Lego City Undercover: The Chase Begins

9
Longevidade: 9/10
Jogabilidade: 9/10
Gráficos: 9/10
Som: 8/10

Óptimo sentido de humor

Algumas limitações gráficas (mas não deixa de ter óptimo aspecto)

Depois das readaptações de alguns franchises célebres como Batman e Star Wars, os Legos saem novamente da caixa para construir uma aventura com a mesma (ou superior) qualidade dos seus antecessores.

Em LEGO City Undercover todas essas personagens míticas são deixadas de lado para dar lugar a uma aventura original protagonizada pelo agente de polícia Chase McCain. Se no título disponível para a Wii U este agente é já uma “lendária” força da lei, na versão 3DS recuamos 2 anos no tempo e descobrimos o que antecedeu essa reputação, a ascensão de Chase desde o novato da força policial da LEGO City até se tornar um grande profissional. O herói começa por baixo, a buscar donuts para os colegas e a resgatar cães e gatinhos, mas rapidamente as coisas tornam-se mais emocionantes. Chase envereda por missões mais arriscadas a investigar e a infiltrar-se em gangs, desmantelando-os um a um. As coisas tornar-se-ão progressivamente mais complicadas até o confronto com o gang do mauzão amarelo Rex Fury.

Desenganem-se se pensam que será uma história sisuda de crime e gangsters pois tudo isto é doseado com uma enorme boa disposição e sentido de humor, que dão a este jogo uma personalidade muito própria, potenciada pela estética característica dos Legos, numa envolvência muito cartoon. Este grafismo funciona muito bem na 3DS e provavelmente é a melhor forma da consola portátil da Nintendo suportar cenários tão vastos e povoados de personagens, ainda que seja um pouco estranho ver os transeuntes a materializar-se na rua à frente dos nossos olhos (mas este é um problema menor para um jogo cheio de qualidades). Se calhar este género pode não ser muito atractivo a adolescentes, mas o público-alvo para este jogo serão as crianças até cerca dos 12 anos e seus pais e, tal como acontece por exemplo nos filmes de animação da Pixar e Dreamworks, tudo é bem doseado para manter o interesse dessas duas faixas etárias.

A jogabilidade gira à volta da investigação, combate e perseguições num mundo, ou melhor, cidade, aberta à nossa exploração. É inevitável a comparação com Grand Theft Auto (GTA) e com outros jogos Sandbox e o que podemos dizer é que é realmente comparável, simplificando algumas mecânicas, acrescentando outras, mas no fundo a maior diferença está a nível da abordagem humorística do tema. No nosso papel de polícia podemos percorrer a cidade a pé ou a bordo de diversos veículos, seguindo os pontos de interesse no mapa do ecrã inferior. A partir daí o desenvolvimento pode passar por usar a nossa lupa especial que revela rastos para seguir e desenterrar pistas, ou, noutras ocasiões, fazer saltos acrobáticos pelos telhados acima e lançar arpões para chegar mais longe. Em termos de actividades menos pacifistas poderemos andar à pancada com os bandidos e, diga-se de passagem, Chase apesar de novato é já um excelente atleta e karateca, participando em cenas de combate corpo a corpo dignas de um filme de Jackie Chan. Na vertente de infiltrado o nosso herói passará por uma série de empregos tão diversificados como por exemplo trolha, mineiro, astronauta, bombeiro e bandido, cada um dos quais com equipamento e habilidades próprias dessas actividades (toda a gente sabe que os astronautas podem teletransportar-se e andam sempre equipados com jetpacks, raios congeladores e scanners de aliens).

Num jogo referente ao universo dos Legos é essencial a vertente da construção e isso está patente no jogo. Por um lado pela desconstrução, podemos partir quase tudo em peças de lego que armazenamos e que nos permitem, em certas ocasiões, fazer construções para alterar o cenário e aceder a diferentes locais. Esta mecânica poderia ser levada mais longe mas é usada de forma relativamente contida, o que faz sentido pois, caso contrário, o jogo poder-se-ia tornar demasiado “mágico”, e o que interessa na realidade é o combate ao crime.

Tudo é efectuado como seria de esperar neste tipo de jogo mas o facto de jogarmos na 3DS leva a que existam alguns elementos de jogabilidade específicos do sistema, como é o caso do uso de binóculos ou de dispositivos de escuta que funcionam com o acelerómetro da consola e nos farão movê-la de um lado para o outro de forma a encontrar um ponto relevante da paisagem ou a frequência sonora correcta (felizmente é dada também a opção de utilizar as mesmas funções através do touch screen, o que é menos divertido mas pode evitar momentos embaraçosos, se jogarmos em espaços públicos). O som está bem trabalhado a nível das vozes e a versão portuguesa está muito bem conseguida com todas as locuções e traduções dos textos. Em termos musicais não se destaca especialmente.

É um jogo bastante variado com muito que fazer nas variadas missões que aceitaremos. Ao contrário de GTA, a temática do jogo é completamente inofensiva e apropriada aos mais novos mas interessará igualmente a um público adulto. Mais uma vez os Legos mostram ser uma base de trabalho para a criação de bons jogos e provam que não têm necessariamente que se aliar a outros franchises para criar experiências criativas e interessantes.

Autor: Joao Sousa Pesquise todos os artigos por

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