LEGO The Hobbit

8
Longevidade: 8/10
Jogabilidade: 8/10
Gráficos: 8/10
Som: 8/10

Bom sentido de humor | Jogabilidade simples e intuitiva

Sandbox mal aproveitado | Pouca distinção entre muitas das personagens que podemos desbloquear

Tenho uma confissão a vos fazer: Apesar de ser um grande fã de LEGO, nunca tinha jogado a fundo nenhum destes jogos modernos da série. Sendo eu também um grande fã das obras de Tolkien, este LEGO The Hobbit foi a oportunidade perfeita para preencher esta minha lacuna. Apesar de estarmos quase a chegar ao final da trilogia de filmes sobre este livro de Tolkien, este jogo assenta nos acontecimentos dos primeiros dois filmes e representa a história fielmente como foi visto nos mesmos. Vamos então participar em vários dos acontecimentos marcantes que tínhamos vistos antes no grande ecrã, desde batalhas épicas contra Orcs, passeios pelas paisagens verdejantes do The Shire, até vários mini jogos como a sequência dos dwarves atirarem os pratos de um lado para o outro na casa de Bilbo, logo no início da aventura. Mas isto tudo sempre servido com o habitual humor à mistura que estes jogos da LEGO sempre tiveram.

Lego the Hobbit (8)

O jogo apresenta uma estrutura em sandbox, muito popular nos videojogos da actualidade. Começamos a aventura a relembrar os tempos áureos dos dwarves na Lonely Mountain, até que o Dragão Smaug invade a fortaleza, arrastando o Rei Thror e todos os seus súbditos para o exílio, incluindo Thorin e os seus fiéis companheiros, protagonistas na aventura. Passamos logo depois para a província do The Shire, casa dos amáveis e despreocupados Hobbits, onde Gandalf, Thorin e companhia convencem Bilbo Baggins a participar na sua aventura, de forma a retomar a Lonely Mountain a quem de direito. Após estes momentos iniciais somos largados na vila de Bag End onde vemos um rasto de pecinhas azuis de LEGO que nos encaminham para a missão seguinte de forma a prosseguir pela história. Mas se o desejarmos, podemos explorar livremente a restante vila e interagir com os seus habitantes, participando numa série de sidequests. Ao carregar em select podemos ver o mapa onde estão marcados uma série de coisas paralelas que podemos cumprir, desde as tais sidequests, bem como explorar cavernas ou tentar coleccionar objectos como mythril bricks, recrutar novas personagens ou receitas para forjar equipamento. E aqui o jogo pisca um pouco o olho a Minecraft. Ao longo de toda a aventura podemos destruir imensos objectos construídos por pecinhas LEGO como mobílias, rochas ou plantas para coleccionar vários “ingredientes”. Esses ingredientes podem depois ser utilizados quer para troca por outros através de NPCs, como poderão ser necessários para construir algumas estruturas no jogo ou mesmo forjar equipamento para as personagens.

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Também poderemos re-jogar as missões principais mais tarde de forma a encontrar todos os extras que por lá estão escondidos. Tal como as sidequests, inicialmente não vamos poder fazê-las todas porque a party que nos acompanha não possui todas as habilidades necessárias, como utilizar fisgas para acertar em alvos próprios, uma corrente para puxar ganchos, ou uma pá para escavar alguns locais, por exemplo. É à medida que vamos jogando que iremos ter acesso a outras personagens que possuem estas diferentes habilidades e depois as poderemos utilizar tanto fora das missões principais, como dentro das mesmas se jogadas no modo “Free Play”. E também tal como nas missões principais, se seleccionarmos alguma destas sidequests no mapa, surge um trilho no ecrã que nos mostra o caminho a seguir. Infelizmente este backtracking que nos é muito familiar em diversos metroidvanias acaba por tornar as coisas algo aborrecidas porque a recompensa nunca é assim tão boa, bem como o tempo que perdemos a andar de um lado para o outro sente-se como uma “tarefa chata”. Felizmente mais lá para a frente poderemos contar com uma águia gigante que nos leve de uma porção do mapa para a outra, de forma a facilitar um pouco mais as coisas.

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A jogabilidade é bastante simples, com um sistema de combate básico, as diferentes habilidades que cada personagem poderá ter e a forma em como as implementaram no decorrer do jogo. Quando nos deparamos com um destes obstáculos, por exemplo um bloco gigante de rocha que tem de ser movido e não estivermos a jogar com a personagem certa, se houver alguém no grupo com a habilidade necessária então surgirá no ecrã a informação para o jogador mudar de personagem e a personagem certa acenará, tornando assim as coisas o mais intuitivas possível para o jogador. De resto podemos também contar com algumas sequências mais épicas pautadas pelos já habituais Quick Time Events, mas os minijogos que mais gostei, como grande fã de LEGO que sou, são aqueles segmentos em que teremos de construir uma estrutura. Aí vamos vendo no ecrã essa estrutura a ser construída peça a peça, até que em certos pontos a acção pára e temos de ser nós a indicar qual a peça a colocar em seguida.

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Graficamente é um jogo bastante competente para o que se compromete. Nem tudo no mundo são peças LEGO, as paisagens, casas, cavernas e afins têm um grafismo mais realista, o que para um purista como eu preferia ver tudo construído com blocos. O voice acting como não poderia deixar de ser é excelente assim como as próprias músicas são épicas tal como são nos filmes. Os momentos de bom humor são sempre bem-vindos e dão um toque especial ao jogo, como tem sido habitual nos videojogos da LEGO.

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No fim de contas este LEGO the Hobbit parece-me um jogo bem sólido. Se são fãs de LEGO, de Tolkien e estão à procura de um jogo de acção para entreter nestas tardes de Páscoa, LEGO The Hobbit é uma óptima escolha. Ainda assim não considero o jogo perfeito, e muitos destes elementos de sandbox não me parecem acrescentar algo de muito valor à experiência. O facto de termos de andar constantemente a destruir tudo à nossa volta para conseguir os recursos/ingredientes necessários a muitas destas sidequests  e o backtracking necessário acabam por trazer algum aborrecimento quando um videojogo deveria cativar constantemente o jogador.

Autor: Ivo Leitao Pesquise todos os artigos por

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