FIFA 14

8
Longevidade: 8/10
Jogabilidade: 8/10
Gráficos: 9/10
S: 8/10

Um aprimorar global do jogo, modos de jogo com algumas surpresas e que aumentam consideravelmente a longevidade

Pouca inovação, mais um upgrade ao seu antecessor

Seguindo a máxima da gíria futebolística, “em equipa que ganha não se mexe”, pode pensar-se em FIFA 14 mais como um upgrade do que propriamente uma nova versão. E se esta for a sua forma de ver o universo de FIFA a verdade é que não andará muito longe da realidade. Mas antes disso é importante recuarmos ao início desta história, até porque, já se passaram vinte anos desde o lançamento de FIFA Internacional Soccer, o primeiro título da EA Sports licenciado pela FIFA e que marcou o início de um percurso com muito altos (e igualmente muitos baixos), que no seu conjunto contribuírem para, ao nível dos videojogos, se demarcarem como sendo um dos mais realistas, dentro do género. Quando me refiro a “um dos mais realistas” é lógico que é impossível desmarcarmo-nos do seu rival – PES – com quem acaba por partilhar várias semelhanças. Discutir qual dos dois é melhor, é algo que vai prevalecer enquanto as duas sagas coexistirem.

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Para a versão FIFA 14 temos assim essencialmente um aprofundar de muito de bom que já existia no seu antecessor, mas também a introdução de algumas novidades. Se isto por uma lado, pode ter causado alguma desconfiança em muitos jogadores a verdade é que o volume de vendas de FIFA não costuma desiludir (de todo) e as próximas semanas assim o devem confirmar. Uma das principais diferenças acontece nos menus, que desta feita parecem ter sido propositadamente preparados para se assemelharem ao que nos é apresentado no Windows 8. Genericamente há mais imagem e menos informação textual, além de um melhoramento na interface, que foi completamente reformulada, ganhando uma perspectiva mais interactiva e próxima do jogador. O nível de funcionalidade também foi melhorado significativamente. O mesmo acontece ao nível dos controlos, visto que agora é mais fácil interligar as funcionalidades entre menus e teclas ou botões no caso dos comandos.

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Pessoalmente tenho que confessar que jogar FIFA 14 é actualmente uma experiência bastante próxima do que acontece na realidade. Contudo, há uma certa e evidente estagnação neste desporto que começa a necessitar urgentemente de novos meios e fórmulas de o pôr em prática. Talvez por isso se sinta, desde o primeiro impacto, que o ritmo do jogo mudou e agora as partidas desenrolam-se de forma mais fluida, tudo devido a uma IA mais aprimorada, que originam movimentações mais frequentes e combinações de passe mais assertivas. O mesmo se nota no comportamento global da equipa que se traduz numa uniformização dos comportamentos defensivos e ofensivos, não só do jogador que é controlado por nós, bem como os restantes elementos da equipa. Na prática, há sem dúvida uma enorme satisfação e diversão, constatar que as desmarcações são significativamente melhores e que o comportamento na defesa é igualmente mais eficaz.

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Já o comportamento por parte da equipa de arbitragem manteve-se. Tal não é necessariamente bom principalmente porque além do que daí pode advir, a minha frustração de gamer é tanta que por várias vezes acabo por mandar o pobre do comando ao ar, pondo evidentemente em causa a sua integridade física. E este ano já foram alguns… As faltas surgem mesmo quando não damos qualquer ordem nesse sentido e continuam a existir algumas falhas evidentes no motor físico de colisões, para o qual ainda assim há que reconhecer manifestas melhorias desde a sua introdução, mas que continua ainda longe da perfeição. Porém, os dribles, a forma como jogadores protegem a bola ou até os lançamentos laterais estão bastante mais realistas e para tal há que dar os parabéns aos criadores de FIFA 14 que a pouco e pouco o vão tornando cada vez mais próximo do que é real.

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Ao nível da jogabilidade também existem algumas surpresas. Modos de jogo há-os para todos os gostos, entre “Season”, “Ultimate Team”, “Skill Games” ou partidas online, ainda que aquele que quase de certeza nos vai ocupar mais tempo é “Career”. Apesar de este se apresentar com algumas inovações que me agradaram particularmente, como colocar activamente olheiros à procura de jogadores para determinadas posições ou necessidades do clube, ou até a possibilidade de sermos despedidos (sim é possível) caso os resultados não sejam os pretendidos, por outro lado continuamos a ser obrigados a ler emails que na prática nada acrescentam. Todavia, o modo “Career” de FIFA 14 é, no meu entender, o melhor até agora.

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Tratando-se de um simulador de futebol é igualmente impossível contornar a questão da modelagem dos jogadores. Pessoalmente pouco me interessa se a cara do Cristiano Ronaldo, Messi – seja quem for – estão exactamente iguais às dos próprios, mas esse é um factor importante para muitos jogadores. Evidentemente há um cuidado extremo em tiques, posturas e formas habituais de estar em jogo das grandes estrelas, relegando os restantes para um segundo plano, mas genericamente é visível o trabalho que foi feito entre a versão anterior e esta. Já nos estádios as diferenças são, infelizmente, muito poucas. O licenciamento das equipas é o que o FIFA nos tem habituado, acrescentando também pouco nesta nova entrega.

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Se puderem aconselho jogarem FIFA 14 com um bom sistema sonoro, de preferência de 5.1, pois garanto-vos que a experiência vai valer a pena. Senti-me mais dentro de um estádio de futebol nesta virtualização, do que outras vezes num verdadeiro campo. Se juntarmos a isso um ecrã de dimensões significativas… então meus caros será a cereja no topo do bolo, que juntamente com uns amigos, garante total diversão. É igualmente possível ouvirmos os comentários em Português, a cargo de Hélder Conduto e David Carvalho mas estes sofrem, mais uma vez, do problema da repetição, já para não falar das frases feitas que pouca ou nada acrescentam… mas que bem vistas as coisas, representam muito bem a generalidade dos nossos comentadores de futebol.

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Como será de prever, não será portanto pela componente gráfica que FIFA 14 poderá desiludir. In game temos alguns exemplos muito bons, jogadores, texturas de relvados, ambiência gráfica genérica, mas continuamos também a ter públicos com aspecto de cartolina e pouca definição, além de inaceitáveis e inexplicáveis repetições de cutscenes (substituições, aquecimento, discussões com árbitro, lançamentos, etc.) de forma profundamente exaustiva. Por outro lado, parece que a EA resolveu apostar tudo na nova geração de consolas que se aproxima, e essa falta de “empenho” e não me admirava que desse origem a “alguma” insatisfação por parte dos fãs, que a ser verdade, é mais do que legítima.

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Tendo em conta os valores actuais associados ao título em questão (39,99€ PC; 69,99 PS3, XBOX 360, etc., 49,99 PS VITA) esperava ver mais evolução significativa, que provavelmente estará guardada para um futuro próximo. Contudo, as alterações introduzidas melhoraram significativamente o jogo e por tal até pode valer a pena o investimento. Do que já não há dúvidas, é que FIFA 14 é um excelente jogo, que seguramente vai agradar principalmente aos apreciadores do género.

Autor: Andre Santos Pesquise todos os artigos por

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