Fighters Megamix

9
Longevidade: 9/10
Jogabilidade: 9/10
Gráficos: 8/10
Som: 8/10

Muitas personagens | Movimentos de Virtua Fighter 3 | Muitos extras a desbloquear

Algum mau balanceamento entre VF e FV | Gráficos um pouco piores que os do VF2

Virtua Fighter e Fighting Vipers são sem dúvida dois nomes com muito peso no catálogo de jogos da Sega Saturn em particular, mas também no panorama de videojogos de luta 3D dessa geração no geral. E se a Sega fizesse um crossover com as personagens de ambas as franchises? E se ainda assim misturasse personagens de outros jogos da empresa também? Pois bem, felizmente alguém na Sega teve essa ideia e o resultado foi mesmo este Fighters Megamix.

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Logo no início vemos que existem diversos modos de jogo, o 1P Mode seria análogo ao Arcade mode, no entanto temos vários percursos à escolha. Um onde lutamos apenas contra algumas personagens do Virtua Fighter, outros do Fighting Vipers, outro onde só lutamos contra meninas, outro contra os pesos pesados e por aí fora, incluindo ainda um percurso apenas com personagens especiais. Ao vencer em cada percurso vamos desbloqueando várias personagens iniciais que se vão juntando ao já extenso catálogo inicial de 22 lutadores. Um outro modo de jogo é o Survival Mode, onde temos de derrotar o maior número possível de adversários num dado intervalo de tempo e onde a nossa vida não regenera de round para round. Esse tempo pode variar de 3 até 15 minutos, é um bom desafio! O VS mode é um modo mais livre, que tanto pode ser jogado mais uma vez contra o CPU, ou no bom velho multiplayer local. Um outro modo de jogo que tanto pode ser jogado contra o CPU como contra um amigo é o Team Battle Mode, onde podemos escolher uma equipa de até 8 lutadores e ganha quem derrotar todos os lutadores de uma equipa. Tal como foi feito em Fighting Vipers, as equipas podem ter números de lutadores diferentes, e podemos repetir a escolha de lutadores entre equipas e dentro da nossa própria equipa. Por fim temos o Training Mode, onde inclusivamente poderemos praticar todos os movimentos existentes para cada lutador, e são mais de 1000 (mil) no total.

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Estes modos de jogo acabaram por ser standard em todos os jogos de luta em 3D, mas Fighters Megamix marca mesmo pontos é pelo leque de lutadores extra que podemos desbloquear. Nomes como Siba, lutador de origem árabe que era para ter entrado no primeiro Virtua Fighter, a Janet do Virtua Cop 2, personagens retiradas do Sonic the Fighters (que por sua vez foi um jogo que surgiu precisamente por causa do Fighting Vipers), versões “Kids” de lutadores do Virtua Fighter, o herói do Rent-a-Hero, um RPG japonês da Mega Drive ou outros completamente doidos que só poderiam vir daquelas cabeças. Aliás, quem mais ousaria colocar um carro do Daytona USA num jogo de luta? Ou a palmeira que pertence ao logótipo da AM2? Ou mesmo um naco de carne? Para além de lutadores extra, quanto mais vamos jogando, mais extras vamos poder desbloquear. Desde novos uniformes para outras personagens, imagens (e fanservice!) para a galeria, um mini-jogo bem secreto e opções extra, como o Hyper mode que nos permite fazer combos infinitos. Há muita coisa a descobrir no Fighters Megamix!

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Apesar dessas personagens extra serem completamente over-the-top, elas tanto vão buscar elementos à jogabilidade de Virtua Fighter ou Fighting Vipers. E existem diferenças notórias entre estes dois tipos de jogabilidade, que poderão resultar num mau balanceamento que pode ser aproveitado. Isto porque os lutadores de Fighting Vipers, para além de terem armaduras (cujas podem partir com o dano sofrido, deixando-os mais vulneráveis), possuem alguns golpes muito poderosos. No entanto, as defesas dos lutadores do lado de Virtua Fighter também foram um pouco compensadas para tentar balancear melhor as coisas. E para além disso, esses mesmos lutadores herdaram alguns dos novos golpes introduzidos pelo Virtua Fighter 3, jogo que chegou inclusivamente a estar em desenvolvimento para a consola, mas que apenas saiu numa conversão algo controversa para a Dreamcast.

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As diferenças entre as mecânicas de jogo das duas franchises também ditaram que as arenas de Virtua Fighter deixassem de ter ringues e passassem a ter planos infinitos. Com isso os ring outs passaram a ser algo que pertencia ao passado. No entanto, todos os lutadores deste Fighters Megamix herdaram algo mais do Virtua Fighter 3: a capacidade de fazer side-step, ou seja, movimentarem-se mais livremente num plano tridimensional. Por incrível que pareça, ainda havia poucos jogos de luta em 3D com essa habilidade no mercado. Passando para os audiovisuais, infelizmente no quesito gráfico este jogo deixa um pouco a desejar face ao Virtua Fighter 2. No VF2, o jogo é fluído a 60fps, utiliza a maior resolução possível pela consola (704×512 na versão PAL) e os lutadores apresentam um detalhe poligonal nunca antes visto numa Sega Saturn. E é um jogo lançado bem antes deste Fighters Megamix! No entanto penso que seja compreensível o porquê de a Sega ter optado pela engine de Fighting Vipers no desenvolvimento deste jogo, precisamente devido às arenas “enjauladas” de FV. Ainda assim, nem tudo é assim tão mau graficamente, o jogo ainda é bem competente e possui uns backgrounds bem detalhados.

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As músicas lá vão sendo uma mistura das faixas mais ecléticas de Virtua Fighter e o hard rock de Fighting Vipers, com alguns remixes e músicas novas à mistura para as novas personagens. Não tenho absolutamente nada a apontar neste aspecto, para quem viveu estes jogos com o feeling arcade que a Sega debitou durante a década de 90, sentir-se-á em casa ao ouvir as músicas deste Fighters Megamix. Tenho saudades da Sega destes tempos! Os efeitos sonoros no geral também estão bem competentes.

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No fim de contas, enquanto que os jogadores mais hardcore poderão ter queixas no balanceamento entre os lutadores de uma franchise perante a outra, para mim o Fighters Megamix não deixa de ser uma excelente entrada no catálogo da Sega Saturn, indispensável a qualquer fã de jogos deste género. Para mim vale muito mais pela nostalgia e pela carta de amor que a Sega escreveu aos seus fãs na forma deste jogo.

Autor: Ivo Leitao Pesquise todos os artigos por

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