Gone Home

8
Longevidade: 6/10
Jogabilidade: 8/10
Gráficos: 8/10
Som: 9/10

Excelente atmosfera e narrativa

Alguns problemas de performance

Gone Home é mais um jogo indie fora do comum. Tal como Dear Esther, esta é uma obra jogada na primeira pessoa, onde somos largados nalgum lugar misterioso e à medida que o vamos explorando, vamos também descobrindo os seus segredos. Neste caso em específico, Gone Home aborda a história da jovem Kaitlin Greenbriar que após um ano em viagem pela Europa, decide voltar para a sua família, que por sua vez havia herdado uma enorme e antiga mansão situada algures no interior do estado de Oregon, nos E.U.A.

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Mas ao contrário do que seria de esperar, com toda a família à sua espera, Kaitlin encontra a casa abandonada, com um aviso à porta escrito pela sua irmã Sam a dizer-lhe para não ir à sua procura, pois não quer que ninguém saiba onde ela esteja. E somos assim largados numa enorme mansão, ainda em processo de mudanças sem saber o paradeiro de ninguém. Sim, porque o jogo é passado em 1995 e nessa altura o uso de telemóveis ou internet ainda não era algo utilizado massivamente como nos dias de hoje. É à medida que vamos abrindo cada porta, percorrer cada passo nos corredores vazios ou espreitar por dentro de cada gaveta ou armário que Kaitlin, e nós como jogadores, vamos descobrir a vida dos Greenbriar, as suas ocupações, problemas familiares, passatempos, gostos pessoais e ultimamente, saber as razões pelas quais a casa aparenta abandonada.

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Não quero mesmo revelar muito mais da história para não estragar a experiência a todos os leitores que se acabem por se interessar por este Gone Home, mas o jogo prima mesmo pelo seu sentido de exploração, narrativa e mistério, deixando-nos muitas vezes até algo tensos com receio do que possamos vir a descobrir no futuro. A narrativa vai sendo cuidada com várias mensagens lidas por Sam e endereçadas para Kaitlin, à medida que vamos descobrindo várias notas, cartas ou outras mensagens relevantes para a história principal – os dilemas de Sam. Mas outras pequenas histórias paralelas dos restantes membros da família Greenbriar e do antigo dono da casa também podem ser descobertas, bastando para isso nós andarmos atentos a todos os detalhes e recantos que estejam à nossa volta.

E sendo o jogo passado em 1995, acaba também por servir de uma grande aventura nostálgica a todos nós que passamos pela década de 90. Ver espalhadas pela casa cassetes áudio, revistas de música com referências a artistas como Nirvana ou Rage Against the Machine, dezenas de cassetes com filmes e séries gravados com referências aos X-Files, Silence of the Lambs e muitos outros filmes que foram marcantes naquela época. Até os videojogos, com a Super Nintendo e o seu Street Fighter II a serem lembrados mais que uma vez.

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Antes de ter começado este Gone Home fiquei com a ideia que tivesse alguns elementos de terror, pelos comentários que ia vendo aqui e ali. Bom, o facto de a casa ser antiga e muito grande, estar uma noite de tempestade e não sabermos o que vamos encontrar a cada momento realmente deixa uma atmosfera algo tensa de vez em quando. Principalmente quando todo o som ambiente é o suave barulho da chuva, trovões ocasionais e alguns “rangeres” de madeira algo suspeitos, entre outros. Mas essa atmosfera tensa na minha opinião é principalmente provocada por todo esse clima de mistério em relação ao desaparecimento da família, o que acaba por ser um ponto muito forte no geral.

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No que diz respeito aos audiovisuais, este é um jogo graficamente competente, capaz de apresentar uma mansão antiga bem convincente. Infelizmente notei alguns problemas de performance ao correr este título na minha máquina, o que me leva a crer que o mesmo tem algumas falhas de optimização, pois o meu PC corre outros videojogos mais pesados sem estes constrangimentos de quebras de framerate. Isso e algumas ocasionais texturas e sombras de muito baixa resolução. Mas de qualquer das formas não é nada que me tenha estragado a experiência. Como já referi atrás, os efeitos de som estão muito bons, assim como as narrativas de Sam que estão cheias de sentimento. Também vamos poder encontrar algumas cassetes de música onde podemos ouvir algumas faixas de punk rock de bandas feministas da época como as Bratmobile, Heavens to Betsy ou a banda fictícia Girlscout. As razões por estas bandas estarem no jogo deixo para o leitor as descobrir.

No fim de contas, esta é uma excelente aventura a se descobrir, especialmente se gostaram de videojogos como Dear Esther. Para além do mais esteve recentemente à venda a um preço simbólico no Humble Indie Bundle XII, pelo que se tiverem uma backlog do Steam tão grande como eu, façam-me um favor e joguem-no, não é longo.

Autor: Ivo Leitao Pesquise todos os artigos por

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