Guacamelee! Gold Edition

8
Longevidade: 8/10
Jogabilidade: 8/10
Gráficos: 8/10
Som: 7/10

Gráficos coloridos que complementam a jogabilidade e a temática

Podia ter mais efeitos sonoros

Certo dia, Juan Aguacate (Juanito para os amigos, e não se esqueçam de fazer um sotaque carregado), um simples habitante de Pueblucho oferece-se para ajudar os seus vizinhos durante a festa da aldeia. Mal sabia ele que no final desse mesmo dia iria acabar morto numa espécie de Mega Luchador Zombie. Isto pode não fazer muito sentido admito, mas a verdade é que a história de Guacamelee! está tão bem construída que deu aos seus criadores a oportunidade de incorporar dois mundos diferentes e cada um com os seus próprios caminhos. O que começa por ser um simples favor de Juan à filha do Presidente acaba com a casa deste em chamas e com a rapariga raptada por Carlos Calaca – um esqueleto flamejante que pretende juntar o mundo dos mortos e dos vivos. Calaca acaba por matar o nosso herói, Juan – não se preocupem pois não é um spoiler, tudo isto acontece nos minutos iniciais do jogo – que no mundo dos mortos encontra Tostada, a guardiã da máscara que torna Juan num Luchador. Começa assim a jornada do ex-agricultor entre os dois mundos, com a habilidade adquirida de lutar com esqueletos e outras criaturas do mundo sobrenatural.

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Este é o terceiro (previamente criaram a série de Tales From Space) e mais notório jogo criado pelos canadianos do Drinkbox Studios, mas considerando todo o ambiente do jogo, que inclui tradições e folclore mexicano, podia muito bem ter sido criado por uma equipa mexicana. Se há algo que este side scroller 2D capta na perfeição são as cores e ambientes característicos deste país. Além da sua clara inspiração em Super Metroid e Castlevania: Symphony of The Night, este título tem a sua beleza própria que o permitiu retratar as zonas rurais do México utilizando sobretudo a personalidade das personagens bem como referências culturais que já todos conhecemos.

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A aventura divide-se em 12 zonas diferentes, onde a verticalidade é bastante utilizada, o que nos permite ter uma série de zonas diferentes em cada localidade para explorar. Durante toda a história podemos voltar a qualquer parte do mapa para efectuar tarefas que anteriormente não nos tinham sido possíveis de realizar por não termos desbloqueado os movimentos necessários para tal. Entre localidades como El Inferno, Santa Luchita ou Sierra Morena, temos como que dois mundos para explorar, pois quando passamos pelos vórtices que trocam o mundo em que estamos, as plataformas e limites do nível mudam de sítio. Isto acaba por ser bastante interessante e confere uma maior profundidade ao jogo, pois temos de re-explorar tudo mais do que uma vez para encontrar baús com moedas ou fragmentos que ao serem juntos nos permitem aumentar a vida e o seu tempo de regeneração ou a stamina. Estes mesmos upgrades podem ser feitos nos checkpoints, que são na verdade mesas adornadas com objectos relativos à Santa Muerte. Esta figura está inclusive presente em todo o jogo com caveiras adornadas e bem características do México, e através destes pequenos pormenores é possível ver o quão bem os elementos do Drinkbox Studios estudaram esta cultura.

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Sendo este um jogo onde a temática são os Luchadores, não podiam faltar os confrontos físicos. Como já referi, ao longo de todas as zonas vamo-nos deparando com esqueletos, armadilhas, chupa-cabras e outras criaturas que colocam à prova os nossos skills de combate corpo a corpo. O sistema é simples e depende apenas da utilização de uma tecla, ou botão se utilizaram o comando, algo que recomendo que façam pois com o teclado, correm o risco de o partir como eu própria o fiz, de tão frustrante que se torna a sua utilização, sobretudo nas zonas que exigem combos ou com plataformas. Existe uma tecla para atacar, uma para esquivar dos ataques e outra efectua os característicos grabs, ou não fossemos nós um Luchador de renome – não somos, éramos apenas um agricultor, lembram-se? – Apesar de o sistema de combate básico ser simples, ao longo do jogo vamos destruindo diversas estátuas Choozo (referências às estátuas Chozo de Metroid). Após o fazermos, surge um pastor com o poder de se transformar em cabra e que acaba por se tornar uma espécie de sensei de Juan, ensinando-lhe diversos poderes especiais, como o Olmec Headutt que nos permite dar cabeçadas ou o Frog Slam que nos confere a habilidade de bater com a barriga no chão. Estes e outros poderes, além de nos ajudarem em combate, irão ajudar-nos ao longo de todo o jogo a chegar a áreas que antes de os aprendermos não seriam possíveis de explorar. É possível também adquirir capacidades que nos ajudam nas (difíceis) zonas de plataforma do jogo, como o grapple.

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Ao longo de todo o jogo nota-se uma evolução gradual da dificuldade dos níveis e é dado ao jogador tempo e oportunidade para se habituar aos combos que tem de realizar em certas alturas, mas não deixa de ser frustrante. Por vezes os nossos reflexos são testados de tal forma que só à décima – ou ainda mais – tentativa é que conseguimos passar uma zona de plataformas que não raras vezes assumem a proporção de quebra-cabeças. Em determinados momentos temos de realizar um bailado entre mundo dos mortos e mundo dos vivos para tornar visíveis os inimigos de um dos mundos ou mesmo adquirir reflexos de ninja e fazer combinações de saltos para plataformas e entradas em portais que requerem algum estudo prévio.

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Cada uma das realidades tem a sua própria banda sonora e ambiente e a diferença é bem clara. Por todo o jogo estão presentes diversas referências a memes da internet (como o Me Gusta ou o Grumpy Cat) ou até mesmo outros jogos (como Castle Crashers e Minecraft). Um dos primeiros bosses consiste inclusive na fuga de um dragão gigante que vai destruindo tudo à sua passagem e para o derrotarmos temos de tocar num machado, fazendo com que a ponte onde ele convenientemente se encontrava, desabe. Soa familiar não soa? Guacamelee! acaba por concretizar na perfeição aquilo a que se prepõe, com uns toques fantásticos de cor e de jogabilidade e é mais um exemplo perfeito de um título indie de sucesso.

Autor: Silvia Farinha Pesquise todos os artigos por

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