FEZ

9
Longevidade: 8/10
Jogabilidade: 9/10
Gráficos: 9/10
Som: 8/10

Uma das mecânicas de jogo mais bem conseguidas dos últimos anos

Controlo da personagem um pouco desajustado em níveis mais complexos

Quando em 2007 Phil Fish (o criador do jogo) anunciou este projecto independente, estaria por certo longe de imaginar a dimensão que este teria e a influência que traria ao mercado de jogos indie. O título que em 2012 saiu para a XBLA e rapidamente se tornou num fenómeno, ainda em tempos de produção, estará agora disponível na Steam e o jogo já muita tinta fez correr, nem sempre pelos melhores motivos. Ainda nos tempos em que Phil estava ainda a dar os primeiros passos da sua carreira, foi apelidado como a rockstar do mercado indie pela sua excêntrica personalidade. Verdade seja dita, nem mesmo os seus fãs parecem por vezes entender as razões por detrás das afirmações que faz.
Amado por uns e odiado por outros, Phil parece conseguir o consenso naquilo que realmente importa, o jogo. FEZ foi uma lufada de ar fresco no que toca a originalidade na altura em que foi apresentado, continuou a destacar-se aquando do lançamento para a Xbox e ao que tudo indica, será um sucesso agora que estará disponível para PC.

O jogo centra-se em Gomez, uma personagem 2D num mundo bidimensional que ao encontrar um artefacto chamado Hexahedron, que lhe fornece um fez (daí o nome do jogo) consegue o poder de entender o mundo a três dimensões. Entusiasmado com esta nova capacidade, Gomez destrói o artefacto em 32 pedaços e começa uma jornada para os encontrar, e reconstruir o Hexahedron para restabelecer o equilíbrio do seu mundo, antes que este desapareça. Com isto, o jogador ganha a capacidade de rodar a perspectiva bidimensional para terceira dimensão, de modo a conseguir resolver os fantásticos puzzles do jogo e encontrar os pedaços do artefacto.

Há quem defenda que o verdadeiro sumo de um jogo está nas mecânicas e mesmo para os que acham que isto é mentira, é quase impossível não reconhecer a genialidade deste jogo logo na primeira vez que utilizamos a sua mecânica. É quase instantânea a reacção de deslumbramento a que nos submetemos de tão bem conseguida e executada que esta está. Mesmo antes da exploração ou dos puzzles, a mecânica em si transporta-nos para a personagem e para o mundo de jogo, abstraindo esta experiência de descoberta ao ponto de nos despertar a vontade de querer fazer e saber mais sem qualquer outro estímulo por parte do jogo.

Na altura em que as primeiras imagens do jogo foram reveladas, o estilo gráfico de FEZ era verdadeiramente original. Hoje, depois da explosão Indie e da adopção do pixel art por parte de tantos e tantos títulos, este jogo pode até confundir-se no gigantesco catálogo da Steam. Apesar disto e da fama do seu criador, FEZ não é nem pode ser visto como apenas mais um neste desfile do jetset indie que se tem vindo a apresentar nos últimos anos nesta loja online. FEZ foi um marco de originalidade gráfica e é impressionante a beleza que um estilo tão simplista nos pode transmitir através do genialmente equilibrado uso de cor. Ao contrário da maior parte dos novos indies, este título teve de lutar por um lugar ao sol e conseguir manter-se no rumo da sua independência, mesmo sob pressão.

Phil Fish pratica aquilo que defende ao não se importar minimamente com os fãs ou com as críticas ao jogo, mostrando que a sua visão continua abstraída das opiniões alheias e verdade seja dita, as suas afirmações mediáticas fazem lembrar verdadeiras estratégias de marketing alternativo. No final de tudo isto, há três absolutas verdades.

A primeira é que Phil Fish é arrogante. A segunda é que FEZ é um jogo genial. E a terceira é que por muita tinta que Fish faça correr, o jogo continuará a ter a mesma importância, originalidade, genialidade e valor. Pode não ser perfeito na sua totalidade mas FEZ é definitivamente um jogo obrigatório para aqueles que reconhecem valor no acto de jogar e a sua deslumbrante mecânica ficará na memoria para as gerações vindouras.

Autor: Diogo Martins Pesquise todos os artigos por

3 Comments on "FEZ"

  1. copycatz 16 June 2013 at 11:46 - Reply

    bom artigo. gostei.

    só ficou a faltar a parte da arrogância do developer. conheço mais ou menos o jogo, vi o filme… mas fiquei à “nora” com o facto de ele ser arrogante.

    não percebi essa. de resto, gostei de ler.

    • Luís Filipe Teixeira 16 June 2013 at 17:23 - Reply

      Pessoalmente, não acho que ficou a faltar a parte arrogância do developer. O público passou a conhecer a personalidade devido ao filme, é verdade. Mas será mesmo necessário estar a apontar isso numa análise a um jogo? Não conhecemos as personalidades de muitos outros developers que até podem ser bem piores do que ele. É a minha opinião.

  2. copycatz 16 June 2013 at 18:44 - Reply

    ya, tb tens razão. a parte da arrogancia pode ser descartada do artigo….

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