Grand Turismo 5

9
Longevidade : 9/10
Jogabilidade : 8/10
Gráficos : 9/10
Som : 8/10

O GT5 foi sem dúvida um dos jogos mais esperados dos últimos anos. Muitos jogadores Justificaram a compra da PS3 com este jogo. Confesso que faço um pouco parte desse leque. Não foi apenas pelo GT5, tinha mais um ou dois na calha, mas foi a razão principal. Depois da saída do F1 2010 da Codemasters me ter deixado trancado na sala um valente número de horas, a compra deste GT5 foi feita a medo, tive receio de não sair mais de casa até ao fim de 2010. A espera tinha sido enorme, não foram meses, foram anos a esperar por este título, perdi a conta, mas foi mais de meia década. A curiosidade era enorme e o primeiro contacto com o jogo não desiludiu. Gráficos do melhor que se possa imaginar, som a condizer, e uma jogabilidade muito elevada criam  um primeiro impacto ao mais alto nível.. Começando mais tarde a prestar atenção aos detalhes, acabamos por achar alguns pequenos problemas.

Comecemos pelos circuitos, temos para todos os gostos, os que já vem de outras series GT, circuitos citadinos, autódromos, e ainda circuitos de montanha e troços de rally. Apesar de super detalhados apresentam alguns problemas de importância secundária, mas que para um fã que esperou meia década, pode ser um verdadeiro problema. Por exemplo, em alguns circuitos de grande extensão, a vegetação ao lado da pista dá a impressão de ser copy-paste ao longo de centenas de metros, mas poderá ser justificável pelo facto de alguns circuitos terem mais de 10 kilometros de extensão e de ser muito complicado encher cenário em tão grande quantidade. Outro aspecto menos positivo são algumas sombras, pegando por exemplo nas bandeiras junto às grelhas de partida, as sombras projectadas no chão, não tem um movimento suave, movem-se aos saltos. Mas tirando alguns pontos negativos o aspecto gráfico é muito bom, e tem tendência para ser melhor em circuitos mais curtos. Circuitos como o Mónaco ou Monza rivalizam com o F1 2010 Codemasters em termos de detalhe.

Em termos de carros, são mais de 1000!!! Divididos em duas categorias: Premium (200 carros), mais detalhados e com mais atenção ao comportamento em estrada e standard (+/- 800 carros) menos detalhados, mais baseados em GT4 que GT5, e com menos atenção ao comportamento. Apesar de menos trabalho feito com os standard, os carros estão completamente funcionais, e cumprem perfeitamente o seu papel. Mas as maiores diferenças para o anterior GT4, são mesmo os premium, estando estes super bem desenhados, tanto por fora como por dentro (os standard não podem ser conduzidos visto de dentro). Cada carro tem um comportamento característico, cada um aborda as curvas de acordo com as suas especificações, peso, centro de gravidade, dimensões, tracção, potência etc…. É impressionante como conseguiram dar comportamentos muito próprios a tantos carros diferentes. Temos carros citadinos, carros de rally, carros de Nascar, super desportivos, karts e até Formula 1. Como se não chegasse termos mais de 1 milhar de carros à disposição, ainda podemos comprar peças extra para um bom número deles: suspensões, asas, jantes, pneus, kits de turbo, admissões de ar, colectores, escapes, alterações de motor… etc… incrivelmente não temos opções de troca de travões. E esta seria uma característica que faz falta, quando aumentamos muito a potência de um carro, seria necessário também um maior poder de travagem.

Em termos de opções e menus, temos as corridas em “A-Specs”, “B_Specs”, as licenças, os treinos livres, a oficina de peças, o modo on-line, os “eventos especiais” onde podemos ter provas de kart e Nascar, e perto do Natal ficou disponível via update as corridas sazonais. De um modo geral os menus do GT5 estão fáceis de entender embora algumas opções demorem mais tempo a carregar que o que seria de esperar. Temos também uma opção presente no jogo completamente inútil que é o editor de circuitos. Quando vi que o jogo tinha esta opção, fiz logo planos para criar o Autódromo Estoril, quase nem dormi a pensar no bom que seria ter o velho circuito do Estoril e 1000 carros para poder correr nele. Mas quando finalmente fui ver a opção, não sabia se chorava ou se ria, no editor de circuitos apenas podemos alterar a largura ou ângulo das rectas/curvas já existentes num circuito pré feito. Não podemos desenhar livremente o traçado, nem tão pouco inserir mais uma curva ou recta. Estamos limitados aos pré feitos. Foi uma completa perca de horas criar esta opção, pois é completamente ridícula. Outra questão que já levantou enorme controvérsia por entre os fãs é a ausência de deformações, amolgadelas, e avarias nos carros. No momento que escrevo este artigo vou no nível 15 e apenas se vê amolgadelas ligeiras e riscos, se for de frente contra um a parede a 300km/h o carro contínua a trabalhar e andar como se nada fosse. Ainda não vi um pára-choques ou uma roda a saltar ou outra qualquer marca grave de impacto ou efeito de avaria. Os rumores dizem que depois de vários níveis estas características são desbloqueadas.

E pronto já não tenho mais defeitos a apontar, e mesmo os que encontrei, sinceramente são de pouca importância, à excepção de não poder mudar os travões e o sistema de avaria/impacto. Mas deixemos os “pequenos” defeitos e falemos do que realmente é bom neste jogo, a jogabilidade, a condução extremamente realista e diferente de carro para carro. O primeiro carro premium que comprei sem ser “ganho” foi um Ferrari BB512 de 1976, o carro vinha com 360CV e rapidamente comprei tudo o que podia para lhe aumentar a potência, cheguei quase aos 500 CV e gastei metade do dinheiro que tinha. Verifiquei que acelerar á saída de uma curva por mais ligeira que fosse ficou mais difícil, o carro acelera muito mais mas com uma perda grande de controlo, ficou com potência a mais para o carro que era e o jogo transmite isso muito bem.

Nota-se perfeitamente a diferença de estabilidade em curva entre carros com aerodinâmicas diferentes, bem como a maneira como travam à entrada da curva. Conceitos de sub e sob viragem foram desenvolvidos para dar comportamentos diferentes em carros com tracção dianteira, traseira ou integral e com motor dianteiro, central ou traseiro. Muito bons estão também os sistemas de controlo de tracção e controlo de estabilidade, sendo necessário para algumas provas mudar os seus parâmetros, facilmente se verifica os efeitos progressivos de mais ou menos controlo de tracção.

Em resumo, um grande jogo de simulação automóvel no verdadeiro sentido da palavra.

Autor: Tiago Dias Pesquise todos os artigos por

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