Edge

9
Longevidade: 9/10
Jogabilidade: 9/10
Gráficos: 8/10
Som: 8/10

Muita criatividade no seu level design | Boa ambiência

O equilíbrio nas arestas é demasiado sensível

Ora aqui está mais um exemplo que prova a verdade da famosa sigla KISS – (Keep it Simple Stupid), ou seja, às vezes as ideias mais simples são as melhor sucedidas. Podemos afirmar logo à partida que Edge é um jogo extraordinário na forma como abraça o seu minimalismo, numa junção quase brilhante de jogabilidade excelente e level design com tanto de contemplativo como de desafiante (e tudo isto só com um monte de cubinhos cinzentos; Minecraft rói-te de inveja). Desenvolvido pela Two Tribes, este jogo já marcou presença em diversas plataformas, desde os dispositivos móveis iOS e Android a uma versão nos Playstation Minis e também no Humble Indie Bundle para PC. Esta nova versão não traz nada de propriamente único por ser jogado na Wii U (podemos simplesmente olhar para a televisão ou utilizar o gamepad como se de uma consola portátil se tratasse) mas, de facto, a jogabilidade torna-se mais precisa com a utilização do comando analógico possibilitada por uma consola do que com a interacção táctil dos dispositivos móveis.

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O jogo aglomera uma quantidade vasta de níveis neste único pacote cheio de estilo. Quando começamos, o sentimento é de alguma desolação. Qual é o interesse de um cubo colorido a rebolar por um cenário construído por cubos cinzentos? Mas tenham paciência pois em poucos níveis começarão a ver a beleza de Edge, seja pela simplicidade do conceito ou pela mestria com que nos consegue surpreender. Em primeiro lugar, apesar do nosso personagem ser um cubo colorido num mundo cinzentão, a nossa atenção volta-se repetidamente para o cenário que parece um organismo vivo mudando frequentemente de forma, seja pela interacção com interruptores ou por automatismos que fazem os cubos deslizar e tomar novas posições. Num momento verdadeiramente extraordinário os cubos transformam-se inesperadamente num robô que nos transporta às costas para outra zona do cenário e só podemos pensar “isto acabou de acontecer?” A envolvente interage com o protagonista numa relação estranha entre simbiose e repulsa. Ora tudo flui para nos conduzir a um ponto específico, ora vértices inesperados surgirão para nos empurrar para o abismo. A perspectiva isométrica nem sempre permite ter a noção total do espaço ou da posição do nosso cubo mas para isso temos o nosso mapa (com a tradicional perspectiva de topo) que nos orientará nesses pontos cegos.

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Curiosamente o ponto que considero mais questionável na jogabilidade de Edge é o que dá a origem ao seu nome. Por vezes temos que equilibrar o cubo numa das suas arestas para que ele siga caminho arrastado por outro cubo (por exemplo). Penso que é uma ideia um pouco forçada dentro do resto do contexto do jogo e é de facto complicado e frustrante equilibrar o cubo numa só aresta (sendo que quanto mais tempo o conseguirmos fazer mais pontos ganharemos). Felizmente só ocasionalmente é que é necessário recorrer a essa habilidade. Em certos momentos temos também a possibilidade de consultar um holograma que nos mostra como passar certas sequências, uma boa ajuda para jogadores mais inexperientes.

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A música (electrónica) acompanha bem a estética e jogabilidade, sendo que alguns dos temas são muito bons por si só. Edge já está disponível e é um bom negócio, um jogo cheio de estilo e com muitos níveis já à vossa espera na Nintendo eShop.

Autor: Joao Sousa Pesquise todos os artigos por

One Comment on "Edge"

  1. Joao Marques 17 December 2013 at 0:20 - Reply

    Já conhecia este jogo há muito, na sua versão para telemóveis, em java, que é praticamente idêntica a esta. Mas sim, é um jogo muito bom, apesar da sua “simplicidade”.

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