Gravity Rush 2

Contrariando a gravidade…

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Queria começar por confessar que não joguei o primeiro título, além de nunca ter sido grande adepto de jogos demasiado japoneses. Porém, nada disto me impede de jogar este ou outro título, ou até de ficar surpreendido, se assim tiver que ser. Ora, como nunca havia experimentado o primeiro, fui pesquisar vídeos para ficar com uma melhor ideia do que podia esperar. Tenho de ser sincero, não gostei! O género não me agradou o que fez com que nunca sentisse aquele click e o facto de ter elementos nipónicos também não ajudou muito. Foi, assim, que tentei este segundo título… de nariz torcido. Ainda que no final até tenha ficado algo satisfeito com o que vi, o primeiro contacto foi um longo suspiro de “vou ter umas horas pela frente de verdadeiro aborrecimento”. A personagem principal (Kat) era demasiado infantil, as transições feitas em estilo cartoon, as vozes uns grunhidos abreviados do que se falava… não começava, de facto, da melhor maneira.

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Os primeiros dez minutos foram um verdadeiro tormento, não tendo gostado mesmo nada. Contudo, passado o momento de choque pela negativa, o sol começava a brilhar depois uma manhã de trovoada. Não sei bem explicar, mas, de um momento para o outro, comecei a ver o jogo de outra forma. Passei a ver a personagem com menos antipatia e os cartoons passaram a ser uma bela maneira de fazer transições nos diálogos rápidos, fazendo com que tudo parecesse encaixar melhor. Não querendo comparar com o capítulo anterior, o qual nunca o experimentei, falo da minha experiência como se de um título isolado se tratasse! Achei o cenário engraçado, num estilo obviamente japonês com traços e elementos de Steam Punk. O traço pincelado à mão está bem feito, nada que deslumbre, mas também não desilude. O jogo remete para um público mais jovem, ainda que, como em tantos outros, muitos graúdos acabem igualmente por gostar.

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Gravity Rush 2 tem como ponto forte a mobilidade da personagem pela manipulação da gravidade. Kat consegue alterar esta, flutuando no ar e deslocando-se em qualquer direcção. Isto permite-lhe ir de um ponto para outro no mapa rapidamente, bastando elevar-se no ar, voar e deixar-se cair no destino. Contudo, as vantagens vão mais além. Kat pode passar de um plano horizontal para um plano vertical, mudando a influência gravítica que o corpo onde está assente exerce sobre ela. Explicando isto melhor: é possível saltar do chão para uma parede e ficar em pé nesta sem cair. É como se a parede passasse a ser o chão e o chão a parede. Isto dá uma mobilidade e jogabilidade bastante interessante, no entanto, difícil de dominar ao início. O controlo do voo é feito apontando uma mira na direcção em que nos queremos deslocar, algo que parece simples, mas não é. Se o voo for entre duas superfícies grandes não levanta problemas, todavia quando o espaço é pequeno e quando existem outros planos diferentes pelo caminho, tudo se complica. Dei por mim a tentar “aterrar” num telhado de dois por dois metros, falhar o alvo e ir parar vários metros mais abaixo, aterrando num local com um ângulo perpendicular ao telhado. Deixei de o ver, pois tinha duas ou três esquinas pelo caminho, tendo de executar dois voos para ir para o sítio que queria. Isto é recorrente numa fase de aprendizagem. Falhar o alvo vai ser o prato do dia. E não vale a pena pensarem que dominam jogos de aviões, pois não é a mesma situação.

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A jovem Kat, para além de voar, também consegue distribuir pancada que nem gente grande. No chão achei fácil aviar bolachada em tudo o que mexia, já no ar o caso muda de figura. Se já não era fácil mudar de direcção rápida e eficientemente, dar pancada ao mesmo tempo, revelou-se uma tarefa árdua. Aqui convém chamar à atenção do leitor, que o meu grau de nabice começa a fazer-se notar com o passar dos anos, principalmente nos jogos que requerem uma certa habilidade com os controlos, como é o caso deste. Para um jogador mais batido nestas andanças, mais novo…  estou certo que as dificuldades vão ser apenas no início, sendo a ambientação a tudo o que o rodeia muito mais simples.

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Reconheço ainda que os primeiros quadros ou mapas do jogo não me entusiasmaram mesmo nada. Contudo, este panorama acabaria por ficar bem melhor mais para a frente, com mapas bem mais simpáticos, uma jogabilidade mais aberta, maior, tornando tudo melhor, muito melhor! Mas é só depois das duas ou três primeiras horas, sendo esse um factor que não me atrai particularmente nos jogos, já que considero que deve ser apelativo desde o primeiro momento. Não se tratasse de um título cedido, o mais provável teria sido encosta-lo ao fim dos primeiros dez minutos. Ainda bem que não o fiz, porque acabou por se relevar um jogo com mecânicas bem interessantes, embora o estilo muito juvenil me impeça de o apreciar melhor.

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Para quem gostou do primeiro, este é um must-have. Para quem não jogou, mas gosta de traço desenhado à mão, open world e uma dose de cultura japonesa este é um título a não perder. A nível pessoal fico-me entre o thumbs up e o down, pois não é o meu género, mas sendo abrangente e olhando para o jogo ao nível do que oferece, diria que é um thumbs up. É essa a ideia principal que queria deixar aqui.

up
Veredicto
Um jogo com um início muito insosso, mas que aos poucos abre e fica bem apurado. Oferece muito embora com um estilo muito juvenil. Se é bom, sim é.
Plataforma
PS4
Produtora
SIE Japan Studio / Project Siren / Sony Interactive entertainment
Autor: Tiago Dias Pesquise todos os artigos por

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