Gemini Rue

8
Longevidade: 8/10
Jogabilidade: 7/10
Gráficos: 9/10
Som: 8/10

Excelente história, bom voice acting em algumas personagens

A interface do jogo podia ser melhor, e a voz do Delta-Six também

Já há algum tempo que não escrevia sobre um jogo indie e tendo terminado muito recentemente este Gemini Rue, pareceu-me ser uma óptima oportunidade, até porque este tem algumas peculiaridades interessantes. Publicado pela Wadget Eye Games, os mesmos por detrás da série Blackwell (outros excelentes jogos de aventura), Gemini Rue é mais um título de aventura point and click à moda antiga, desenvolvido utilizando a engine open-source Adventure Game Studio, o que lhe dá também aquele look retro.

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A aventura decorre num futuro algo obscuro, em pleno século XXIII, no sistema solar de Gemini, que após uma guerra que decorreu 10 anos antes, tornou-se independente. O problema é que com isso, o sistema solar acabou por ser controlado pelo grupo mafioso dos Boryokudan, cujo seu maior negócio era o tráfico de uma droga chamada “the juice”. E no meio desse futuro à lá Blade Runner, nós controlamos Azriel Odin, outrora um assassino mas agora ao serviço das forças da lei da galáxia, que se infiltra no planeta de Barracus, controlado pelos Boryokudan, de forma a encontrar o paradeiro do seu irmão perdido. Paralelamente também controlamos Delta-Six, ou Charlie, um paciente-prisioneiro de uma estação espacial misteriosa chamada Center 7, que reabilita antigos criminosos por métodos de legalidade duvidosa; As suas memórias são inteiramente apagadas e depois eles são “treinados” a adaptarem-se novamente na sociedade. O estranho é que Charlie está a receber treino especializado para armas. E é nesse futuro “noir” que a aventura de Gemini Rue se desenrola e se gostaram de Blade Runner e os seus twists, este jogo também vos irá surpreender.

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A jogabilidade no geral é semelhante de muitos outros jogos de aventura point and click, no entanto, possui algumas peculiaridades interessantes. E com isto podem contar com os esquemas habituais de falar com toda a gente, procurar itens e usar ambos para resolver puzzles de forma a avançar com a história. Com isso, temos as opções de observar, interagir, falar ou dar um pontapé, à boa maneira de um Full Throttle. O problema que tenho com isto, é que na minha opinião poderiam ter utilizado o interface de uma maneira melhor. Por exemplo, clicar com o botão esquerdo do rato em alguém ou alguma coisa, daria para interagir, com o botão direito do rato daria para observar, ou falar. Este é um esquema utilizado muitas vezes em jogos do género e acho que resulta melhor. Aqui teremos sempre de apontar o rato para o objecto ou pessoa em questão e com o botão direito selecionar a acção pretendida, ou um objecto no inventário. Ao fazer um duplo clique num objecto/pessoa ele associa automaticamente ao último tipo de acção que fizemos, o que melhora um pouco, mas nem tanto.

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Mas o que Gemini Rue tem de diferente na jogabilidade são principalmente 2 coisas: a interactividade com aparelhos tecnológicos e os tiroteios. Na primeira categoria, Azriel possui sempre com ele um telemóvel, onde podemos consultar os “objectivos actuais”, nomes importantes e telefonar para alguns contactos. Em alguns pontos das ruas de Barracus ou dentro de casas temos também vários terminais que podemos aceder. E aqui, para além de consultar um mapa das redondezas, podemos pesquisar palavras chave por notícias ou pessoas para que possamos recolher novas pistas. Os tiroteios já são algo inteiramente diferente e parecem algo despropositados num point and click. Invariavelmente, sempre que houver uma cena de tiroteios o jogo faz um autosave anteriormente e a nossa personagem, seja Azriel ou Delta-Six, colocam-se em cover. Depois, com várias teclas podemos sair da cover em diferentes direcções, mudar o alvo, concentrar (para tentarmos um headshot), disparar e recarregar. No fundo acaba por ser apenas uma questão de timing, de forma a que consigamos disparar quando os inimigos saem da sua cobertura e uns momentos antes de nos dispararem em cima. Por outro lado, já me parece algo despropositado para um jogo deste género. Mas há que tentar inovar em títulos cuja fórmula principal não varia quase nada, por isso compreendo perfeitamente o porquê desses segmentos existirem.

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Graficamente é um jogo com um look retro, mesmo a fazer lembrar os grandes clássicos da Sierra ou LucasArts. Adorei a arte e todo o conceito visual do jogo e parece-me mesmo feito a pensar nos fãs de Blade Runner, até pela sua história cativante. No entanto, os bonecos são bastante pequenos, e com isso os objectos necessários à resolução de puzzles também podem ocupar poucos pixels e por essa razão nos passarem algo despercebidos. O voice acting tem os seus altos e baixos, mas no geral é bem consistente, já a banda sonora é perfeitamente adequada ao jogo: tanto temos faixas numa toada jazz que vão perfeitamente de encontro ao clima noir, como músicas mais épicas para os momentos de maior tensão.

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De resto, Gemini Rue possui vários extras como achievements internos ou segredos a descobrir, desde itens colecionáveis, até aparições de personagens do anime Cowboy Bebop, que por acaso até consigo encontrar algumas semelhanças com a temática deste jogo. Gemini Rue é um bom jogo de aventura point and click, e o seu maior trunfo é precisamente aquilo que, na minha opinião, faz um título deste género valer a pena: a sua história. É um bom jogo que não destoa nada do catálogo da Wadjet Eye.

Autor: Pushstart Pesquise todos os artigos por

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