Happy Wheels

8
Longevidade: 9/10
Jogabilidade: 9/10
Gráficos: 7/10
Som: 7/10

Jogabilidade viciante | Níveis criativos | Editor de níveis

Falta um objectivo geral que una os diversos níveis

Em mais de 40 anos de história de videojogos é interessante verificar que são poucos os casos de sucesso de jogos que tentam combinar o humor com uma jogabilidade interessante. Dizem os developers que isto se deve a uma razão: timing. Para se fazer comédia é preciso ter uma boa noção de timing, ou seja respeitar as pausas necessárias para que uma piada tenha o máximo de impacto. Ora sendo os videojogos o meio por excelência da interactividade, torna-se complicado ajustar os movimentos do jogador ao ritmo necessário para que a comédia aconteça. Mas, de vez em quando, surge uma pérola que nos faz repensar as convenções.

Happy wheels 7

Happy Wheels é um projecto de Jim Bonacci, um programador nova-iorquino com carreira no universo dos jogos em flash. Depois de um primeiro projecto, Divine Intervention (2003), Jim dedicou-se a Happy Wheels, que viu a luz do browser em 2010. Disponibilizado no site do seu criador, é um jogo grátis programado em Box2D, o motor gráfico de títulos como Crayon Physics Deluxe (2009), Angry Birds (2009) e Limbo (2011). Conta a história que Jim estava descontente com a oferta de jogos apoiados em sistemas de física, porque considerava que não eram suficientemente realistas no modo como interpretavam as colisões. Desta idéia surgiu um dos jogos mais irreverentes e divertidos que já tivemos a oportunidade de jogar. A premissa é simples: juntar física, humor, gore e condução num festim de comédia sangrenta. O resultado é bem mais coerente do que se poderia pensar.

Happy wheels 9

Temos à nossa disposição um conjunto de personagens que desde logo apontam para a veia politicamente incorrecta do jogo. Entre um ancião numa cadeira de rodas, um executivo montado num segway, um conhecido arqueólogo aventureiro dentro de uma vagoneta e (o nosso preferido) o pai irresponsável, de bicicleta com uma criança no banco traseiro, são actualmente 11 os protagonistas do jogo. Os níveis são maioritariamente criados pela comunidade de jogadores, sendo que o único objectivo é chegar vivo ao final de cada um. Quando dizemos vivo poderá não ser em bom estado, porque é comum irmos perdendo um bracinho ou uma perninha pelo caminho. Happy Wheels é um jogo que se deleita com o trucidar dos nossos personagens, e é precisamente este humor negro o ponto forte do jogo. É impossível não sorrir quando vemos o nosso personagem sofrer as consequências da nossa falta de jeito. Poderá não ser para toda a gente, mas para quem acredita que da junção entre a violência e o insólito surgem gargalhadas explosivas poderá estar aqui uma das maiores surpresas do universo dos videojogos.

Happy wheels 4

Os gráficos estão bem conseguidos, tendo em conta que é um jogo de browser, e o som acrescenta muito ao potencial cómico do jogo, mas é nos critérios da jogabilidade e da durabilidade que Happy Wheels apresenta argumentos de peso. Os níveis disponíveis estão organizados de modo a apresentar os mais bem cotados pela comunidade em primeiro lugar, mas é possível pesquisar por uma série de critérios tais como o nome do criador ou o personagem jogável. O editor de níveis é robusto e permite criar com relativa facilidade novos cenários para dar asas à carnificina. Não tendo um objectivo propriamente dito, pois cada nível é independente dos demais, Happy Wheels agarra-nos pela curiosidade e prende-nos não só com a sua capacidade de surpreender como também pelo grau de diversão que proporciona. É um daqueles casos em que dizemos para nós “só mais um” enquanto clicamos no próximo nível.

Happy wheels 8

Com actualizações regulares e uma sequela já em desenvolvimento, parece-nos que ainda vamos ouvir falar muito deste jogo. Mas, de preferência, que não seja num daqueles debates sobre a violência em videojogos, porque nos parece que infelizmente o humor, nesses eventos, não é bem-vindo.

Happy Wheels está disponível em versão integral gratuita em www.totaljerkface.com

Autor: Goncalo Neto Pesquise todos os artigos por

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