Freedom Wars

Um milhão de anos passa depressa

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É com alguma alegria que vejo outro título first-party para a PS Vita. Pelo menos a própria Sony ainda não desistiu deste excelente e subestimado sistema. Freedom Wars chega-nos pela mão da Japan Studio, um dos estúdios japoneses da Sony. Este RPG de acção é bastante diferente do normal, embora bata todos os recordes de clichés em termos de design japonês. O jogo passa-se num futuro muito distante, onde a maior parte dos humanos vive aprisionado em cidades que são prisões gigantes chamadas de Panopticons. Temos sob nosso controlo um recluso que cometeu o maior crime possível, amnésia. Este é o mais grave dos crimes porque segundo o sistema político (seja ele qual for) o nosso personagem é um ingrato por não se lembrar de tudo aquilo que o seu estado fez por ele. A nossa pena de prisão? 1.000.000 de anos, coisa pouca, passa rápido.

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O objectivo do jogo é diminuirmos a nossa pena e para isso fazemos missões para o estado. O mundo encontra-se em permanente guerra entre Panopticons devido à falta de recursos existentes e os reclusos são os soldados deste conflito, ou a carne para canhão se preferirem. Facilmente se percebe porque raio está toda a gente presa, as regras destes pseudo-governos são super rígidas e exigentes. Para os reclusos então nem se fala. Ao início, por sermos ainda um preso principiante não podemos sequer deitarmo-nos, sair da cela ou ter contacto com outros seres humanos. Só ao subirmos na “carreira” é que vamos ganhando certas mordomias como por exemplo a possibilidade de correr. O cumprimento de missões a favor do nosso estado funcionam em prol de termos mais mordomias e estarmos cada vez mais perto de sermos livres, e é exactamente esse o objectivo do jogo, tal como o nome Freedom Wars indica.

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O jogo é longo, típico dos RPGs deste género e o grinding é inevitável. Felizmente a história mantém-se sempre interessante e incentiva o jogador a continuar. As missões são combates contra outras facções e normalmente consistem em resgatar humanos ou eliminar forças oponentes. Forças essas que podem ser controladas pela inteligência artificial ou mesmo por outros jogadores. É aqui que entra o excelente aspecto multiplayer onde jogadores de outros Panopticons passam a ser o nosso inimigo. No total existem 50 Panopticons aos quais podemos jurar lealdade e estes representam cidades do mundo real. Alegrem-se, Lisboa está presente! Como tal o jogo foi feito a pensar no multiplayer e ele é parte integral da experiência. Ainda assim é possível desfrutar do jogo apenas pela campanha a solo, que não deixa de maneira nenhuma de ser interessante. A acção nos combates desenrola-se na terceira pessoa e é uma espécie de fusão entre o combate corpo a corpo de Monster Hunter e o combate à distância de Lost Planet.

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O combate é fluido e variado, com imensos movimentos e estratégias disponíveis e imensas armas e inimigos diferentes. Estas missões e a redução da nossa pena é apenas a ponta do iceberg. Freedom Wars é muito mais complexo do que isso. Não vos quero aborrecer mas podem contar com um complexo sistema de crafting, várias coisas para gerir como recursos, a vossa pena, doações, relações, subida de rank, etc. Existe tanta coisa para fazer fora das missões que facilmente o utilizador se vai sentir perdido no meio de tantas opções e funcionalidades, que, infelizmente, não contam com um tutorial propriamente intuitivo. Não é só a gerir mil e uma coisas que o jogador perde a cabeça, nos combates também. Não que sejam maus, muito pelo contrário, mas por vezes os picos de dificuldade são tão acentuados que chegam a ser demasiado frustrantes. Posto isto, pode afirmar-se que o nível de dificuldade e curva de aprendizagem de Freedom Wars é totalmente Level Asian. Algo que me incomodou ao longo do jogo todo foi a banda sonora.

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É incrível como esta consegue estar praticamente sempre totalmente fora de contexto. Desde funk a hard-rock, nenhuma das faixas desta banda sonora faz sentido no estilo de ambiente futurista e algo apocalíptico do jogo. Algo mais virado para a electrónica faria, na minha opinião, muito mais sentido, isso ou algo mais ao estilo daquilo que a série Shin Megami costuma fazer. Os gráficos são uma ambiguidade, os personagens e a definição são soberbos mas os cenários são deslavados e com texturas muito fracas. O design carece bastante de uma identidade, parecendo super genérico e preguiçoso. Os ambientes são repetitivos e os personagens têm os clichés todos, cabelos espetados às cores, fatos estranhos, headphones na cabeça… Enfim, visualmente é simplesmente desinteressante.

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Este é um título que me deixa dividido, adoro o combate e todos os micro-sistemas de gestão, mas, em termos de design, gráficos e som é comum, desinteressante e superficial. Para além disso, não é um jogo fácil de recomendar. É difícil de aprender, muito mais desafiante do que o normal hoje em dia (não que eu ache isso negativo, mas provavelmente é demasiado exigente para o publico geral) e uma apresentação genérica. No entanto, se isso não vos preocupa, esta é uma das melhores, mais complexas e mais duradouras experiências que podem ter na PS Vita. É exactamente por eu ser uma dessas pessoas que ainda assim leva o voto positivo, mas, aconselho cautela com a compra.

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 Veredicto                                                        
“O que conta é a beleza interior” é o que melhor descreve este jogo. As mecânicas excelentes sofrem com a sombra de uma má direcção de arte.
 Plataforma        
 PS Vita
 Produtora         
 Japan Studio (Sony)
Autor: Ivan Cordeiro Pesquise todos os artigos por

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