Harvest Moon: The Lost Valley

Bem-vindos a Minecraft Moon!

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Há muita coisa de errada neste título da 3DS, ainda para mais quando se trata de uma série com anos e anos em cima, e se pede, se não mais, pelo menos o mesmo brilho que acarinha os adeptos de um Farmville mais sóbrio, coerente e com uma história que enche o tédio das plantações. Neste aspecto, a história não traz nada de novo. Por momentos até me fez lembrar o Magical Melody da Gamecube e Wii, ao invocar a Harvest Godess como parte principal e central de todo o plot. Por outro lado, e a nível gráfico, é como se tivessem pegado numa Bimby tecnológica, metessem lá dentro os aspectos característicos da série, o mundo “blocky” de Minecraft, e “voilá”: deixar de lado a beleza e pôr tudo aos blocos que é mais giro! Verdade seja dita, é a primeira vez que a Marvelous não produz um jogo Harvest Moon e a Tabot não podia ser mais infeliz com este The Lost Valley. Para que não haja confusão, a Marvelous continua a produzir videojogos (de forma excelente), mas a publicadora actual XSEED não detém os direitos do título, já que este pertence à Natsume. O “verdadeiro” Harvest Moon chama-se agora Story of Seasons, e está apenas disponível nos Estados Unidos e Japão.

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Há, contudo, aspectos que se agradecem nesta mudança. A acção acaba por acontecer muito mais rápido que noutros títulos da série. Harvest Moon sempre teve um bocadinho de RPG na sua fórmula, mais que não fosse, por nos querer fazer sentir na pele de um verdadeiro herói agricultor, que chega às localizações para as trazer de volta aos seus melhores dias, envolvendo-se em todos os aspectos da mesma. Neste caso, são-nos dados desde logo todos os apetrechos necessários para começar a plantar, deixando para segundo plano os acontecimentos de um vale que parece estar enfeitiçado por um inverno sem fim. Referindo-me ao anterior jogo que também saiu na 3DS, A New Beginning tinha um prólogo de cerca de uma hora, que é encurtado em The Lost Valley para uns meros minutos.

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A imensidão e beleza que esse anterior título tinha acabou substituído por um vago e “nu” vale construído aos blocos, onde pouco há mais para ver além de pedras e terra. As lojas e as cidades que em tempos eram um ícone em Harvest Moon acabam também substituídas por mercadores que vagueiam à frente da nossa casa, em certos dias da semana, para que possamos comprar novas sementes e vender os nossos rebentos.

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Se este jogo pode servir um certo tipo de público? Sim, pode! Acaba, porém, por se distanciar tanto das origens que nem nos faz lembrar um Harvest Moon. Senti-me a jogar um daqueles clones que hoje em dia aparecem nos dispositivos móveis, que não fazem mais nada senão copiar fórmulas. Também os há, obviamente, de Harvest Moon, e este título é simplesmente a melhor cópia com nome oficial.

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No decorrer da história, e quando eventualmente libertarem o vale do inverno rigoroso, (ao fim de muito, muito tempo!) receberão também pedidos das deambulantes personagens que por lá passam, algo que poderá acabar por ser secante, já que alguns levarão imenso tempo e nos oferecem tarefas repetitivas. A Natsume mostrou-se “tentada” a fazer alterações a uma fórmula que dura desde os anos 90, mas a verdade é que pecou na originalidade e nas consequências que um mundo feito de blocos acarreta. Os habitantes parecem vir todos de uma cidade vizinha, mas adivinhem só: nunca conseguimos ver ou visitar essa tal cidade, enchendo-nos de frustração!

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Concluindo, The Lost Valley acaba por sofrer por trazer “Harvest Moon” junto ao subtítulo. Isto não é, nem nunca será, o jogo que nos convidava a participar nos eventos, no crescimento e na prosperidade de uma cidade ou localidade. Não é, nem nunca será, um verdadeiro Harvest Moon.

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Veredicto
Uma corajosa sede de uso de direitos acabou em desastre. Não se deixem enganar pelo nome.
Plataforma
3DS
Produtora
Tabot, Inc.
Autor: Victor Moreira Pesquise todos os artigos por

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