Johnny Bazookatone

7
Longevidade: 5/10
Jogabilidade: 6/10
Gráficos: 8/10
Som: 9/10

Música excelente e solos de guitarra de qualidade

Poucos níveis e demasiada dificuldade

Desenvolvido pela Arc Development este jogo de plataformas saído em 1996 para Playstation 1, 3DO, Sega Saturn e PC, é um daqueles jogos mal-amados pela crítica. Os motivos? Já lá vamos. Primeiro a história que dá mote ao jogo. Seguimos a aventura de Johnny passada no ano de 2055. Com a ajuda dos seus colegas músicos, este pequeno personagem consegue trazer paz e harmonia ao mundo através da sua música. Tudo isto tem um fim quando o vilão Mr. L. Diablo, Senhor do Submundo, rouba o maior bem de Johnny: a sua guitarra, amavelmente chamada de Anita. Após tratar do nosso herói de cabelo lilás, L. Diablo ordena aos seus minions (ou imps) que capturem as restantes lendas do mundo da música.

Tendo esta motivação, Johnny e a sua nova guitarra/metralhadora aventuram-se pelo mundo de Sin Sin Prison. Entre os diversos níveis, encontramos a Prisão, o Hotel, Restaurante, Hospital e por fim a Penthouse. Cada um destes níveis tem entre 2 a 5 capítulos, sempre em localizações diferentes mas com um tipo de ambiente semelhante. Os inimigos vão sendo adicionados conforme avançamos de nível: começamos com esqueletos e minions no cemitério da prisão, até ao El Diablo em pessoa – neste caso demónio – no seu covil, situado algures dentro de uma penthouse.

Parece algo estranho, admito. Mas no fundo, andar com um músico de cabelo e barba lilás a atravessar cenários extremamente bem desenhados ao som de boa música acaba por ser atractivo.

Avancemos agora para o que levou a que o jogo fosse mal recebido pela crítica, acabando por ser categorizado como mediano. No fundo, e talvez mais do que a sua história meio estranha foi a sua (extrema) dificuldade. Sim, o jogo é realmente muito difícil ao ponto de se tornar frustrante e de só querermos desligar e mandar o comando ao chão. Entre voos demasiado longos com a ajuda da guitarra, que também serve de jet-pack, saltos praticamente impossíveis e imensos espinhos pelo caminho, jogar um pouco de Johnny Bazookatone por vezes torna-se uma tarefa bem irritante para qualquer pessoa… Agora percebo o porquê de quando era criança nunca ter conseguido passar de uma certa fase, julgando sempre que o problema deveria ser eu. No entanto, o que seria de um jogo se não tivesse a sua dose de dificuldade?

Como já referi, a guitarra/metralhadora que acompanha Johnny na sua jornada é dotada de uma habilidade que nos permite executar pequenos voos para zonas que de outra forma seriam impossíveis de lá chegar – e mesmo assim continua a ser bem complicado. Esta guitarra tem ainda dois tipos de ataque: um deles é o da metralhadora propriamente dita e o outro é uma onda de choque conseguida ao tocar a guitarra. Temos ainda diversos itens para recolher em cada nível como notas musicais, estrelas e vidas, o normal em qualquer jogo de plataformas.

Os gráficos são de facto muito bem desenhados, com cores fantásticas e ambientes que atingem aquilo que era suposto. Lembro-me que logo quando o jogo saiu e eu ainda era uma criança, o capítulo da cirurgia no Hospital conseguia deixar-me aterrorizada.

Mas o que mais interessa neste jogo e que o distingue dos restantes, pois até aqui é apenas mais um side-scroller de plataformas, é a banda sonora. Há quem a considere rock de má qualidade, outros consideram-na viciante e digna de ser ouvida. Eu estou neste último grupo. Baseado no videojogo, saiu ainda um CD com 24 músicas. Entre rock, jazz e até techno, o equilíbrio das melodias conseguiu despertar o meu interesse por solos de guitarra intermináveis e não foram poucos os dias em que deixei-me ficar com o jogo aberto simplesmente para os escutar. Tenho um certo gosto especial pela música Deadbolt, e ainda hoje a sensação ao ouvir os sons do saxofone e da guitarra é a mesma de quando a descobri. Além disto, esta banda sonora contou com a presença especial de Richie Sambora – guitarrista dos Bon Jovi. Como um bom acréscimo existem ainda uns mini clipes sonoros nas cutscenes do jogo e quando salvamos algum dos nossos colegas músicos estes mostram-nos um pouco dos seus dotes.

Apesar de não ser um jogo dotado de uma genialidade única, Johnny Bazookatone é um exemplo perfeito de como a boa música e jogos funcionam juntos na perfeição e que um jogo não precisa de ser diferente ou agradar a todos para nos conseguir marcar.

Autor: Silvia Farinha Pesquise todos os artigos por

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