Kirby’s Epic Yarn

Um conceito refrescante e original

Kirby's Epic Yarn (banner600x150)

Não se pode dizer que, apesar de ser uma consola malograda pelos jogadores mais hardcore, a Nintendo Wii não tenha tido as suas pérolas. E, como habitual, muitas delas vêm dos estúdios internos do gigante nipónico. É o caso da aventura épica de Kirby, a primeira na Wii, lançada em 2010. A Nintendo viu um potencial tremendo num novo projecto desenvolvido pela Good-Feel e não o desperdiçou. Recrutou a HAL-Laboratories para colaborar e atribuir a chancela de um dos seus personagens icónicos: Kirby, o comilão polimorfo. A produtora, que estaria a ter alguns problemas com a identidade do protagonista e detalhes do desenvolvimento, beneficiou desta colaboração criando um dos melhores platformers que agraciou a consola.

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O produto em desenvolvimento pela Good-Feel fundamentava-se no uso e abuso de um conceito: o fio. E se tudo fosse feito de fio e tecido? Criou um mundo em camadas onde os cenários e personagens eram feitas de fio e onde este facto estaria intimamente ligado com a jogabilidade. Apesar de esse parecer um conceito estranho a Kirby, a verdade é que a forma esférica e mole do personagem provou ser ideal para que o conceito resultasse, trazendo a personalidade e carisma necessários a uma ideia já de si genial. O grafismo apresenta-se colorido e acolhedor bem como a sonoplastia, orgânica e adequada. Tomoya Tomita manteve a linha dos sons quentes e preenchidos com um forte predomínio do piano em complemento com instrumentos de sopro e alguma percussão acrescentando discretamente elementos mais típicos dos jogos Kirby. Este casamento grafismo-som está de tal forma perfeito que é difícil de os imaginar um sem o outro.

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Quanto à estória é simples: a gula de Kirby levou-o a comer o fruto proibido e acabou feito em fio neste mundo da costura. Yin-Yarn, o grande vilão, dividiu o mundo em sete pedaços e nós teremos de ajudar o Príncipe Fluff (aparentemente o herói original) a reunir pedaços de fio mágico que servirão para o voltar a unir. Encontraremos aliados, velhos inimigos e bosses bem imaginativos. É preciso mais? Alguns dos níveis são verdadeiras lições de level design com ideias refrescantes e originais que dão nova vida aos típicos “nível da lava”, “nível dos brinquedos” ou “nível das notas musicais”. A forma como o grafismo serve os elementos da jogabilidade é soberba!

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Não alheio a tudo isto é o facto de, em locais e momentos específicos, Kirby se transformar em diferentes veículos: um camião de bombeiros, uma nave espacial, um comboio, um monster truck, um foguetão, e muito mais. Estes vão além da mera função estética abrindo novas possibilidades e mecânicas de jogo. A diversidade é impressionante e raramente nos vemos perante um momento aborrecido. A forma como estes se intercalam com os elementos mais tradicionais é muito bem conseguida e alguns níveis têm um ritmo muito próprio.

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O que nos leva ao principal defeito do jogo: a sua facilidade. Kirby’s Epic Yarn é, num primeiro contacto, tremendamente fácil – aliás, é impossível morrer façam o que fizerem. Esta foi uma das maiores dificuldades da equipa de produção numa fase inicial, mesmo antes de este jogo ser um jogo do Kirby. A Good-Feel endereçou este problema de uma forma não original mas competente: o nosso objectivo não é mantermo-nos vivos mas fazer a melhor pontuação – para isso temos de coleccionar gemas, tesouros e manter um ritmo, uma streak que nos dá pontos de bónus. Numa fase inicial estarão a fazer medalhas de ouro só com uma mão, mas logo perceberão que existe um desafio tremendamente recompensante em conseguir bater os níveis da forma mais perfeita possível. Perderão gemas ao ser atingidos, ao cair e o simples facto de irem contra uma parede ou inimigo desencadeia uma animação que vos humilha um pouquinho… Esta facilidade inicial pode, mesmo assim, afastar aqueles que procuram um desafio, mas mesmo estes serão recompensados pela sua paciência. Nada disto seria importante se os controlos não respondessem da forma mais adequada. Tratando-se de um platformer da Nintendo, o que acham? Simples e capazes.

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Depois de terminarmos o modo principal (ou à medida que avançamos) ganharemos novas motivações para repetir os níveis sob a forma de mini-jogos com objectivos específicos que podem mudar ligeiramente a abordagem aos mesmos. Temos inúmeros segredos, níveis e remendos (coleccionáveis) para descobrir sendo que as tais playthroughs perfeitas podem abrir novas portas. Podemos também vestir a pele de um decorador e usar os colecionáveis para tornar o apartamento de Kirby mais habitável ou pura e simplesmente um local de hoarding.

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O jogo de estreia de Kirby na Nintendo Wii pode não ter sido concebido originalmente como tal, mas o visual e sonoplastia assentam no personagem que nem uma luva. O casamento entre as duas produtoras internas da Nintendo gerou um dos melhores títulos da Wii e um dos mais refrescantes da sua época. É um imprescindível da consola e podem disfrutar dele através a Virtual Console a um preço acessível.

up
Veredicto
Este jogo é um mimo! Vale a pena experimentar pela originalidade e aspecto gráfico. É uma das pérolas da Wii.
Plataforma
Wii
Produtora
Hal-Laboratories
Autor: Sérgio Cardoso Pesquise todos os artigos por

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