Kid Chameleon

7
Longevidade: 7/10
Jogabilidade: 8/10
Gráficos: 7/10
Som: 7/10

As máscaras com habilidades diferentes | Jogabilidade viciante

Dificuldade muito acentuada em fases mais avançadas do jogo

Casaco de cabedal? Check! Óculos de sol? Check! Prancha de skate? Check! Mete-se tudo na misturadora, acrescenta-se um nome que soe bem, tipo Casey, e estão reunidos os ingredientes para a criação de uma típica personagem cool dos anos 90. Realmente, se olharmos para a capa do jogo e ouvirmos uma pequena descrição sobre ele, compreende-se que se ache que é mais um jogo de plataformas, como outro qualquer (coisa que não faltava na biblioteca da Mega Drive). No entanto, Kid Chameleon é um pouco mais do que isso, basta estarem dispostos a dedicarem-lhe algum tempo e paciência. Em termos de história não é nada de especial: há um novo jogo de arcade com realidade virtual chamado WildSide e todos os miúdos do bairro correm para o ir jogar; o problema é que todos eles ficaram presos dentro do jogo quando não o conseguiram acabar. É aqui que surge Casey, o nosso herói, também conhecido por Kid Chameleon, que resolve entrar no jogo para salvar os seus amigos.

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A premissa do jogo baseia-se na alcunha de Casey, que está relacionada com a sua capacidade de adoptar diferentes habilidades conforme as máscaras que apanha no decorrer da sua aventura. Este é, sem dúvida, o grande foco do jogo e são estas máscaras e habilidades diferentes que vão influenciar a sua jogabilidade. Temos então um total de 9 máscaras diferentes, o que confere uma boa diversidade e ajuda a manter o jogo interessante por mais tempo. Entre elas encontramos uma máscara de samurai, uma de cavaleiro medieval, uma parecida com um rinoceronte e até uma “homenagem” a Jason Vorhees, dos filmes “Sexta-Feira 13”. Todas elas, como já foi dito, têm um propósito diferente e não estão ali por acaso ou apenas para ser bonito.

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Este sistema de power-ups não é revolucionário, basta pensarmos em qualquer título de Super Mario Bros. para confirmarmos isso; contudo, a parte em que Kid Chameleon se distingue é que estes power-ups têm de ser usados mais estrategicamente e com algum cuidado, pois qualquer imprudência ou impulsividade é rapidamente castigada. Com isto quero dizer que, quando jogamos Super Mario Bros., por exemplo, o facto de apanharmos um cogumelo, apesar de facilitar a vida, não interfere com a nossa capacidade de acabarmos ou não o nível; já em Kid Chameleon é muito difícil chegarmos ao final sem usarmos uma máscara. Pior ainda, existem determinadas áreas do cenário que apenas podemos transpor com a ajuda de uma determinada máscara, o que significa que há muito espaço para errarmos, ficarmos presos e, consequentemente, atirarmos com o comando à parede em frustração.

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Uma característica que este jogo tem em comum com muitos da sua geração é que tem um grau de dificuldade bastante acentuado. Alguns níveis parecem mesmo impossíveis de passar, sem que tenhamos de perder um dia inteiro a tentar; a prova disto é que, até aos dias de hoje, ainda não conheci uma pessoa que tenha conseguido acabar o jogo (se andar por aí alguma perdida que se manifeste para eu lhe demonstrar a minha admiração!). Em suma, apesar de não ser revolucionário, Kid Chameleon utiliza bem o conceito que se propõe a explorar. Era muito fácil ter caído na mediocridade e ser apenas mais um platformer com power-ups engraçados mas ainda bem que fugiu disso. As máscaras conseguem, ao mesmo tempo, ser divertidas de usar e desafiantes de aplicar correctamente, pois à medida que avançamos no jogo, a dificuldade vai-se ajustando (leia-se aumentando gradualmente), obrigando-nos a pensar bem nos próximos passos e abordagens a tomar.

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Na minha humilde opinião, este é mais um daqueles jogos da Mega Drive que têm tanto de hidden gem como de must have.

Autor: Miguel Coelho Pesquise todos os artigos por

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