Fire Emblem Awakening

10
Longevidade: 10/10
Jogabilidade: 10/10
Gráficos: 10/10
Som: 9/10

Forte ligação entre os personagens influencia o modo de luta, história rica

Nada em particular

A série Fire Emblem é conhecida por ter um nível de dificuldade bem acima da média e, apesar de ser muito bem cotada a nível de criticas, não chegou a ter um maior número de adeptos por isso mesmo. Um dos motivos para tal é o facto de, se um dos nossos companheiros morrer numa batalha, este permanece morto para sempre. Felizmente tal já não é o caso no novo capítulo da série, Fire Emblem Awakening. Melhor ainda, podemos optar no início do jogo por activar ou desactivar essa característica. Inicialmente temos os modos “normal”, “hard” e “lunatic” à nossa disposição e mais tarde o “lunatic plus”. Estas opções tanto podem satisfazer os mais experientes na saga, como serve de convite a novos jogadores.

A mecânica de Fire Emblem Awakening é simples de explicar, mas complexa na sua execução. Cabe-nos, à boa maneira dos Strategy-RPG, estudar o mapa, escolher os personagens a levar o seu equipamento e posicioná-los no local que achamos mais adequado para combatermos os inimigos. Isso leva-nos a centenas de outros factores a ter em conta. Valerá a pena levar certo personagem sozinho para o campo ou será melhor colocá-lo ao lado do companheiro para dessa forma combaterem juntos? Valerá a pena atacar à primeira e à bruta ou será melhor esperar que o inimigo avance para depois atacarmos todos em conjunto? Cada combate é uma aventura, um verdadeiro acontecimento e apesar de existirem lutas que podem demorar uma eternidade, não sentimos que estamos a perder tempo e isso deve-se não só ao factor viciante do modo em si, mas à fantástica relação que acabamos por ganhar com os personagens. O tom cómico dos diálogos e a forma como cada um luta distingue-se de tal forma que facilmente simpatizamos com cada um deles. Ao lutarmos com o Frederick, sabemos quais são os tiques que o vão acompanhar, ao lutarmos com a Miriel, sabemos com que forma calma ela vai executar os golpes. A fraca auto-estima de Kellam e o narcisismo de Virion,… De facto, todos os personagens têm um carácter próprio, criando aquele sentimento que todos eles são importantes. Chegamos mesmo a sentir tristeza se um deles morrer porque nos afeiçoámos entretanto à sua presença e personalidade característica. Isso leva-nos a ter mais cuidado nas tácticas usadas durante as batalhas. Nunca senti que estava a lutar só por lutar. Fire Emblem Awakening funciona à base das relações entre os personagens e, se soubermos ter isso em conta, então sairemos vitoriosos não apenas nas lutas, mas obteremos uma história ainda mais rica em conteúdo. Essa para mim é a melhor característica do jogo. Por exemplo, nas partes em que não estamos a lutar, podemos colocar dois personagens à nossa escolha a dar dois papos de conversa. Com isso não só descobrimos mais sobre eles (fazendo com que sejamos nós a ditar o rumo da história), como fortalecemos o grau de relacionamento entre esses dois (sendo mesmo possível criar casamentos e filhos no meio disso tudo e esses filhos herdarem as skills dos pais). Isso vai influenciar as lutas em si. Quanto mais forte forem os laços entre duas personagens do grupo, melhor será o seu combate lado-a-lado e maior a probabilidade de sairmos vitoriosos. O combate lado-a-lado é uma das novidades deste jogo que nos vai facilitar (ou até mesmo possibilitar) as vitórias.

A mecânica de cada combate vai um pouco ao encontro das regras do jogo da pedra, papel e tesoura. Sendo que uma espada tem vantagem sobre um machado, um machado tem vantagem sobre uma lança e uma lança consegue eliminar mais facilmente os que possuem uma espada. É óbvio que também aqui temos de ter outros factores em conta como os ataques especiais, a magia, etc.

Como dito, as batalhas são ricas em conteúdo, puxando pela nossa capacidade estratégica; cada personagem tem uma personalidade muito distinta e memorável; as relações entre os personagens influenciam tanto a história do jogo como as lutas em si… Todas estas ligações enriquecem o jogo de tal forma que é impossível não sentirmos o esforço colocado no desenvolvimento. E é aqui que tenho de falar na parte visual de Fire Emblem Awakening. As cutscenes são fantásticas e são acompanhadas por um visual incrivelmente belo. Cada árvore, casa, rio, torre, montanha presente nas cutscenes estará também presente no mapa durante as batalhas, ajudando o jogador a imergir nesse mundo.

O 3D roça a perfeição, estando a par de jogos como Resident Evil: Revelations e Luigi’s Mansion 2. A própria acção das cenas dá-nos a sensação de estarmos a ver um filme. Seja um encontro conflituoso entre os personagens, sejam os diálogos ricos em filosofia. Por exemplo, existe uma cena em que os nossos protagonistas são obrigados a acender uma fogueira e comer carne de urso para sobreviver, por ter sido o único animal que encontraram. Quando um dos membros recusa participar em tal “monstruosidade”, é-lhe respondido com um “cada experiência torna-nos mais fortes, mesmo as que não achamos agradáveis”. Existem momentos que me conseguiram arrancar uma gargalhada e existem momentos que me apanharam de surpresa de tão macabros que são.

Fire Emblem Awakening é enorme. Para além dos capítulos principais, existem as side-missions que vão aparecendo um pouco por todo o lado do planeta, comendo dezenas e dezenas de horas do nosso tempo. Como que se isso não bastasse, este jogo vai poder contar com vários DLC.

Colocando isto de uma forma simples: Fire Emblem Awakening é tão bom que até quem não gosta muito do género não vai conseguir parar de o jogar. Não existe qualquer dúvida que vai ficar para a história como um dos melhores jogos de uma consola.

Autor: Luis Teixeira Pesquise todos os artigos por

Deixe aqui o seu comentário