Enemy Zero

8
Longevidade: 6/10
Jogabilidade: 6/10
Gráficos: 9/10
Som: 9/10

Um clima de terror inigualável para a época.

Jogabilidade demasiado lenta em certos pontos, sistema de combate algo confuso

Review 4×4

Review Principal

 

Enemy Zero é um produto da imaginação do já falecido Kenji Eno e o seu estúdio WARP. Foi originalmente anunciado como exclusivo da Playstation, contudo após alguns desentendimentos com a Sony, Kenji Eno acabou por tornar o jogo exclusivo na consola de 32-Bit da Sega. Apanhando tudo e todos de surpresa, essa nova exclusividade foi anunciada num evento da Sony, com o logótipo da consola a ser transformado no logótipo da Sega Saturn. Uma atitude sem precedentes nesta indústria, que mostram o carácter “rebelde” de Kenji Eno. Mas Kenji Eno foi também uma pessoa inovadora e experimentalista na indústria. Este Enemy Zero, apesar das suas falhas, é um óptimo exemplo disso.

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Enemy Zero é um sucessor espiritual de “D”, um outro jogo produzido pela WARP. Em primeiro lugar, pela protagonista ser também uma loira chamada Laura, embora num contexto completamente diferente, mas também por uma parte da sua jogabilidade ser baseada na exploração de salas renderizadas em cutscenes CG com elementos de jogos de aventura, onde há uma grande interacção com itens e objectos. Já no que diz respeito à história do jogo, a mesma vai buscar imensas referências ao filme clássico “Alien – O Oitavo Passageiro”. Enemy Zero decorre em pleno espaço, a bordo de uma enorme nave espacial de nome Aki. Laura Lewis acorda do seu sono numa câmara de criogenia, com o alerta de emergência, em que a nave foi invadida por várias criaturas alienígenas, que aos poucos vão trucidando a pouca tripulação da Aki. Ao contrário do filme, aqui não existe apenas um alien, mas vários e para piorar a situação são invisíveis. Mas as referências aos filmes do Alien não se ficam por aqui, certos clichés como androids, conspirações de armas biológicas e afins estão também aqui presentes.

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Mas é pela jogabilidade peculiar que Enemy Zero é mais conhecido, sendo a mesma distinta em combate e exploração. A parte de exploração, decorre nas diversas salas da nave Aki, sendo as mesmas renderizadas em lentas cutscenes em CG, onde podemos interagir com objectos, coleccionar itens, carregar a arma, salvar o jogo, consultar mapas, falar com os restantes companheiros sobreviventes entre outros. Já a vertente de combate é sem dúvida a parte mais peculiar deste Enemy Zero. Os combates ocorrem apenas nos corredores de Aki, desta vez renderizados em 3D em tempo real, com uma jogabilidade idêntica à de um FPS. Contudo, como os inimigos são invisíveis, a Warp decidiu colocar uma espécie de sonar, que indica de certa forma a posição dos inimigos. Sempre que detecta a presença de um alien, esse aparelho transmite um som. Se o som for grave, quer dizer que o inimigo está atrás de nós. Quanto mais agudo o som for, mais o inimigo fica directamente à nossa frente. Por outro lado, quanto maior for a frequência desses sons, menor é a distância que nos separa. Ora isto utilizado em conjunto com uma arma de munição muito limitada, de fraco alcance e que obriga a um tempo de carga antes de disparar, deixa o jogador constantemente tenso, à espera do melhor timing para disparar. Basta falhar um ou outro disparo para vermos logo um ecrã de game over. Sim, este é daqueles jogos “1-hit kill”. Quando a arma não tem mais munições, é possível recarregá-la, obrigando o jogador a correr para uma sala em que o possa fazer. Quando existe mais que um alien num corredor, então em vez de apenas um som passamos a ouvir vários, o que torna a coisa algo confusa, até porque esse som vem em mono. Por um lado faz sentido, pois Laura utiliza esse sonar num ouvido apenas. Para além do mais, para todo o jogo existe um número limitado de saves que podemos utilizar, sendo esse número diferente mediante o grau de dificuldade escolhido. O grau de dificuldade também varia o número de disparos que podemos dar com a arma antes de a recarregar, a quantidade de inimigos e as pistas mais ou menos detalhadas que as outras personagens nos dão para resolver os puzzles e progredir no jogo.

