Gran Turismo 6

8
Longevidade: 9/10
Jogabilidade: 9/10
Gráficos: 8/10
Som: 7/10

Simulação exemplar | Física automóvel impressionante

Algum grafismo não revisto |Som dos motores fraquito

Aí está ele de volta, GT6 chegou a 300km/h e travou na minha mesa de trabalho. O cheiro a borracha queimada enche as narinas, tenho óleo a escorrer pelas gavetas, o monitor está cheio de terra, lama e mosquitos, a roupa cola à cadeira… meus amigos, o monstro está de volta!

GT6-01

Um título da serie GT tem a capacidade de me fazer esquecer tudo o existe fora da minha sala de jogo. O GT5 já o fez mas confesso que GT6 não o fez totalmente. Calma, não é que não seja bom. É, ponto final. A questão é que não me deixou de boca aberta, tal como o anterior. O 5 já levou a minha PS3 a roçar os limites da sua capacidade muscular; a diferença do 4 para o 5 foi enorme em tudo, e nesta nova edição as diferenças não são tremendas. Estão lá, certo, está melhor, sim, mas vamos com calma.

GT6-02

Do ponto de vista dos jogadores menos core nestas andanças de simulação, o jogo vai parecer ter exactamente a mesma mecânica de condução que o anterior. O GT5 já estava tão bom em termos de física de simulação que já era difícil fazer melhor, mas não é que fizeram? Mas este melhoramento não é facilmente detectado, apenas os mais experientes vão identificar as alterações. Para quem conduz com mudanças automáticas e com algumas ajudas na condução o jogo parece o mesmo, agora quem gosta de simulação a sério, que conduz com manuais, sem ajudas, para quem configura o carro e sabe identificar a diferença entre uma mola macia e uma dura, oh meus amigos, aí sim as diferenças são visíveis.

GT6-04

As dinâmicas dos carros presentes no jogo (continuam os cerca de 1200) foram revistas junto dos fabricantes, e temos agora uma realidade ainda maior. Dos testes que fiz noto uma maior influência e realidade no centro de gravidade do carro. O seu peso VS dimensão VS altura são mais notórios, os carros balançam sobre as rodas/suspensão nas curvas e afundam e levantam em travagem/aceleração nas rectas com mais realidade. Não falo no campo visual mas da maneira como estas alterações ao terreno nos são transmitidas. Temos uma maior sensação de como o carro reage. Ao testar a viragem com aceleração/travagem em curva nota-se que os efeitos de sobreviragem e subviragem estão ainda melhores. Em carros de tracção traseira (sem controlos/ajudas) é mais visível a tendência para sobreviragem, ou seja, o carro ter tendência a fugir de traseira devido, entre outros, a ter a potência nas rodas traseiras. Para carros com tracção dianteira verifico mais a subviragem onde o carro foge de frente querendo fugir ao arco natural da curva.

GT6-08

O que me deixou também muito agradado é que as tendências para sub e sobreviragem não parecem ser tão regra fixa como no GT5, podendo-se alterar a regra conforme o terreno. A título de exemplo, curvas com declive e inclinação facilmente levam à quebra das regras que pré-adquirimos como certas. Obviamente que determinados carros terão mais ou menos estes efeitos, bem como os controlos de tracção terão uma palavra a dizer. Outro factor que gostei de ver foi o tempo de reação dos carros às guinadas repentinas. Parece-me que foi revisto este campo e temos agora um fosso ainda maior entre um mau carro e um bom carro. Um mau carro para recuperar de sub ou sobreviragem está agora mais realista com tempos de reacção mais lentos e mais adequados ao carro, enquanto veículos mais potentes com melhores estruturas recuperam melhor e mais rápido (comparando na mesma velocidade, claro). Nota também muito positiva para a perda de tracção em lombas e reentrâncias, O “Eau Rouge” em Spa Francorchamps é um óptimo local para se ver estes efeitos. Temos assim um GT6, não diria evoluído, mas sim polido e refinado, reforçando a ideia de ser um dos melhores simuladores de sempre. Em termos de efeitos de física sem dúvida que é o número 1.

