Heavy Rain

10
Longevidade : 8/10
Jogabilidade : 10/10
Gráficos : 10/10
Som : 10/10

Se imersão é um substantivo que caracteriza um bom jogo, pois permite ao jogador mergulhar na sua trama e jogabilidade, então podemos assegurar que Heavy Rain está entre os melhores jogos de sempre. Porque, de facto, é, acima de tudo, de imersão que vive este jogo.

Da mesma equipa que já nos havia dado os igualmente excelentes The Nomad Soul e, mais recentemente, Fahrenheit, Heavy Rain não é um jogo comum e dificilmente deixará alguém indiferente ao mesmo.

Em primeiro lugar, esqueçam tudo o que costumam ter em mente sobre os jogos: aqui a premissa não é alcançar objectivos lineares – como a maioria dos jogos de acção, de desporto, de luta ou de plataformas. Aqui o grande objectivo passa por viver a vida de 4 personagens, aparentemente sem qualquer ligação entre si, e desmascarar um mistério que envolve vários assassinatos.

Sem querer revelar muitos detalhes, a história desenvolve-se à volta dos crimes do Assassino do Origami que, depois de assassinar as suas presas recorrendo a afogamentos, deixa sempre uma figura de origami junto do corpo inanimado da vítima. O jogador controlará então um pai que tudo fará para salvar o seu filho das garras do assassino; uma fotógrafa que ver-se-á mais envolvida nos eventos do que aquilo que inicialmente desejara; um detective privado que investiga as famílias das vítimas do assassino; e um agente do FBI que procura desvendar todo o mistério. Embora cada uma das personagens tenha um percurso independente, todas acabarão por convergir umas com as outras.

A ambiência é baseada na dos filmes noir e, quer a dinâmica da banda sonora, quer o próprio encruzamento de planos, nos transportam automaticamente para o universo do cinema. Em boa verdade, quase que podemos considerar que Heavy Rain é metade jogo, metade filme. E isto não é apontado como um defeito mas antes como uma virtude. A forma madura e singular como cada plano nos é dado, acompanhado por uma magnífica banda sonora, faz-nos sentir emoções como muitos filmes não conseguem fazer.

E são, de facto, as emoções que marcarão os jogadores de forma absolutamente grandiosa. Heavy Rain é um jogo adulto e tem algumas cenas que ficarão para sempre na cabeça de todas as pessoas que o jogarem. A cadência da acção, à semelhança de um bom thriller, levará o jogador a uma experiência forte com momentos de máxima adrenalina até momentos de reflexão, dúvida e até mesmo alguma filosofia: afinal de contas, até onde somos capazes de ir para salvar a vida a alguém que amamos? É este o mote da soberba narrativa.

Tecnicamente falando, os gráficos têm uma qualidade muito boa e as expressões das personagens são realistas e bem detalhadas. Existem alguns pormenores nos cenários que poderiam ter sido mais bem trabalhados mas, ainda assim, não comprometem a qualidade do jogo nesta área. A nível de controlos, quase todo o jogo é comandado numa lógica de quick time event. As acções e diálogos vão aparecendo no ecrã e cabe ao jogador avançar no jogo do modo que entender ser mais adequado. A trama decorrerá, portanto, ao sabor das escolhas do jogador. Isto é uma das coisas que está muito bem conseguida no jogo, dando-nos a ideia de que o destino de cada personagem apenas pode ser traçado por nós, jogadores – e em parte isso acaba por ser verdade, pois é possível acabar o jogo tendo deixado morrer um ou mais personagens.

O jogo teve direito a uma versão totalmente em português com os actores Vítor Norte, Cláudia Vieira, Pedro Lima, Marco Delgado, Pepê Rapazote e Leonor Seixas a darem voz a este título.

Heavy Rain é um exemplo daquilo que os jogos conseguem fazer com as próprias emoções dos jogadores e dá um passo em frente nesta matéria.

Absolutamente incrível, majestoso e obrigatório.

Autor: Hugo Pinto Pesquise todos os artigos por

Deixe aqui o seu comentário