Fire Emblem The Sacred Stones

Uma série indispensável para fãs de RPGs estratégicos

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Há uns valentes anos atrás, estava eu todo contente a jogar Shining Force para a Mega Drive e achar simplesmente genial a ideia de misturar os conceitos de RPG com os de estratégia por turnos. Longe estava eu de saber que já antes do primeiro Shining Force ter visto a luz do dia, outras séries como Langrisser ou no caso da Nintendo, Fire Emblem, já faziam as delícias de muitos amantes do género, principalmente nas terras de Sol Nascente. Já com dois jogos lançados para a Famicom, três para a Super Famicom (o último deles a sair já no ano de 2000) e um outro na Gameboy Advance, foi apenas com o sétimo da saga que a Nintendo decidiu finalmente localizar a série e trazê-la para o ocidente, simplesmente com o nome de Fire Emblem. Felizmente que desde essa altura foram muito poucos os jogos da série que falharam o seu lançamento no ocidente e este The Sacred Stones não foi uma excepção.

Fire Emblem The Sacred Stones (1)

Todos os Fire Emblem se passam na idade média num mundo fantasioso, alguns são sequelas directas uns dos outros, outros passam-se em regiões e tempos diferentes, mas este The Sacred Stones é o único jogo da série que não tem quaisquer ligações com os outros títulos da já extensa saga. O mesmo decorre no continente de Magvel, onde há muitos anos atrás foi invadido pelas forças do Mal e para as derrotarem, foram criadas as chamadas 5 Sacred Stones, que ajudaram a repelir as criaturas do inferno. A região foi depois dividida em vários países que coexistiam pacificamente, com cada um a guardar uma Sacred Stone para evitar que acontecesse a mesma calamidade de séculos atrás. Tudo estava bem até que um dia o Império de Grado decide invadir a nação vizinha de Renais, a mesma que alberga as nossas personagens principais, os príncipes Ephraim e sua irmã Eirika. Tomados de surpresa, rapidamente as forças de Grado tomam conta de Renais e vamos passar o resto do jogo a combatê-las, angariando muitos aliados pelo caminho. Inicialmente jogamos apenas com Eirika, mas iremos ter oportunidades de jogar com o grupo de Ephraim e vice-versa.

Fire Emblem The Sacred Stones (3)

A jogabilidade no seu núcleo é a tradicional de um RPG estratégico, ou seja, o mesmo está dividido por turnos onde podemos controlar as nossas unidades, depois o inimigo controla as dele e por aí fora, existindo também algumas batalhas onde poderemos ter um terceiro turno de outras forças neutras que possam aparecer. Com cada confronto ou utilização de magias, as nossas unidades envolvidas vão sempre ganhar alguns pontos de experiência, com os quais poderão subir de nível e tornarem-se mais fortes. Como é tradição na série, podemos também “evoluir” as nossas unidades ao subirem de classe, onde ganharão outras aptidões e podem-se tornar ainda mais fortes. Contudo o Fire Emblem sempre teve as suas nuances e este não foge à regra. Em primeiro lugar, todas as armas têm uma utilização limitada e podem partir, pelo que ter sempre algumas armas de reserva em cada unidade é uma boa ideia. Em especial nos guerreiros que possam envergar armas de combate próximo como espadas ou machados, mas também outras de maior alcance como lanças ou arco e flecha.

Fire Emblem The Sacred Stones (5)

A outra grande nuance de Fire Emblem é a morte permanente das nossas personagens. Afeiçoaram-se muito àquele cavaleiro que até conseguia limpar o sebo a muitos soldados inimigos? Pois, se não tiverem cuidado e ele morrer em batalha, então morreu mesmo. A única hipótese é mesmo fazer load do save anterior e tentar novamente. Isto faz sempre com que tentemos ser o mais cuidadosos possível e as batalhas por si só já são bem longas, principalmente nos capítulos mais avançados da história. Uma outra característica interessante é a de podermos eventualmente recrutar unidades inimigas para o nosso lado, bastando para isso colocá-la lado a lado com a personagem certa do nosso lado e iniciar um diálogo. Mas isso é outra das coisas que podem-nos passar completamente despercebidas e podemos matar alguém por engano que no futuro até nos poderia ser bastante útil. Ainda nos diálogos nas batalhas podemos também colocar algumas personagens a terem “Support chats” entre si, estreitando assim as suas relações e podendo até se casar no final do jogo. Isto se conseguirmos fazer com que sobrevivam até lá, claro.

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Mas existem muitas outras coisas que podemos fazer no campo de batalha e não só, como visitar aldeias para falar com os seus habitantes e ganhar aliados ou itens, trocar de itens entre personagens adjacentes entre si, transportar personagens de um lado para o outro, visitar lojas para comprar armas ou outros itens gerais, ou mesmo participar em combates extra como em coliseus ou torres repletas de monstros. Estes últimos são óptimos para ganhar experiência adicional e no caso dos coliseus, também uns bons trocados. Como podem ver há muita coisa a fazer, incluindo combater contra amigos através de um cabo de ligação entre duas Gameboy Advance, no modo de jogo Link Arena.

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Graficamente é um jogo que utiliza o mesmo motor gráfico dos Fire Emblem anteriormente lançados para a GBA, resultando em visuais coloridos e com as personagens a terem um estilo anime que sinceramente me agradam. As músicas são também agradáveis ao ouvido, embora não sejam propriamente memoráveis. A única coisa que não gostei muito é o facto de os diálogos entre batalhas serem muitas vezes demasiado longos o que, aliando ao facto das batalhas por si só já serem demoradas, reduzem ainda mais a portabilidade deste título.

Fire Emblem The Sacred Stones (2)

No fim de contas, e apesar deste Fire Emblem não adicionar muitas coisas novas à fórmula comparativamente a outras iterações desta saga, não deixa de ser mais um capítulo bem sólido, que irá certamente agradar a todos os fãs de RPGs estratégicos. E tendo em conta que o jogo está disponível na Nintendo eShop, não serão apenas os colecionadores retro que lhe poderão por as mãos.

up
 Veredicto                                                        
Mais uma vez a Intelligent Systems a apresentar um jogo desafiante e bastante divertido para qualquer fã de SRPG´s.
 Plataforma        
 GBA
 Produtora         
 Nintendo
Autor: Ivo Leitao Pesquise todos os artigos por

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