GT6-06

Mas não só de física vive a serie GT, os seus traçados são do melhor que existe. Temos aqui uma selecção dos circuitos mais emblemáticos do mundo, onde estão alguns dos meus preferidos, tais como: Monza para velocidade pura, Spa Francorchamps com as suas subidas e descidas alucinantes e Nurburgring na versão completa. Mas ainda temos os circuitos fictícios. Os traçados estão fielmente retratados, embora graficamente não tenha notado grandes diferenças do GT5 no que toca aos circuitos herdados do anterior. Nos novos traçados já se nota algum grafismo refrescante. Deixo ainda a nota que podemos pilotar um veículo lunar… sim, na Lua… quanto a mim completamente desnecessário, caindo quase no ridículo. Deixando o grafismo dos circuitos e passando nos carros, nada a apontar, continuam belíssimos e muito bem caracterizados. Dando um salto aos efeitos meteorológicos, os efeitos de chuva já estão a acusar uma certa idade, podiam ter dado uma espreitadela ao F1 da Codemasters para tirar umas ideias… A condução nocturna, essa sim, está impecável.

GT6-10

Jogabilidade e progressão no jogo? Bom, continua mais ou menos na mesma. Começamos com um carrinho de linhas e vamos progredindo aos poucos. Digo aos poucos mas na realidade é bem mais lentamente que no GT5, onde recebíamos um carro a cada 20, 30 minutos de jogo. Aqui esqueçam, vão ter de suar bastante! As licenças continuam lá para as tiramos, já as conhecemos todas. Espero que repensem este conceito, é irritante termos supostamente de aprender a travar e virar o carro. Continuamos a disputar os campeonatos e a desbloquear novas provas e por aí fora, nada de grandes novidades por aqui. Fica a nota da inclusão do Goodwood Festival of Speed. Uma alteração confusa são os carros standards e premium, que não estão separados nos actos de compra.

GT6-07

No som, ui aqui é que vou ter de ser mauzinho. Temos muito a melhorar: para começar com algumas horas de jogo não ouvi ainda ninguém falar, apenas texto. Os sons dos efeitos não me parece ter sofrido nenhuma actualização, chocar com uma parede a 300 km/h (não tinha referido ainda que os efeitos visuais de colisão continuam quase nulos) é quase o mesmo que dar um toque a estacionar o carro, o som não está adequado à violência e ao tipo de batida. E os motores? Pois continuam a soar pouco realistas, parece que temos um som gravado e o reproduzimos mais alto/baixo ou com mais agudo ou grave. Meter uma mudança abaixo em vez de recebermos o som do motor a resmungar ouvimos apenas o tom e volume do som a mudar. No áudio temos sem dúvidas a concorrência (série Forza) a ganhar distância.

GT6-03

GT6 consegue assim polir detalhes e deixar outros por limar. Felizmente que acertou nos importantes, ou seja, a simulação propriamente dita e no realismo dos circuitos, deixando grafismos e som por acertar. Por mim, estou feliz, pois aprecio mesmo é a simulação, no verdadeiro sentido da palavra.

Autor: Tiago Dias Pesquise todos os artigos por

One Comment on "Gran Turismo 6"

  1. Nuno Vinagre 17 December 2013 at 21:59 - Reply

    Muito boa analise… Sem duvida.
    Concordo com praticamente tudo…
    A minha grande desilusao prende-se basicamente com a evoluçao do 5 para o 6… A impressao com que fico, é que o jogo está um pouco feito á pressao… (Sem grandes falhas, mas tambem sem grandes novidades…) Confesso que fiquei desiludido por nao ter A-SPEC e pelo facto de continuarmos sem os interiores dos carros todos… Com poucas horas de jogo, já estou nos carros TOP niponicos… Ou seja… Este GT, nao me agarrou nem 25% em relaçao ao 5… (Talves por culpa do Assassins Creed 4 que “aportou” no meu plasma no na semana passada para nao mais sair de lá…) Lamento GT, mas o Sid Meier´s Pirates da Micro Prose do AMIGA foi o jogo que me marcou mais em toda a minha vida, por isso A.C BLACK FLAG rules!!!!

Deixe aqui o seu comentário