Final Fantasy X-2

9
Longevidade: 10/10
Jogabilidade: 9/10
Gráficos: 9/10
Som: 8/10

Conteúdo massivo por explorar e inúmeros extras; Ambiente leve combinado com uma jogabilidade viciante

A reputação de ser um jogo demasiado feminino para um título Final Fantasy

Extasiados pelo sucesso de Final Fantasy X, a então recém-criada empresa decidiu que estava na altura de experimentar algo arrojado: lançar a sua sequela na Playstation 2, aproveitando todos os excelentes recursos e capacidades de que a segunda consola da Sony dispunha. No início do novo milénio, Final Fantasy X-2 pode certamente orgulhar-se de vários feitos inéditos: foi a primeira sequela directa de um jogo da série e também um dos títulos pioneiros na introdução do girl power nos videojogos da nova geração. Este último factor contudo não agradou aos fãs mais acérrimos da série.

Após os eventos finais de Final Fantasy X, em que a paz é finalmente restaurada no mundo de Spira, no elenco de Final Fantasy X-2 figuram Yuna, com uma personalidade bem mais rebelde e solta, a já conhecida e irreverente Rikku e Paine, uma nova personagem introduzida na série. As três raparigas denominam-se de Gullwings e o seu principal objectivo é conseguirem caçar o maior número de spheres (esferas valiosas com imagens incorporadas), a bordo da renovada nave Celsius. No entanto, nem tudo é calmo em Final Fantasy X-2. Ao visualizar uma sphere recentemente capturada, Yuna fica com a sensação que vê o regressado Tidus e decide que o seu principal objectivo é encontrá-lo. Mas será que é de facto o herói anterior ou será uma nova ameaça?

Na altura do seu lançamento, Final Fantasy X-2 foi bastante criticado pelo seu ambiente demasiado feminino e leve. Apenas alguns fãs mais pacientes da série conseguiram analisar este título com discernimento suficiente para se aperceberem de que afinal se trava de um excelente jogo.

A navegação em Final Fantasy X-2 é feita livremente pelos locais já visitados em Final Fantasy X. No entanto, tal como acontecia ao controlarmos Tidus, não é possível navegarmos a nave. A escolha dos locais é feita através de um mapa e ao escolhermos uma localização somos automaticamente transportados para o ponto de embarque. Acabar por ser muito interessante visitar todos aqueles templos sagrados e verificarmos que agora estão abertos ao público como locais turísticos. Em cada cidade existem imensas sidequests por realizar, sendo este um dos pontos mais fortes do jogo. Se em Final Fantasy X existia “apenas” o Blitzball e a caça às armas especiais, Yuna e companhia têm agora dezenas de mini-jogos por completar em cada cidade. Perante todo este conteúdo, a história avança de uma forma simples e por vezes dá a ideia de que é apenas um pormenor secundário e o jogador acaba viciado nos mini-jogos e em todos os extras que há para fazer.

Se existe algum aspecto do jogo que os fãs da série devem experimentar antes de criticar é o fantástico sistema de customização das personagens. Está de volta o famoso job system – sistema de classes que consagrou os primeiros jogos da série Final Fantasy. Yuna começa como Gunner, Rikku como Thief e Paine como Warrior, lembrando o velho Auron. Ao longo do jogo é possível alterar as classes das raparigas, evoluir e ganhar novas habilidades. Existem várias classes diferentes à escolha, como White e Black Mage, Alchemist, Samurai, Dark Knight, entre outras desbloqueáveis. O sistema de batalha foi ligeiramente alterado com o regresso do ATB (Active Time Battle), onde os inimigos já não esperam pelos nossos movimentos para atacarem e nos obriga a estarmos constantemente atentos à batalha.

O grafismo mantém-se na linha de Final Fantasy X, onde já era difícil melhorar a sua incrível qualidade. Os pormenores nos cenários são deslumbrantes e em cada local visitado por Yuna sente-se de imediato a nostalgia do seu antecessor e das aventuras que passámos a controlar Tidus. Não estranhem aqueles que acharem a banda sonora algo diferente, existe uma explicação. O senhor Hironobu Sakaguchi não foi o compositor da banda sonora de Final Fantasy X-2. No entanto, o trabalho continuado pela dupla Matsueda/Eguchi não fica nada aquém do ambiente sonoro implementado anteriormente na série. Enquanto exploramos os cenários e realizamos as sidequests, damos por nós a dançar ao som das agradáveis músicas de fundo. Aquela “obscuridade” no ambiente que rodeava algumas dungeons de outros jogos da série não é tão evidente e o ambiente é bem mais leve e colorido.

É impossível estar parado em Final Fantasy X-2. Como já referi, existem dezenas de sidequests para fazer em cada cidade, nas quais é possível obter itens raros, armas, equipamento e dresspheres com novas classes para as personagens. Por muito que queiramos completar tudo de uma só vez, somos quase obrigados a reiniciar o jogo após o final. Além de existirem vários finais com desfechos diferentes, dependendo da percentagem de sidequests feitas com sucesso e da ordem das mesmas, existem armas e classes que apenas são desbloqueáveis quando regressamos ao mundo de Spira através do modo New Game +.

Final Fantasy X-2 é uma excelente adição à série e é justo dizer que foi uma sequela muito bem conseguida pela Square-Enix. A alegria das duas personagens (Paine é anti-social, não contem com ela para grandes animações) é contagiante, a história é simples de seguir sem nunca perdermos o fio à meada e o ambiente pelo mundo de Spira é fantástico.

Autor: Marco Cruz Pesquise todos os artigos por

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