. Depois de ter percorrido no ano passado Dracula 3: Path of the Dragon, chegou agora a vez me colocar nas suas sombras.

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Apesar dos títulos, esta não é uma sequela directa do 3, pois somos levados para uma história completamente nova. Somos Ellen Cross, uma investigadora nova-iorquina que trabalha para o Metropolian Museum e que é enviada à Hungria à procura de uma pintura valiosa que se pensava desaparecida no meio do oceano. Pelos vistos esta tornou a aparecer num leilão e cabe-lhe agora verificar a sua autenticidade.

Quem jogou os jogos anteriores, sente-se logo familiarizado aqui. Os menus são mais ou menos os mesmos e a jogabilidade em point’n click também. Vamos percorrendo os cenários estáticos (com algumas excepções) enquanto procuramos por pistas em todos os cantos. Com isso posso começar já por referir o primeiro aspecto negativo. Não falo dos cenários que mais uma vez fazem com que o jogo tenha um ambiente fenomenal, mas da linearidade na procura das pistas. O jogo é extremamente linear. Se o capítulo anterior roçava a loucura, este quase que pode ser considerado para principiantes. Não vamos perder muito tempo a andar para trás e para a frente nos cenários, pois sabemos sempre exactamente que o objecto que acabamos de encontrar vai ser usado neste ou no cenário a seguir. Se mesmo assim não conseguirmos ir em frente, existe o Casual Mode que nos dá dicas sobre o que fazer.

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Com isso vem o facto de o jogo ser muito curto. Podemos terminá-lo em mais ou menos 2 horas. No final até ficamos a pensar se já terminou mesmo ou não, mas as imagens estáticas do próximo título tiram qualquer dúvida. E é assim que termina. Sem grandes rodeios, mas com um cliffhanger que confesso que me deixou com vontade de pegar no próximo. Aliás, o ambiente e a história (enquanto duram) são mesmo o melhor deste título. Estes até conseguem colar o jogador, incentivando-o a continuar a jornada. Tenho também de alertar os nossos leitores para não começarem pelo modo normal do jogo. Convém fazermos o tutorial primeiro. Não para nos ambientarmos às regras, mas porque este próprio faz parte da narrativa. É como que se estivéssemos a passar o primeiro capítulo à frente! Ao irmos logo para o modo normal, tudo o que aconteceu no tutorial é explicado em forma de flashback, o que não faz qualquer sentido tendo em conta que não existe qualquer diferença entre o tutorial e o resto do jogo em si. Estavam com medo que o jogador achasse o jogo demasiado longo?

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Chegamos à parte em que explico uma das novidades do jogo, mas que também vai ter de levar com críticas. Então é o seguinte: Ellen Cross está a morrer. A sua vida depende dos comprimidos que foram entretanto descontinuados. Resta-nos ficar com os que ainda sobraram. Ao longo do jogo vamos ver a nossa barra de vida a descer e a ficar cada vez com menos medicamentos. Ou será que vamos? Acontece que terminei o jogo com comprimidos à fartura. Por outras palavras, é como que se essa característica não existisse. Não adianta implementá-la se nunca nos chegamos a encontrar realmente em risco de vida.

Antes de passar para aquilo que realmente gostei de Dracula – The Shadow of the Dragon, ainda vai ter de levar com outra chamada de atenção. Os personagens não apresentam qualquer expressão. A única coisa que fazem é mexer os lábios e mesmo assim não coincidem com aquilo que é dito. O primeiro Dracula que é de 2000 fazia isso tão bem… Aliás esse estava bastante à frente do seu tempo, pois ainda hoje tenho dificuldade em encontrar jogos com o mesmo detalhe no que toca às expressões dos personagens.

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Este desleixe é de facto vergonhoso, pois perde-se muita imersão assim. No entanto, nem tudo é mau aqui porque as vozes levaram com uma excelente interpretação, ajudando a tornar ambiente realista novamente.

E era aqui onde queria chegar. Felizmente, repito, felizmente o ambiente deste jogo está ao nível dos jogos anteriores. Se leram as minhas últimas análises, sabem que foi dos aspectos que mais adorei desta saga. Os cenários continuam a apresentar um detalhe fabuloso que só um jogo deste género poderia ter. Ao percorrermos novamente vários países vamos passar por exemplo por mansões com fabulosas bibliotecas ou o já obrigatório cemitério (não lhes perdoava se este fosse o primeiro jogo a não incluir um cemitério!). Não apresenta de longe a dimensão dos cemitérios presentes no 2º e 3º jogo. Podemos dizer que é mais ou menos do mesmo tamanho do 1º, mas agora com vegetação ao redor. Vegetação esta que não está de todo bem tratada, notando-se uma clara despreocupação perante a mesma. Está em ruínas! E o nevoeiro incluído no cemitério do 3º jogo também se foi. Gosto do facto de todos os cemitérios até agora terem tido uma personalidade própria que os destacassem uns dos outros. Porém, devido à própria longevidade do jogo, não existe muito para fazer aqui. A nossa visita é esporádica, o que é uma enorme pena, obviamente.

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Mas não posso falar do ambiente sem mencionar a excelente música e o som. Começando pelo tema do cemitério, posso dizer que é o mais terrorífico de todos. O que domina aqui é o óbvio piano, o violino e a guitarra eléctrica e clássica. Todos os instrumentos conseguem transportar-nos até este mundo gótico. Mas a música não é uma constante. O que é uma constante são os já conhecidos efeitos sonoros. O vento a soprar, os corvos a cantar, alguns seres a gritar(!). Nunca nos chegamos a sentir verdadeiramente sozinhos…

Apesar das falhas gostei de voltar ao mundo de Dracula e deste ambiente tão típico que só ele consegue proporcionar. Os verdadeiros fãs vão encontrar aqui aspectos que tanto adoraram nos anteriores, mas vão ficar igualmente tristes porque existe aquela sensação de que os próprios criadores deste 4º capítulo, não são grandes fãs da saga. Ou isso ou não têm capacidades para mais.

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No fundo o jogo faz justiça ao subtítulo atribuído, pois a finalidade deste capítulo era o de encontrar o quadro perdido. Obra essa que nos levou a percorrer um caminho obscuro por vários países. Graças às referências aos vampiros, sentimos a sua sombria presença e cabe-nos agora descobrir o que Dracula 5 – The Blood Legacy nos reserva, o último capítulo de todos que promete apresentar um tipo de terror mais directo.

Autor: Luis Teixeira Pesquise todos os artigos por

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