E.T. the Extra-Terrestrial

2,5
Longevidade : 3/10
Jogabilidade : 2/10
Gráficos : 4/10
Som : 1/10

Ambição e criatividade na jogabilidade

Jogabilidade que não cumpre o que promete

Review 4×4

Review Principal

Em Dezembro de 1982 o realizador Steven Spielberg lançou o que viria a ser um dos seus filmes mais famosos, E.T. the Extra-Terrestrial. Dispensam-se apresentações. Nesse mesmo mês surgiu a adaptação para a Atari 2600, aquele que viria a ser para muitos o pior videojogo de todos os tempos.

Diz-se que foram produzidos muitos mais cartuchos do que consolas existentes. Diz-se que os cartuchos por vender foram enterrados no deserto do Texas (entre dez e vinte camiões cheios). Diz-se que entre outros factores, foi este jogo que causou o Crash dos Videojogos de 1983. Diz-se que este foi o maior erro da Atari. Diz-se muita coisa, mas será este jogo realmente assim tão mau?

A nossa missão é ajudar o E. T. a encontrar as três peças do telefone interplanetário espalhadas algures na Superfície, telefonar para casa e levá-lo à floresta para o irem buscar na bela nave cor-de-rosa. O jogo termina quando o E.T. fica sem energia ou, e preparem-se que isto está mesmo escrito no manual de instruções, decidirmos parar de jogar.

Ao contrário de muitos jogos desta época, este até parece prometer pela sua complexidade. Existem vários cenários: Superfície onde E.T. tenta encontrar as peças do telefone, tal como também os rebuçados energéticos; Precipício onde E.T. acaba por cair se der um passo errado; Cidade que engloba a Esquadra da Polícia, Casa de Elliot e Instituto da Ciência onde o E.T. é levado para ser estudado; Floresta, sítio onde presenciamos a aterragem de E.T. e para onde este tem que se dirigir se quiser voltar a casa; outro interessante é o Call Elliot Zone. Se o E.T. estiver nessa zona com nove rebuçados, Elliott fica-lhe com eles despistando ao mesmo tempo os restantes humanos que nos impedem de atingir o objectivo. Os cientistas levam o alienígena para o laboratório, deixando-o lá solto pronto a escapar. Já os polícias para além de o levarem para a esquadra, resgatam-lhe também as peças de telefone que demoraram quatro horas a serem encontradas…

Como se nota, quiseram criar um jogo bastante complexo, o que pode jogar a seu favor, sob uma condição: é obrigatório lermos o manual de instruções antes, caso contrário, esqueçam lá isso. Este não é um simples Pitfall ou Halloween em que sabemos que rumo tomar mal iniciamos a aventura. Portanto, aquilo que joga a favor para algumas pessoas, poderá ao mesmo tempo assustar outras.

Na altura não havia internet como há agora. Se por acaso estivéssemos a jogar esta pérola emprestada por um amigo vizinho nosso sem recurso ao manual, passaríamos a ter um novo hobby para o fim-de-semana: descobrir o que fazer e porque é que estamos sempre a cair num precipício de cinco em cinco segundos. Eu pelo menos ainda estive uns bons vinte minutos a tentar interiorizar todas as instruções escritas no manual.

Com isto tudo, parece que estamos perante um jogo espectacular, certo? Não! Depois de sabermos todas as regras e termos criado grandes expectativas, eis que começamos a chorar que nem criancinhas no fatídico Natal de 1982: “Mãe, podes-me oferecer um comando novo para o ano?”

A Atari apostou fortemente neste jogo. Tendo em conta o filme que serviu de base, a fortuna gasta em marketing e uns gráficos surpreendentemente bem-feitos (o ecrã inicial e o personagem principal estão excelentes) só poderia sair êxito. Como se explica então o enorme número de cancelamentos? Três palavras: problemas na jogabilidade. Esta falha em todos os sentidos. E é aqui que aparecem as frustrações.

Iniciamos o jogo com 9999 pontos de energia. Cada passo que o E.T. dá, vai-nos comendo energia. As peças de telefone estão de tal forma bem escondidas que é praticamente impossível encontrá-las todas antes que esse número de energia chegue ao fim. As vezes que o E.T. cai no Precipício e a energia que se perde só em tentar subir novamente… Falemos um pouco mais sobre essas quedas. Os buracos estão escondidos de forma aleatória por toda a parte. São buracos camuflados, ou seja, é impossível darmos com eles a não ser que seja tarde demais. Ao levantarmo-nos existe uma fortíssima probabilidade de tornarmos a cair neles. É uma questão de sorte: “Será que hei-de dar agora um passo à direita, esquerda, baixo,… CIMA…!!” O pobre do E.T. passa mais tempo no Precipício do que na Superfície e é aí que o jogo falha redondamente. Acredito que se tivessem melhorado um pouco esse aspecto, tornando tudo bastante mais acessível, o jogo teria tido outro destino.

