InFAMOUS: Second Son

8
Longevidade: 7/10
Jogabilidade: 8/10
Gráficos: 9/10
Som: 7/10

Bons gráficos | Mais um jogo de Playstation 4

Enredo e missões desinteressantes | Combate algo desconexo embora com poderes satisfatórios

A série Infamous teve a sua estreia na geração passada, na já super ultrapassada Playstation 3, como um jogo first-party vindo da mesma produtora dos famosos jogos Sly, Sucker Punch. O primeiro jogo da série foi um sucesso e tornou-se numa das bandeiras da Playstation 3 devido a ser um exclusivo. Como tal tornou-se óbvio que existiria uma sequela, e Infamous 2 continuou a história do primeiro jogo sendo também bem recebida pelos críticos e pelos jogadores. Infamous: Second Son é um exclusivo para a nova consola da Sony, o primeiro na nova geração e um dos primeiros exclusivos de peso que pretende justificar a compra desta depois de Killzone: Liberation e Knack. Sempre ouvi falar muito bem da série mas muito sinceramente, e tirando já isto do caminho, nunca me cativou, em grande parte devido a não gostar do protagonista dos dois primeiros jogos da série. Com a mudança de protagonista e com tão pouco para jogar neste momento na Playstation 4, este novo jogo da série conseguiu captar a minha atenção e interesse.

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Devo também dizer que até ao momento não me tinha apercebido do quanto amados são os dois primeiros jogos. Vários amigos meus disseram-me “(…) quando sair o Infamous é que é, aí sim vou ter de comprar uma Playstation 4”. Para minha surpresa este franchise tornou-se decisivo para várias pessoas na hora de largar 400€, parecendo estar a par de um Gran Turismo ou Metal Gear em termos de expectativas dos jogadores. Em Second Son controlamos Delsin Rowe, um jovem de 24 anos que tem uma personalidade rebelde de um adolescente de 15. Ao tentar ajudar um Conduit, também conhecidos por Bioterrorists, pessoas com poderes sobre-humanos, Delsin acorda com os mesmos poderes. Reggie, o seu irmão polícia, quer ajudá-lo a encontrar uma cura, e embora ao início isso pareça uma boa ideia, Delsin rapidamente percebe que pode utilizar os seus poderes para combater o governo e que talvez não queira ser curado.

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Os motivos de Delsin para derrubar o governo não são apenas porque sim, certos acontecimentos pré e pós a aquisição dos superpoderes levam a tal atitude, mas não quero descrever em pormenor ou alargadamente nada do enredo. Não é que este seja uma grande intriga digna dos melhores filmes policiais, ou mesmo uma narrativa interessante e diferente, pois no geral é linear, sem grandes surpresas e infelizmente desinteressante. As missões e a forma como são apresentadas também não ajudam à dinâmica da campanha. Estas são demasiado genéricas na sua grande maioria, um típico caso de “vai ali e destrói aquilo porque sim”, sem grande originalidade ou diversidade. O sistema de moral fica infelizmente a par da história linear e das missões desinteressantes. Temos a opção de ser o bom ou o mau (o vilão fica para o próximo jogo da série), e a opção de um ou outro é apresentada ao jogador como uma escolha nítida e clara daquilo que iremos optar. Isto prejudica sem dúvida o desenrolar do jogo e a escolha genuína do jogador porque é conveniente enveredar por um lado ou por outro, sendo o meio-termo o pior. Como tal, no geral vamos optar por um ou por outro, e nada nos faz pensar o que será melhor, simplesmente escolhemos a opção que se apresenta a azul ou a vermelho. Assim, a moral do jogador deixa de ser testada e a única coisa que é testada é a capacidade do jogador de carregar no botão certo, o que por vezes até pode ser um problema.

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O botão para atacar é o mesmo que é usado para tomar a decisão de ser o mau da fita, como tal é frequente estarem a tentar derrotar um inimigo e acabarem por matá-lo. Assim sendo, é preciso, como na vida real, ter cuidado para ser bonzinho. A jogabilidade é um misto de satisfação que os nossos poderes nos transmitem e por vezes frustração devido ao tipo de inimigos que encontramos. Os inimigos “básicos” atacam à distância com metralhadoras, nós temos ataques à distância mas também de corpo a corpo. Os ataques à distância requerem energia, mas esta rapidamente se esgota. O ataque corpo a corpo é sempre possível, mas a natureza destes ataques contra inimigos que atacam à distância, e que nos obrigam a andar sempre de um lado para o outro devido a estarem todos separados por uma grande distância, acaba por tornar o sistema de combate algo desconexo. No entanto, a satisfação com o uso de superpoderes como Smoke e Neon é impossível de negar, oferecendo muita variedade (e consequentemente alguma inutilidade) e efeitos gráficos impressionantes.

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Os controlos ao explorar o mapa são bons e raramente oferecem problemas de maior, mas há várias situações de sítios que supostamente parecem possíveis de subir ou trepar e que não o são, mesmo quando há 2 minutos atrás fizemos algo praticamente idêntico. Explorar a cidade é agradável, mas esta é despida, sem grande vida e sem grande actividade. Juntando isto a missões sem inspiração e uma falta de missões secundárias interessantes acabamos com um jogo insosso. Felizmente o jogo apresenta-se colorido e com gráficos que causam sem dúvida um bom impacto visual. É impossível de negar o facto do jogo parecer next-gen em termos gráficos, estes são deveras impressionantes, com um horizonte visual enorme, efeitos de chuva e partículas soberbos e uma cidade com texturas de fazer água na boca a qualquer um.

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Só é pena que o resto não acompanhe a espetacularidade geral dos gráficos. O jogo faz também algum uso do touchpad do comando da Playstation 4, em algumas situações a sua utilização tem alguma piada mas no geral é largamente desnecessário, algo que foi implementado apenas para dizer que fizeram algo com a tecnologia disponível. No geral, Second Son é um jogo agradável e bastante jogável, mas é pena a sua história ser demasiado fraca e a jogabilidade por vezes ser completamente fora daquilo que parece natural ao jogador. Tendo em conta que neste momento os jogos disponíveis na nova consola da Sony são poucos, Infamous: Second Son é um bom título para os que andam sedentos de jogar alguma coisa. Se ainda não têm a nova consola da Sony, não me parece valer a pena comprá-la só por este jogo, a menos que sejam grandes fãs da série.

Autor: Ivan Cordeiro Pesquise todos os artigos por

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