O novo jogo de simulação é o primeiro da série a ser desenvolvido para a 3DS. Apesar de já termos presenciado A Tale of Two Towns na biblioteca da consola, o mesmo foi lançado nativamente para a DS, e recebeu um port para a 3DS.
Chegou tarde às nossas lojas, um ano depois do lançamento nos Estados Unidos, e mais quatro meses depois do que no Japão, mas o renovado simulador vem a tempo de prender novos e graúdos aos ecrãs da portátil da Nintendo!
No início do jogo, deparamo-nos logo com um novo painel de customização. Se, tal como eu, não tiveram contacto com Harvest Moon desde a Wii, vão ver grandes mudanças. Depois de escolhermos entre rapaz ou rapariga, temos possibilidade de alterar variados aspectos na nossa personagem, antes de embarcarmos na aventura.
Chegados a Echo Village, deparamo-nos com uma realidade que poderia muito bem ser previsível: a nossa família deixou-nos uma valiosa herança numa cidade em colapso, uma quinta para tratarmos a nosso bel-prazer e como a imaginação quiser!
Durante o tutorial, acompanhados por Dunhill percebemos que A New Beginning é mais que uma simples simulação agrícola e tende a ser uma simulação mais completa. Durante o jogo, é importante dormir, comer, restabelecer energias durantes os dias de trabalho ou exploração… Um simples e refinado detalhe a lembrar o toque nipónico que a Nintendo consegue oferecer nas suas séries. O jogo oferece igualmente uma das maiores inovações da série, a habilidade de saltar, algo que foi implementado apenas nos últimos lançamentos e que jogadores que venham de títulos como Magical Melody (Wii), vão agradecer por não terem de contornar enormes cercas, agora basta saltar.
Dunhill leva-nos às nossas primeiras tarefas na nossa quinta, tarefas simples que implicam limpar as terras de detritos que aparecem aleatoriamente de quando em quando, mas que até podem vir a dar jeito. Madeira, ervas e pedras são alguns objectos que podemos apanhar e mais facilmente encontrar que às vezes não convém desde logo deitar fora. Durante o processo somos introduzidos à nossa mochila e como interagir com o inventário, a caixa de correio, assim como ao interior da casa com a habitual cama, cozinha, biblioteca, arcas para armazenar materiais e ferramentas. O tutorial passa a pente fino toda a cidade, que parece mais deserta que a nossa quinta, ensina a comprar ferramentas e sementes, diz-nos como andar pelo mapa. Processo este que deveria ser dispensável para agricultores virtuais experientes em Harvest Moon, já que até se torna facilmente entediante, nada de novo aqui.
Saltando para a exploração e livre-arbítrio, o novo Harvest Moon parece grande o suficiente. Várias zonas estão disponíveis desde início, cada qual com diferentes frutos, insectos e materiais que mais tarde se poderão vender ou utilizar. Há algo de RPG imprimido no jogo, algo que me agradou bastante e que vai sem dúvida fazer o gosto de toda a gente. O dia em constante movimento obriga a uma volta rápida pelas zonas sem podermos apreciar a beleza natural, no entanto, é notável o grafismo detalhado e diversificado que nos é apresentado. Há uma enorme variedade de animais e plantas, um rio e uma floresta que nos chama para procurarmos bem essenciais ou apanhar aquele insecto que ainda não tínhamos encontrado. A acompanhar, está sempre uma melodia que apesar de não sair do mesmo, não se torna chata por ser suave e agradável ao ouvido. A jogabilidade é também ela simples e intuitiva, com controlos semelhantes ao que já conhecemos, e obviamente, o ecrã táctil e a caneta fazem um papel importante para uma experiência mais fluída e movimento nos menus, sem nada a apontar.
Mas há algo mais importante em Harvest Moon: a vida agrícola. Tal como noutros jogos da série, o dia-a-dia em Echo Village passa por plantar sementes que nos darão legumes, plantas e frutos da época, e regá-los sem deixar escapar um dia para que cresçam e saiam da terra em perfeitas condições. Não sou agricultor nem percebo nada de plantações mas não se deixem iludir, o jogo oferece uma experiência única para todo o tipo de idades sem excepção, não é por acaso que jogos como Farmville e outros MMO‘s, assim como variados spin-off’s vieram tirar ideias a esta série, e esses, eu dispenso. O trunfo de Harvest Moon está na relação de simulação com estratégica e factores de um verdadeiro jogo de role-playing que me prenderam desde início.
A simulação é levada a sério ao ponto dos nossos rebentos se deteriorarem caso não se reguem diariamente, ou mesmo se a época transitar e não fizermos a colheita atempadamente. Pode parecer um tédio, mas se conseguirem bons rendimentos, terão acesso a novas ferramentas que aceleram o processo, como um regador que permite aumentar a área de rega e assim tornar muito mais rápido um processo de início moroso. Como referido anteriormente, o jogo divide-se também por épocas sazonais, que coincidem com a vida real. Além das sementes e do clima mudar, há também eventos especiais que podem presenciar apenas na altura certa, eventos estes que são marcados no calendário para que não falhem às festas e feiras que o jogo oferece. Apesar da diversidade de sementes que temos à escolha, não há qualquer tipo de regra para o que se planta, com o tempo aprendemos a melhor gestão para ter um rebento perfeito, e o que é mais valioso: plantar algo barato em quantidade que demora dois dias a nascer ou plantar algo caro, com alguns dias de crescimento mas que nos dá mais dinheiro? A escolha é nossa, e é um trufo do jogo!
Para finalizar e como não podia deixar de ser, depois de amealharmos o suficiente com as plantações, temos também a possibilidade de comprar animais, que obviamente teremos que tratar para nos fornecerem materiais. É também possível interagir com animais selvagens que apareçam nas zonas remotas da cidade, e com a comida certa, fazer amizade com eles. Outra grande novidade introduzida na serie, é a possibilidade de customizar não só a casa e equipamento da nosso personagem como também a cidade e aparência de Echo Village.
Em Harvest Moon: A New Beginning cabe-nos voltar a trazer vida e pessoas à cidade que nos recebeu. Uma simulação perfeita que nos prende desde logo. Um bom início na 3DS para uma franquia que a Nintendo nunca quis esquecer, e que, juntamente com Animal Crossing, nos dá razões para libertarmos toda a nossa imaginação.









