Elifoot Mobile 2012

4
Longevidade : 7/10
Jogabilidade : 4/10
Gráficos : 1/10
Som : 1/10

Simplicidade e curta duração dos campeonatos

Grande perda de dinamismo | Falta de multiplayer online

Elifoot entrou no mundo dos videojogos em 1987 mas foi a sua primeira versão a cores para MS-DOS que lhe deu o prestígio e que acabou por marcar uma geração, mesmo quando existiam no mercado rivais de peso bem mais elaborados, como o Championship Manager. E quais os ingredientes do seu sucesso? Simplicidade e diversão, muita diversão. Era um jogo que nos metia lado a lado com os nossos amigos, a gritar a plenos pulmões pela nossa equipa, e no qual era possível fazer uma temporada inteira em poucas horas, não existindo aqueles períodos intermináveis de tempos mortos onde vemos os nossos amigos irem à procura de jogadores, ou planear estratégias elaboradas.

Quando ouvi que iria ser feita uma espécie de remake do Elifoot II para plataformas mobile fiquei ansioso, não só porque era um jogo difícil de jogar via emulação em telemóvel (principalmente devido aos atalhos) mas também porque esperava que fossem introduzidas grandes melhorias sem no entanto estragarem a simplicidade e dinamismo do jogo.~

Partindo com as expectativas em alta, assim que instalo esta versão mobile do Elifoot, fico desde logo desapontado com o aspecto visual deste, sendo que se nota claramente que o grafismo não foi minimamente trabalhado, possuindo um look&feel que em termos textuais nos faz lembrar o estilo pré-histórico do Word Art e que em termos visuais fica aquém de trabalhos em Paint. Os elementos de texto foram colocados simplesmente de forma a serem funcionais, sem se pretender que exista qualquer coesão gráfica entre eles.

Mas, ei, embora seja da opinião que só este detalhe tenha afastado grande parte do público-alvo que nunca teve contacto prévio com o Elifoot, eu venho da velha legião de fãs que se lembra das delícias que o jogo nos proporcionou – mesmo com ecrãs cujo esquema de cores nos fazia impressão à vista e que mais parecia um teste médico para determinar se teríamos epilepsia ou não… característica que ainda se mantém nesta versão, embora minimizada.

Começando o jogo fiquei logo com um sentimento de nostalgia ao ficar ao comando do Penafiel na 4ª divisão e ao ver o sorteio da Taça de Portugal. Por outro lado, estranhei a falta da compra e venda de jogadores inicial que existia no Elifoot II, embora não me tenha preocupado muito, pois até era da opinião que entrarmos no mercado antes de termos oportunidade de ver a nossa equipa não fazia muito sentido. Infelizmente, com o passar da realização de jogos, comecei a notar uma grande escassez em termos de movimentos no mercado, chegando inclusive a ter feito uma temporada inteira onde não consegui adquirir o passe de nenhum jogador.

Em parte o problema deve-se à introdução de um maior realismo no jogo, sendo agora impossível a clubes de 4ª Divisão terem dinheiro para comprar jogadores de primeira divisão, ficando por isso sujeitos a que clubes de divisões inferiores se decidiam a vender alguns dos seus jogadores – algo que não acontece com a frequência que deveria acontecer para o jogo ter o dinamismo de antigamente. Os jogadores continuam a ser representados apenas por um único atributo, só que nesta versão ele pode chegar aos 100, criando uma distância maior entre a qualidade de jogadores entre divisões, o que a meu ver até é positivo. O sistema de treino de jogadores também aparenta ser igual ao seu velhinho predecessor, ou seja, nota-se uma evolução de forma nos jogadores que não participaram nas anteriores jornadas. À medida que os jogadores vão ganhando forma, voltam a surgir os temíveis pedidos de aumento salarial que, caso não concordemos, despoleta a venda do jogador em questão e, caso seja bem sucedida, ficamos impossibilitados de vender esse jogador durante um dado período de tempo. E chegamos assim à alteração que mais comichão me deu nesta nova edição… não é possível especificar o preço base para o leilão do jogador! A única justificação que me surge é o facto de desta maneira se evitar o colapso do mercado que acontecia anteriormente, mas isto tira grande parte da liberdade que como treinadores tínhamos e elimina um factor que distinguia a experiência dos vários treinadores, perdendo-se a necessidade de saber avaliar o mercado e pedir sempre um valor adequado para o jogador em questão.

Em termos tácticos, e do motor de jogo por detrás da realização de jogos, não tenho nada a apontar, sendo uma representação fiel do original. Antes de cada partida fazemos a escolha de qual a táctica a usar e automaticamente são escolhidos os melhores jogadores para ocupar as vagas das suas respectivas posições. O mítico Alt+F3 está de volta, embora não mais conhecido pelas suas teclas de atalho (inexistentes nesta versão), mas sim pelo seu nome, Seleccionar Melhores. Para equipas equilibradas em termos de jogadores por posição, e para treinadores menos experientes, aqui fica a táctica de eleição para ter prestações razoáveis e garantir que os jogadores que precisam de subir de forma irão fazê-lo.

Os nomes de equipas e jogadores estão praticamente todos incorrectos, sendo que a razão mais provável para tal será devido a restrições nos direitos comerciais e licenças das respectivas equipas, embora nalguns casos pareça também que foram feitos ajustes devido a limitações no número de caracteres máximo para os nomes dos jogadores. Isto leva-nos ao facto do jogo não vir com um editor de equipas/jogadores, impedindo que se criem campeonatos personalizados, o qual conseguíamos fazer através da edição de ficheiros no clássico de MS-DOS.

Para terminar, fiquei desapontado por esta versão não ter a funcionalidade mais desejada de sempre no Elifoot II, o suporte para multiplayer online. O único multiplayer possível, do tipo Hotseat, apenas é viável jogando num tablet, pois não passa pela cabeça de ninguém meter 4 pessoas a olhar horas a fio para um ecrã minúsculo de um telemóvel.

Autor: Jorge Fernandes Pesquise todos os artigos por

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