LostWinds

8
Longevidade: 6/10
Jogabilidade: 7/10
Gráficos: 9/10
Som: 8/10

Grafismo e estética impecavelmente conseguidos. Mecânicas interessantes

A narrativa que não nos traz surpresas e é desinteressante. O Pacing é aborrecido

Raros são os jogos que com apenas uma imagem nos conseguem despertar uma imensa curiosidade por experimentá-los, e LostWinds é claramente uma excepção nesse aspecto. As personagens esteticamente icónicas e os ambientes gráficos dignos de filme de animação tornam este título uma brisa refrescante (literalmente uma brisa refrescante) em relação ao que se tem feito para iPad.

O jogo começa por nos apresentar uma personagem que, apesar do seu interessante aspecto, não nos mostra muita profundidade (e, infelizmente, essa profundidade não chega durante o resto do jogo). A narrativa é também desinteressante para aqueles que gostam de um jogo com polpa, com alguns recursos ao desenvencilho fácil dos nós narrativos. O que não deixa de ser interessante é que o cuidado com as personagens, principalmente as secundárias, é notório enquanto jogamos. Todos os NPC’s têm algo para nos dizer (por muito inútil que seja), o que prova que o desinteresse da linha narrativa principal possa ser uma táctica para prender os jogadores mais casuais. O jogo tem também algumas lacunas no que toca à relação do nosso avatar com o mundo de jogo, o que nos faz sentir que a nossa própria personagem está um pouco distanciada de um dos nossos principais objectivos e interesses, salvar a aldeia.

Desde o momento que começamos a jogar é evidente que o jogo é uma adaptação da Wii e os controlos são o principal denunciador. Fica difícil deslocar o avatar ao mesmo tempo que tentamos utilizar o poder do vento, e apesar de melhorar um pouco com o D-Pad, o problema não fica totalmente resolvido. Com o passar do tempo e com a evolução das habilidades, os controles acabam por comprometer uma curva de aprendizagem muito interessante e uma evolução de habilidades bastante bem conseguida. LostWinds é o exemplo de como a plataforma errada pode prejudicar o gameplay. São precisamente os ineficazes controlos que retiram um pouco da magia por detrás das mecânicas-base implementadas no jogo, principalmente quando utilizamos os poderes do vento. A dificuldade do jogo pode também ser um pouco desmotivante para jogadores mais experientes mas pode revelar-se eficaz com os mais pequenos ou jogadores casuais.

Graficamente o jogo não podia ser mais interessante. O avatar é extremamente apelativo, tem um aspecto transversal a géneros e idades e é facilmente reconhecível e icónico. Os ambientes mostram-nos a mistura entre uma idílica cultura japonesa e um qualquer sítio remoto da América do Sul, que conseguem transparecer algumas referências culturais (o similar aspecto com as vestimentas astecas não pode ser uma coincidência). A arquitectura foi também claramente pensada, é querente (como todo o grafismo do jogo, diga-se de passagem) e tem imensas referências visuais ao vento e consequentemente aos poderes que são concedidos ao avatar. As cutscenes estão também muito bem conseguidas graficamente, e a diferenciação entre a acção e os fundos, tão importante num jogo 2.5D, é também conseguida de maneira eficaz, o que ajuda à fácil adaptação visual, que pode ser decisiva quando o mercado é o de jogadores maioritariamente casuais, como o mercado do iPad.

Em termos sonoros encontramos um pau de dois bicos. Por um lado, o jogo presenteia-nos com composições que nos conseguem fazer sentir incluídos no conceito de jogo e de nos tornar abstraídos o suficiente, ao ponto de nos transportar para a cultura asiática. A escola dos instrumentos é adequada, as melodias são abstractas e o ritmo das composições está no ponto certo para o estilo de jogo. Por outro lado, estas melodias são bastante parecidas e repetitivas e os ambientes sonoros temperam os ambientes gráficos com uma pitada de monotonia. A escolha das músicas para pontos específicos da narrativa podia também ser mais acertada e cuidada.

Em suma, LostWinds acaba por tornar-se um jogo bastante interessante, principalmente em termos visuais. É um título que se diferencia em relação ao que estamos habituados para esta plataforma.
A beleza das mecânicas e a impressionante originalidade estética salvam o jogo de uma jogabilidade não muito divertida mas que é um verdadeiro deleite visual.

Autor: Diogo Martins Pesquise todos os artigos por

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