Dying Light

Parkour & Zombies… Faz todo o sentido

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A primeira vez que a produtora Techland conseguiu a minha atenção foi com a série Call of Juarez, que, embora pouco amada pela maior parte do público, conta com jogos bastante interessantes. Mais tarde fizeram furor com Dead Island que veio tentar aproveitar a vaga de zombies que invadiu tudo o que era entretenimento. Este último era um jogo bastante interessante e que apesar dos seus vários problemas conseguiu agradar ao público com o seu estilo de filme de terror série B. Dying Light é na verdade um Dead Island 3, só que por algum motivo tem um nome diferente, talvez porque a narrativa não tem lugar numa ilha e sim numa cidade turca.

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Por falar em narrativa, esta é um dos pontos negativos do jogo. Do início ao fim não há nenhum personagem a quem nos afeiçoemos e as reviravoltas, que são supostamente uma grande surpresa, são na verdade mais previsíveis do que os guiões dos filmes Sexta-Feira 13. Pior do que isso é que esta só começa a ganhar algum interesse na segunda parte do jogo. Este divide-se entre duas grandes áreas, uma delas que só acedemos depois de completar uma grande fatia da narrativa. É nesta segunda parte que o jogo começa a ganhar mais algum interesse, não só em termos de história mas também em termos visuais e ambientais. Aqui as missões principais começam a ganhar memento e a jogabilidade é muito mais bem aproveitada devido ao tipo de edifícios presentes. Isto porque na primeira parte do jogo onde exploramos os “slums”, os edifícios são todos rasteiros e desinteressantes. Depois temos acesso a uma cidade com prédios altos e alguns belos monumentos.

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As mecânicas de parkour que nos permitem atravessar a cidade de um lado ao outro não estão perfeitas, existem alguns problemas com aquilo que é possível trepar ou não, principalmente na primeira parte do jogo onde os edifícios são “menos definidos”. No entanto, e no geral, estas funcionam bem e conseguem desempenhar a sua função durante a maior parte do tempo. É algo satisfatório correr pela cidade e saltar de telhado para telhado ou pular cercas para fugirmos dos infectados. Como o parkour é o foco principal deste título o combate é agora muito mais complicado do que aquilo a que estávamos habituados em Dead Island. Os infectados e os outros humanos com quem nos deparamos de facções rivais apresentam um sério desafio para o jogador. Não podemos simplesmente andar pela cidade a decepar todos os zombies que nos aparecem à frente. O mais comum é andarmos a saltar pelos telhados, falhar um salto e rapidamente tentar recompormo-nos e voltar a subir a um ponto alto, tal não é a agressividade dos inimigos. O slogan Good night, good luck não é apenas para ficar bem a complementar o título, é na verdade um aspecto particular inerente à jogabilidade. Ao ficar de noite, para além dos infectados ficarem mais agressivos, aparece também uma maior variedade destes e algumas mutações mais perigosas do que as habituais. É também aqui introduzida a mecânica stealth que nos pode ser útil a sair de variadas situações mais perigosas sem ter de enfrentar directamente o inimigo.

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De dia ou de noite Dying Light é um jogo graficamente lindo com texturas e cenários deslumbrantes. Só tenho imensa pena que o local escolhido tenha sido a Turquia. Os países do médio oriente normalmente dão um ar monótono aos jogos e isso não é excepção em Dying Light. Ainda assim damos por nós várias vezes a simplesmente parar e olhar com admiração para aquilo que nos rodeia. Entrar em esgotos ou em prédios abandonados é um escape à monotonia das paisagens exteriores monocromáticas. Essas zonas oferecem também alguns dos maiores desafios do jogo com sítios fechados onde o jogador é obrigado a enfrentar hordas de inimigos. É nestas alturas que o jogo se pode também tornar algo frustrante. Por não haver uma grande ênfase no combate fora destas situações, por vezes damos por nós desprovidos de equipamento apropriado por até lá não termos tido necessidade de o comprar ou fabricar. E morrer não é de todo positivo, pois embora na grande maioria das vezes não nos faça voltar muito atrás, perdemos pontos de sobrevivência, pontos estes que custam muito a ganhar.

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A evolução do personagem em Dying Light faz-se em três frentes diferentes, survivor, power e agility, cada uma representada pela respectiva skill tree. Todas são de importância semelhante, visto existirem situações onde obrigatoriamente necessitamos de usar as habilidades de uma característica em específico. Mas o jogador não precisa de estar muito preocupado em evoluir isto ou aquilo porque com o decorrer do jogo, executando tarefas normais e progredindo na história desbloqueia as habilidades de um modo natural. As habilidades de survivor são de extrema importância para aprendermos a construir itens úteis, como por exemplo, os indispensáveis medkits, ou para termos um backpack maior e podermos transportar mais equipamento. O power é centrado em habilidades que nos permitem mais facilmente enfrentar os nossos inimigos, quer seja via poderosos ataques novos ou por sermos mais difíceis de matar ao dispor de mais pontos de vida. Agility é importante para a componente parkour que no fundo é a nossa única maneira de nos deslocarmos numa cidade infestada de zombies, e quanto melhor o fizermos menos vezes vamos morrer. E, quanto menos morrermos, mais habilidades de survivor podemos desbloquear. Além da gestão das habilidades têm também de gerir o inventário e todo o loot que apanhamos durante as missões. Este pode ser útil ou não, e caso não seja podem desmantelar ou vender com o objectivo de usar as partes ou o dinheiro proveniente para fazer novas armas, reparar armas, ou fazer itens úteis.

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Isto passar-se-á ao longo de uma campanha ainda bastante grande para aquilo que é considerado o “normal” nos jogos de acção. Podem contar com pelo menos umas duas dezenas de horas apenas para as missões principais, e se contarem com o conteúdo extra como sidequests e desafios de agilidade e de poder podem prolongar a experiência até umas 50 horas de jogo. Isto é sem dúvida positivo, mas a verdade é que existem alguns momentos bem aborrecidos. Algumas das missões principais passam por simplesmente ir buscar alguns objectos do tipo X e entregar ao Zé para ele eventualmente vos dar o item Y que precisam entregar ao Manel. Felizmente pelo meio existem algumas missões genuinamente interessantes. Um conselho que vos dou é não deixarem de parte os objectivos secundários, para além da experiência que estas vos dão, algumas têm histórias bem engraçadas que valem a pena serem exploradas.

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Dying Light não é propriamente um jogo novo ou inovador. No fundo é um Dead Island com alguns aspectos novos, que, verdade seja dita, muda imenso a abordagem que o jogador tem de ter perante situações semelhantes. Sem dúvida que o parkour é o que o distancia da grande parte dos jogos de zombies, e por isso parece algo verdadeiramente diferente, embora não o seja. Se gostaram dos anteriores jogos de zombies da Techland este não vai sem dúvida desiludir-vos. Mesmo que dêem prioridade a uma narrativa interessante, a jogabilidade diversificada de Dying Light é tão boa que acaba por compensar os seus pontos menos positivos. Como tal é fácil recomendá-lo a praticamente toda a gente, principalmente se gostarem de zombies, ou infectados, ou qualquer outra coisa que lhes queiram chamar.

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 Veredicto                                                        
Embora conte com alguns problemas é uma excelente base a aperfeiçoar, e sem dúvida uma passo à frente daquilo que era Dead Island.
 Plataforma        
 PS4
 Produtora         
 Techland
Autor: Ivan Cordeiro Pesquise todos os artigos por

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