Golden Sun The Lost Age

Novamente em Weyard, agora visto pelo verso da moeda

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Quando vi pela primeira vez o primeiro Golden Sun em acção fiquei verdadeiramente impressionado com a qualidade gráfica, em especial nas batalhas e os golpes especiais todos pomposos e brilhantes que mostravam que a Gameboy Advance tinha alguns truques na manga. Mas mais que isso, fiquei super entusiasmado pelo jogo e pelo mesmo ser um produto da Camelot, que para os mais desatentos é composta pelo núcleo que desenvolveu os jogos Shining para as consolas da Sega, até aos épicos Shining Force III na Sega Saturn. Aliás, para quem se familiarizou com esses títulos vai reconhecer de imediato a interface utilizada nos menus nos Golden Sun. Mas adiante!

Golden Sun the Lost Age (1)

Para quem não jogou o primeiro, resumidamente o mundo de Weyard era outrora provido do enorme poder da Alquimia, que permitiu o nascimento de grandes civilizações e o uso de magia era abundante. No entanto, demasiado poder nas mãos erradas dá asneira e foi o que eventualmente aconteceu, com o poder da Alquimia a ser selado. Muitos anos depois certas pessoas de carácter duvidoso tentam restabelecer esse mesmo poder ao mundo, gerando uma vez mais alguns conflitos e é aí que ambos os jogos decorrem. Os heróis são “Adepts”, jovens que conseguiram manter uma sensibilidade ao poder da Alquimia mesmo este estando selado durante todo este tempo, ganhando assim vários poderes mágicos que nos irão auxiliar em ambas as aventuras.

Golden Sun the Lost Age (2)

O primeiro Golden Sun foi excelente. Golden Sun II também o foi, mas não contem com grandes novidades. Aliás, pensem nestes dois jogos como uma espécie de Sonic 3 & Knuckles da Mega Drive, só faltam os cartuchos encaixarem um no outro. Enquanto no primeiro jogo jogávamos com Isaac e os seus amigos, na sua luta para prevenir que a Alquimia fosse uma vez mais libertada e levasse o mundo a uma nova catástrofe há muito profetizada, aqui neste Golden Sun é com Felix, rival de Isaac, e os seus companheiros que têm o papel principal. Os objectivos de Felix são precisamente os contrários aos de Isaac: a libertação da Alquimia no mundo, mas os seus motivos são nobres, ao contrário de outros vilões que cá vão aparecendo. Para mais uma analogia, pensem na relação de Naruto e Sasuke, é mais ou menos a mesma coisa.

Golden Sun the Lost Age (2)

A jogabilidade é a de um JRPG tradicional, no entanto possui algumas nuances. Se por um lado possuímos as batalhas aleatórias e por turnos da praxe, por outro lado há uma forte componente de puzzle e exploração nas várias dungeons que vamos ser obrigados a atravessar. Aqui os poderes mágicos de cada um não só servem para serem complementados aos ataques físicos que podemos desferir em batalha, mas podem também ser usados fora das mesmas, para alcançar zonas que de outra forma seriam inacessíveis. Vêm umas certas plantas no chão? Basta aplicar uma certa magia que as mesmas crescem, permitindo-nos escalar paredes. Uma poça de água? Toca a aplicar uma magia de gelo para dessa poça se edificar um pequeno cilindro gelado que nos vai permitir atravessar um pequeno obstáculo. Existem vários exemplos desses e essa é logo para mim a característica que mais demarca estes Golden Sun dos demais.

Golden Sun the Lost Age (4)

Mas também temos o uso dos Djinns e Summons. Os primeiros são pequenas criaturas mágicas elementais (vocês sabem, água, fogo, terra, ar) que podemos ir encontrando ao longo do jogo e atribuí-las aos membros da nossa equipa. Se ficarem no estado “set”, eles vão alterando os nossos atributos e as magias que podemos ou não utilizar. Se usados em batalha passam directamente para o estado standby, não mais influenciando os aspectos acima referidos. Mas qual a vantagem de o fazer? Bom, basicamente poderemos também usar em batalha os poderosos Summons, mediante os diferentes Djinn que estejam disponíveis. Esses Summons tanto podem ser de ataque como de suporte, mas depois de utilizados, os Djinn em questão passam para o estado “Recovering” durante alguns turnos, impedindo de voltarem ao estado set ou standby para nova utilização em Summons. Portanto isto é algo que deve ser bem planeado, em especial naqueles bosses mais exigentes.

Golden Sun the Lost Age (6)

No que diz respeito aos audiovisuais, este era um jogo fora de série. Os cenários são lindíssimos, fazendo-me lembrar por vezes os de Legend of Mana da primeira Playstation, tal é o seu detalhe. Mas é nas batalhas onde as coisas ficam ainda bem mais bonitas, com esta obra a mostrar bem o que a Gameboy Advance era capaz. A câmara vai alternando dinamicamente com o decorrer da batalha e é interessante ver os efeitos de rotação das sprites com esse movimento. Os golpes especiais estão repletos de bonitos efeitos gráficos no ecrã, em particular os Summons que geralmente invocam uma sprite enorme que ocupa uma boa parte da tela e deixa tudo shiny por uns momentos tal é a quantidade de efeitos especiais. As músicas são excelentes, com a Gameboy Advance a ter uma qualidade de áudio algo parecida com a SNES. Esperem por temas épicos e repletos de orquestrações, que dentro das limitações da plataforma, cumprem muito bem o seu papel.

Golden Sun the Lost Age (3)

Em suma, este Golden Sun The Lost Age é mais um RPG obrigatório para a biblioteca da pequena portátil da Nintendo e que me deixam com uma enorme pena em ter visto os recursos da Camelot a serem gastos durante muito tempo com jogos como Mario Tennis ou Golf, quando poderiam perfeitamente ter desenvolvido um RPG verdadeiramente épico para a Gamecube ou Wii. Isto porque me recordo perfeitamente ter ficado estupefacto com o final que teve e as possibilidades que daí poderiam surgir. Eventualmente lá recebemos uma sequela para a Nintendo DS que acabou por se tornar em mais um bom RPG, mas o apelo de ter jogado um Golden Sun numa consola caseira é bem maior!

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 Veredicto                                                        
Em conjunto com a sua prequela são JRPGs obrigatórios para a GBA. Caso não tenham uma, basta visitar a eShop mais próxima.
 Plataforma        
 GBA
 Produtora         
 Nintendo (Camlot)
Autor: Ivo Leitao Pesquise todos os artigos por

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