Loading Human

A humanização do VR em passos imprecisos.

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Este é o meu primeiro texto sobre um jogo VR. Já testei meia dúzia deles, mas ainda não tinha metido no papel nenhuma impressão sobre esta nova filosofia de jogo. E a realidade (“não virtual”) é que é difícil escrever, pois o número de títulos ainda é reduzido e os pontos de comparação existentes pouco consolidados. O bom e o mau, o inovador e o repetitivo, o doce e o amargo, são adjectivos que ainda tenho dificuldade em empregar.

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Vamos, assim, ver este título e tentar dar uma impressão descontraída. Loading Human é o nome do jogo que me caiu na mesa. Sem nunca ter visto um trailer ou lido uma palavra sobre o mesmo, instalei-o.

Para situar o leitor, temos um jogo de ficção-científica, na primeira pessoa, em ritmo lento. O manuseamento de objectos, puzzles e uma interessante interacção com outras personagens fazem de Loading Human um interessante título nesta altura (inicial) do campeonato. E nesta fase, em que ainda ando a descobrir o que o VR me pode oferecer, o primeiro impacto teve tanto de bom como de mau. O que primeiro me saltou à vista, foram os controlos. Deveria dizer “saltar aos pés”, pois é mesmo na movimentação que o jogo eleva a expressão “calcanhar de Aquiles” a níveis incompreensíveis. É horrível, e estou a ser simpático. Andar para a frente ou para trás é fácil, mas fazer uma curva é um pesadelo. Se estiver a andar e olhar noutra direcção, o personagem tende a ajustar o curso da trajectória, mas pouco. Começa realmente a curvar, mas pouco e a uma velocidade ainda mais lenta que o habitual. E não é bem curvar, é mais andar de lado. Simplesmente, não existe mudança de direcção! Para curvar mais rápido tenho de dar uma “guinada” de noventa graus, com transição instantânea. Olhar em redor é fluído, tal como o andar em frente. Virar em ângulo recto é imediato, salta noventa graus num um único frame. O que era suave passa a arranhar e de que maneira. É como colocar álcool no rosto, após fazer a barba. Agora imaginem um percurso em curva acentuada e termos de andar a virar em ângulos rectos. Tudo suave e depois… arranha! Doce e amargo! Podemos sempre virar a cabeça na direcção que queremos, mas o ajuste da trajectória é lento e ineficaz. Se estivermos parados e olharmos em redor tudo funciona, dando uma sensação muito boa de inclusão no cenário, mas a andar… é medonho. Para além de a direcção ser má, a velocidade é de caracol. Uma das situações com que me deparei, foi precisamente num cenário de incêndio, onde tinha que salvar uma das personagens. Estava eu rodeado por chamas e o boneco andava como o trânsito numa tarde de Domingo.

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Tirando este pequeno “grande” pormenor, o jogo está interessante. Consegue inserir-nos no cenário de uma maneira bastante satisfatória e, ao jogar, ia-me lembrando do estilo de Heavy Rain. Se tivesse que indicar um título semelhante como exemplo, sem pensar muito, era o que eu escolheria. Tem diferenças, claro, mas também muitas semelhanças. Loading Human é um jogo calmo, com inclusão de situações banais do dia-a-dia. Tenta através da simplicidade do quotidiano nos transportar para dentro do jogo. E isso fá-lo bem. O manuseamento dos objectos está bem feito, embora demore o seu tempo a perceber como tudo funciona. O mesmo objecto pode ser segurado com a mão esquerda ou direita e, muitas vezes, segurar com uma delas e interagir com a outra.

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O ambiente é jeitoso dando-nos um mundo confortável para interagir.

Falando da componente VR, e lá está, sem ter muitos pontos de comparação, diria que nesta fase de lançamento da tecnologia, o jogo cumpre sem grandes falhas (tirando a movimentação horrível). O 3D está bastante aceitável e a profundidade de campo bem executada. O som está bem incorporado nesta realidade virtual. A acção decorre praticamente toda num espaço físico relativamente curto, o que permite melhor apreciar os detalhes de cada pedaço de terreno. O VR coloca-nos, de facto, dentro da acção.

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Noto, igualmente, que para além de uma boa adaptação a esta nova realidade de jogo, os seus criadores conseguiram também oferecer uma história interessante com uma boa interacção com as personagens. A ligação interpessoal tem um factor bem positivo.

Como jogo VR o resultado é positivo, interessante, todavia sem deslumbrar. Fico a pensar o que seria se fosse um jogo à moda antiga sem VR… a reacção aos controlos teria sido motivo para o encostar. Mas, sendo VR, sendo algo novo, tendo em conta esta nova envolvência que nos leva a querer ver um pouco mais, acabamos por nos deixar levar e no fim achar que até foi uma boa experiência.

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Veredicto
Para uma tecnologia a dar os primeiros passos de um modo sério, temos aqui um título que, apesar de não deslumbrar, acaba por transmitir uma boa experiência.
Plataforma
PS4 VR
Produtora
Maximum Games
Autor: Tiago Dias Pesquise todos os artigos por

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