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Contudo, para auxiliar o jogador existe um modo de treino que podemos experimentar antes de partir para a aventura a sério. Sendo algo semelhante às VR Missions de Metal Gear Solid, as missões de treino são jogadas num ambiente de realidade virtual que nos vão introduzindo as mecânicas de jogo para o combate, com a dificuldade a aumentar gradualmente. Inicialmente dispomos de um mapa auxiliar no canto inferior esquerdo, bem como os inimigos visíveis, coisa que deixa de acontecer nas missões seguintes e naturalmente no jogo.

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O jogo consegue assim, para os padrões de 1996/1997, tornar-se em algo muito original. Com uma jogabilidade em que estamos praticamente indefesos contra criaturas hostis invisíveis, forçando o jogador a ter uma abordagem mais evasiva e com uma maior gestão de recursos e um planeamento cuidado do progresso no jogo, devido ao número limitado de saves e à falta de um mapa acessível em tempo real. É um autêntico jogo de sobrevivência e terror nesse aspecto. Infelizmente possui as suas falhas: O combate foi feito assim propositadamente, mas a exploração em cutscenes CG é bastante lenta, não dando para saltar nenhuma das mesmas. Isto é crítico pois quando morremos (e morremos muitas vezes) o jogo obriga-nos a ver novamente a longa cutscene de introdução, bem como ouvir um resumo da história até então, contado por Laura.

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O jogo possui 4 CDs, a razão para isso é mesmo o elevado número de cutscenes disponíveis. Graficamente é um jogo muito bem conseguido, apesar de não ser muito variado a nível de visuais o que leva a imensos corredores idênticos entre si. Ainda assim, acho que os gráficos em tempo real estão bastante detalhados para um jogo de Saturn. A banda sonora, composta por Michael Nyman, é um grande contraste com a atmosfera de terror do jogo, proporcionando belas melodias de piano e violino, cujas são ouvidas durante as cutscenes. Nos corredores, a única coisa que se ouve são mesmo os nossos passos, o sonar e os eventuais grunhidos dos aliens, o que aumenta a tensão e sensação de solidão que nos acompanha ao longo da aventura. Ainda assim, o Enemy Zero foi um dos muitos jogos exclusivos da Saturn que ganharam um port para Windows, sendo essa versão graficamente superior, com uma maior resolução e mais detalhe.

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Em suma, acho Enemy Zero um jogo bastante original e experimental. Devido à sua elevada dificuldade proporcionada sobretudo por um sistema de combate bastante peculiar, não é um jogo que irá agradar a todos. Possui alguns outros defeitos que poderiam ser corrigidos, como a lentidão em navegar nas salas ou a incapacidade de saltar cutscenes, ou mesmo uma história repleta de clichés, mas não deixa de ser um jogo de culto da Sega Saturn.

 

Visto por: André Santos

 

Este é outro daqueles títulos que ficam para sempre na nossa memória e nem sempre pelos melhores motivos. Enemy Zero sempre me pareceu um jogo que podia e devia ter ido muito mais longe. E apesar de uma jogabilidade bastante harmoniosa, alguns piscar de olhos a sagas como Alien, a verdade é que por vezes as (desnecessárias) caminhadas pelos cenários levavam-nos à exaustão. Vale portanto pelo seu criador, Kenji Eno, e por algumas horas bem passadas! Importante também referir o grafismo de Enemy Zero, que na altura surpreendeu bastante pela positiva pela sua capacidade de inovar. Se se for fã do género, é sem dúvida merecedor da nossa atenção.

Pontuação: 7

 

Visto por: João Santos

 

Este é o jogo que mais me incomodou na Sega Saturn mas também um dos que mais frequentemente volta à minha memória. Para mim Enemy 0 está muito próximo do filme “Alien – O Oitavo Passageiro”. É um jogo com um ambiente incrivelmente tenso e solitário com uma abordagem forte à narrativa (nos segmentos dentro de cada compartimento) e uma abordagem diabólica à sobrevivência nos corredores da nave. Aliens invisíveis + armas que demoram um tempão a disparar carregar = jogo impróprio para cardíacos!

Pontuação: 8

 

Visto por: João Canelo

 

Enemy Zero é um dos jogos mais peculiares da Sega Saturn, misturando elementos de terror e aventura com cenários futuristas. Apostando na furtividade, o jogo coloca-vos em confronto com inimigos invisíveis, apenas detectáveis através de sons agudos, enquanto tentam desvendar a sua origem e o que aconteceu aos tripulantes da vossa nave. Com um ambiente tenso e verdadeiramente assustador, apesar dos seus defeitos a nível gráfico – tendo em conta o poder da consola da SEGA – a criação de Kenji Eno ainda consegue surpreender e colar-vos ao sofá até chegarem ao final.

Pontuação: 7

 

 

Autor: Ivo Leitao Pesquise todos os artigos por

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