Hitman: Absolution

8
Longevidade: 8/10
Jogabilidade: 8/10
Gráficos: 9/10
Som: 8/10

Narrativa e gráficos irrepreensíveis

Inteligência Artificial mais fraca do que seria de esperar

Foi preciso esperar 6 anos para que o Agent 47 voltasse a dar o ar da sua graça e a deixar corpos espalhados por onde quer que passasse. E valeu bem os anos de espera pois Hitman: Absolution chega-nos como uma aventura com uma narrativa impecável e com uns gráficos fantásticos a acompanhar. Hitman é provavelmente o videojogo onde encontramos o equilíbrio perfeito entre acção, espionagem e um agente que apesar de começar como calculista e frio, acaba por demonstrar certas emoções e conquista ainda mais um lugar nos nossos corações.

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Nos títulos anteriores, Agent 47 foi-nos apresentado como uma personagem fria e solitária e acima de tudo, focado no seu trabalho. Em Absolution, a nossa personagem tem mais compaixão pelos outros, no entanto nunca perde a sua veia profissional e calculista. Esta mudança iniciou-se quando Diana Burnwood traiu a agência de espionagem para a qual trabalhava e o Agente 47 foi designado para resolver a situação – matá-la portanto – mas acabou por falhar e ficar do lado de Diana. Esta pediu-lhe para ele esconder uma criança, que acabaria por estar no centro da sua traição e desta nova faceta do nosso agente.

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A aposta na narrativa levou a que os acontecimentos no jogo não fossem isolados da história principal, o que levou à criação de várias missões secundárias, que poderão afectar a história principal. Contudo, preparem-se para passar grande parte do vosso tempo nas missões principais, uma vez que o jogo exige bastante da nossa paciência. As missões secundárias fazem parte de um modo de jogo, Contracts, onde o objectivo é tornarmo-nos no melhor assassino profissional do mundo, consoante a pontuação que vamos obtendo. O jogador terá que escolher uma missão e elaborar a melhor estratégia possível. É também possível criar missões para que outros jogadores as possam completar. A nossa avaliação fará parte de uma lista nacional e internacional, que determinará os quão bons – ou nem tanto – somos. Este modo competitivo é uma excelente adição às missões principais, no qual também podemos descobrir novos objectos com os quais é possível interagir e obter dinheiro que irá permitir melhorar o nosso armamento.

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Uma das melhores características do jogo é a combinação da acção com a furtividade. Para sermos totalmente furtivos, é necessário criar uma boa estratégia e conjugá-la com uma boa dose de paciência. O esquema do jogo não está delineado para nos complicar as missões mas as nossas escolhas irão determinar o sucesso das mesmas. Um passo em falso e os guardas são alarmados de imediato. Claro que a solução mais rápida para qualquer situação seria pegar numa arma e começar a distribuir chumbo, mas isso irá dificultar a nossa fuga e perde totalmente o sentido de acção furtiva inerente ao espírito de Hitman. Para nos ajudar na furtividade temos o Instinct, uma espécie de visão raio-X que permite que consigamos percepcionar os nossos inimigos por entre paredes e até mesmo em andares diferentes. De vez em quando, esta capacidade do nosso personagem acaba por nos servir imenso, ajudando-nos a fugir de situações complicadas, especialmente quando estamos rodeados de inimigos. Os inimigos mortos são também uma grande ajuda ao nosso protagonista. Podemos não só ficar com as suas roupas e tornarmo-nos em quem precisamos de ser (cozinheiro, polícia, mafioso) de maneira a nos integrarmos num grupo, entrar em algum sítio ou mesmo para escapar dos inimigos. Contudo, estas roupas não são uma garantia de que tudo irá correr mais facilmente.

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Se por algum motivo formos detectados não é boa ideia começar um tiroteio, uma vez que o barulho irá chamar a atenção indesejada. Além do mais, ao começar um tiroteio com muitos inimigos à nossa volta, podemos rapidamente ficar sem balas e acabaremos por morrer. Em muitas situações em que a patrulha do local é feita por vários polícias, o sensato a fazer será esperar e não disparar. Caso tal não seja possível, a nossa personagem consegue esconder-se por detrás de paredes e sofás e até mesmo no meio de uma multidão, bem ao estilo de Assassin’s Creed. Uma vez que a barra de vida não regenera, isto implica um maior cuidado no tipo de decisões a tomar. Podemos utilizar vários objectos colocados no cenário para combater os nossos inimigos, sem que seja preciso disparar – quantos mais objectos utilizamos, maior é o score final. A paciência é a grande virtude deste jogo e só se não formos cautelosos é que seremos apanhados. Esta característica do jogo fornece uma dose intensa de adrenalina, à medida que vamos cumprindo com cada parte do nosso plano com sucesso.

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O grande ponto negativo deste jogo remete-se à sua Inteligência Artificial. Por diversas vezes pensei que seria impossível passar por entre os guardas mas acabei por tentar fazê-lo e o resultado foi bem mais fácil do que estava à espera. Por outro lado, a grande característica deste jogo são os gráficos. É de louvar a atenção dada aos detalhes o que aumenta a qualidade do ambiente no qual o jogo tem lugar. As cores, as sombras, os edifícios, tudo está devidamente detalhado e fantástico. Para ajudar a nossa experiência de jogo é-nos apresentada uma banda sonora e efeitos musicais excelentes.

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Hitman: Absolution é o tipo de jogo que exige tempo e paciência do jogador mas que o recompensa por isso mesmo. A história tem um papel mais preponderante do que nos títulos anteriores e tudo isto é acompanhado de excelentes gráficos. Sem dúvida um merecedor sucessor para a saga de Hitman.

Autor: Silvia Farinha Pesquise todos os artigos por

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