Ecco the Dolphin

9
Longevidade: 9/10
Jogabilidade: 8/10
Gráficos: 9/10
Som: 9/10

Jogabilidade original, excelentes gráficos e som

Nada de especial a apontar

A época das consolas 16 bit foi uma excelente era para se ser um gamer. Quer tenhamos sido donos de uma Mega Drive ou Super Nintendo, ambas as consolas acabaram por ter bibliotecas de luxo, e embora cada uma com os seus pontos fortes e fracos, as disputas de qual seria a melhor duram ainda hoje. Para além de todos os jogos “cool” do momento, por vezes tínhamos direito a momentos brilhantes de originalidade. Um desses momentos na Mega Drive vem da autoria de Ed Annunziatta e do seu estúdio Novotrade, que nos trouxe este Ecco the Dolphin.

Ecco the Dolphin (1)

E o que faz deste jogo ser bastante original? Talvez mesmo o facto de controlarmos um golfinho viajando pelo oceano, a cidade perdida da Atlântida, voltar atrás no tempo e combater uma raça alienígena que ameaça o planeta Terra. Tudo começa com Ecco a nadar nos oceanos com a sua família, até que surge uma misteriosa tempestade que suga os seus amigos e restantes peixes do mar onde se encontra. Sozinho, Ecco tenta descobrir o paradeiro dos seus entes queridos, encontrando pelo caminho outros golfinhos que lhe vão dando algumas pistas do que se está a passar à sua volta, ou pedindo também a sua ajuda.

Ecco the Dolphin (2)

A jogabilidade é também muito peculiar. Podemos controlar Ecco livremente pela imensidão dos oceanos, mas também teremos imensos túneis e corredores subaquáticos para explorar, bem como outros perigos à espreita, como tubarões, alforrecas ou outros seres marítimos mais agressivos. O sonar do golfinho é algo bastante usado neste jogo. A sua função principal é comunicar com outros golfinhos ou mamíferos marítimos, como orcas ou baleias que também usam “chamarizes” semelhantes para comunicarem entre si. Mas o sonar serve também para uma ecolocalização. Basta deixar pressionado o botão do sonar para Ecco receber o seu eco (trocadilho não intencional) e com isso ir construindo um mapa do nível, que se acabará por tornar bastante útil, especialmente nos níveis mais avançados.

Ecco the Dolphin (7)

Isto porque existem uma série de puzzles para resolver de forma a abrir caminho para o nível seguinte. Logo nos primeiros níveis vamos encontrar fortes correntes marítimas que nos impossibilitam de descer para o fundo do oceano. A solução? Arrastar uma rocha para esse precipício e nadar atrás dela de forma a “tapar” a corrente marítima por debaixo de nós. Noutros teremos de arranjar maneira de destruir rochas que impedem o nosso caminho, noutras ainda teremos de interagir com uma espécie de cristais mágicos, cristais esses que têm um propósito que depois será explicado. No entanto, teremos igualmente de ter constantemente em conta os perigos que nos estão à espreita, sejam os tais tubarões, peixes pré-históricos ou, claro está, a falta de oxigénio. Para os primeiros, podemos atacar como qualquer golfinho ataca um tubarão: mandar-se para cima deles e o mesmo é válido para os outros inimigos. Mais lá para a frente “desbloqueamos” um ataque novo, que utiliza os sons produzidos por Ecco, como ataque de longo alcance. A questão do oxigénio significa que teremos de voltar regularmente à superfície, ou encontrar pequenas câmaras-de-ar submarinas para recuperarmos o fôlego. Mas como fazemos para “curar” o nosso amigo golfinho de dano que tenha sofrido? As opções são várias: podemos comer peixes, ou usar os ultrassons em ameijoas. Mas nem sempre tal é possível, e nalguns dos níveis mais complexos teremos de interagir com alguns dos tais “cristais mágicos”, ou estátuas em Atlântida, que tanto nos podem regenerar a barra de vida, de oxigénio, ou mesmo tornar-nos temporariamente invencíveis. É por todas estas razões, que de um ponto de vista meramente de jogabilidade, tornam este Ecco the Dolphin num jogo bastante original, apesar de ter um elevado grau de dificuldade, em especial nos níveis mais avançados.

Ecco the Dolphin (10)

Mas não é só pela jogabilidade e temática diferente que Ecco é um jogo bastante peculiar na biblioteca da máquina de 16 bit da Sega. Os seus gráficos são também muito bons! Temos toda uma fauna, flora e geografia dos oceanos muitíssimo bem detalhada, com umas cores bem nítidas que fazem corar de vergonha o teórico limite de 64 cores em simultâneo da Mega Drive. Os efeitos sonoros e música são também bastante bons, em especial a música que é das mais agradáveis que podem ouvir na biblioteca da Mega Drive. Calmas, pautadas, alegres, mais tensas, mas sempre profundas, tal como os seus oceanos. Poucos são os jogos que nos dão a liberdade de estar apenas a nadar livremente pelos mares e fazer alguns saltos acrobáticos só porque sim. E também pode ser um jogo difícil e frustrante lá para o final, mas ao mesmo tempo consegue ser bastante apaziguador pelo seu ambiente

Ecco the Dolphin (12)

Li recentemente que Ed Annunziata tem andado em negociações com a Sega para desenvolver um novo lançamento da série e, apesar de não ter jogado o último que saiu para a Dreamcast e PS2, tenho pena que esta seja mais uma franchise em que a Sega não queira dispensar o mínimo de atenção. Ainda para mais com toda a “facilidade” que temos hoje em dia com as plataformas digitais como Steam, XBLA e PSN, ou mesmo os dispositivos móveis que cada vez agarram mais jogadores e o ecrã táctil parece algo feito mesmo a pensar no pobre Ecco. Vamos lá, Sega!

Autor: Ivo Leitao Pesquise todos os artigos por

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