Outro problema são os símbolos indicativos das zonas em que nos encontramos ou dos objectos que aí podem ser encontrados. Não é fácil manter tanto símbolo diferente sob controlo, mas com um pouco de concentração, conseguimos dominar esse aspecto.

Música? Tirando o tema principal na introdução, é nula. Avançando…

Confesso que depois de ter lido o obrigatório manual de instruções, fiquei fascinado e ainda pensei que toda esta fama negativa acerca do jogo fosse um pouco vítima de exageros, mas depois de o jogar… Realmente não adianta termos muitos itens para recolher ou bastantes cenários por onde passar, se se torna impossível concretizar o pretendido.

É o pior jogo de sempre? Não, não é… É um jogo de aventura sem dúvida nenhuma bastante ambicioso e para a altura, rico em detalhes, mas que promete mais do que aquilo que realmente oferece e mesmo o que oferece, apresenta por vezes falhas inaceitáveis. E acreditem, naquilo que erra, erra de forma grosseira. Depois das primeiras vezes, sentimos uma dor interna sempre que E.T. cai no Precipício. É tão doloroso olhar para o E.T. a subir lentamente para imediatamente um quarto de segundo depois, tornar a cair. E depois mais uma vez, e outra. Por favor… É aqui que muitos durões vão deixar cair a sua primeira lágrima… e… deitar as mãos à cara, tentando manter-se em silêncio. Dói…. Simplesmente dói. E nunca, mas nunca se deixem apanhar pelo polícia (O.K. a não ser que ainda não tenham encontrado uma das peças do telefone).

Por fim, com bastante paciência, conseguimos encontrar quase que por mera sorte todas as peças necessárias e enviar o jogo, quero dizer, E.T. para a galáxia a que pertence.

Visto por: João Canelo

 

E.T. – The Extra-Terrestrial para a Atari 2600 é unanimemente considerado como um dos piores jogos alguma vez criados na história da indústria. Depois de passar tormentas com a sua jogabilidade e falta de direcção, posso finalmente concordar e apelidá-lo de “desastre”. E.T. não é apenas mau, é um marco e não existem desculpas suficientemente fortes que justifiquem algumas das escolhas implementadas na sua jogabilidade. Mas sabem que mais? Joguem-no! É tão, mas tão mau que se torna transcendental.

Pontuação: 1

 

Visto por: Jorge Fernandes

 

Considerado por muitos o pior videojogo de sempre, sempre tive muita curiosidade em saber se este título foi ganho face a ser um jogo mediano de um filme de estrondoso sucesso, ou se o tinha conseguido por “valor” próprio. Infelizmente (para o mundo dos videojogos) verifica-se a segunda opção, e temos em mãos um jogo monótono, onde andamos à procura de itens e lugares que, ao invés de estarem graficamente representados no ecrã, requerem que percorramos espaços iguais a outros à espera que algum destes dê para despoletar uma acção. Mas, ei, para quem gosta de subir e cair em buracos, tem aqui o seu jogo.

Pontuação: 1

 

Visto por: Tiago Dias

 

Numa palavra: Horrível. Umas das piores adaptações do cinema para os videojogos de que há memória. ET é mau em todas as vertentes: Som, gráficos, jogabilidade, tudo. Mesma a música de entrada que poderia ser o único factor a considerar parece ter notas erradas. Talvez fruto de uma produção em cima do joelho, este jogo foi uma desilusão completa. Lembro-me de jogar ET no Atari 2600 e não perceber nada do que era para fazer. Agora quase 30 anos depois… tive que arranjar um manual… Eu só gostava de ver a cara do Spielberg ao ver isto pela primeira vez.

Pontuação: 2

 

 

Autor: Luis Teixeira Pesquise todos os artigos por

One Comment on "E.T. the Extra-Terrestrial"

  1. Atos 16 August 2013 at 18:36 - Reply

    Poderiam falar também sobre o velho clássico “Hong Kong 97” do SNES.

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