Mario Power Tennis

8
Longevidade: 9/10
Jogabilidade: 8/10
Gráficos: 8/10
Som: 7/10

Vários minijogos que podem ser acedidos posteriormente no menu inicial | Powershots divertidos

Apenas o modo RPG ser jogável desde o início | Menos personagens da Nintendo jogáveis

Apesar de a profissão original de Mario ser a de um nobre canalizador, a verdade é que em cerca de 30 anos de carreira nunca o vi a mexer em canos nenhuns. Desde a sua super aventura de 1985 que a sua principal ocupação tem sindo resgatar a princesa Peach de Bowser e outros inimigos, mas devido ao seu sucesso a Nintendo também o colocou com outras ocupações, desde a construção civil em Wrecking Crew, passando por praticar imensos outros desportos incluindo o Ténis. Apesar da série Mario Tennis apenas ter começado oficialmente desde a Nintendo 64, a verdade é que a ligação do bigodaças ao desporto já vem desde a NES em Tennis, onde Mario tomava o papel de árbitro. E com o sucesso que esse jogo da N64 teve, naturalmente despoletou as suas sequelas entre as quais a dupla de jogos Mario Power Tennis, com lançamentos para a Gamecube e Gameboy Advance, sendo esta última a versão aqui analisada.

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E o que posso dizer logo desde o início é que este Mario Power Tennis para a GBA é um jogo muito diferente dos restantes. Enquanto a versão Gamecube é um título com uma vertente muito forte para o multiplayer, dando-nos logo de início o Exhibition Mode onde podemos partir logo para a acção, a vertente GBA tem uma aproximação muito diferente. Já na prequela que saiu para a Gameboy Color tínhamos uma vertente meio “RPG”, onde escolhíamos uma personagem para representar e tínhamos de a guiar desde o seu início da carreira numa academia de ténis até ao estrelato mundial, evoluindo e treinando as suas habilidades de ténis pelo meio. Aqui neste jogo, quando o começamos pela primeira vez, somos logo largados neste mundo de “RPG”, onde mais uma vez encarnamos num jovem à nossa escolha numa academia de ténis, onde teremos de ir treinando as nossas habilidades. Este modo RPG, para além de servir como modo de história, serve também como um tutorial gigante, onde vamos aprendendo todas as regras e truques da modalidade, bem como participar em vários minijogos para treinar a nossa personagem. Infelizmente tudo o resto encontra-se bloqueado no início.

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Assim que forem desbloqueados é que poderemos escolher o “Exhibition Mode”, o modo de jogo mais familiar da série, onde podemos escolher uma de várias personagens da Nintendo e… jogar ténis! Os minijogos que forem desbloqueados no RPG também poderão depois ser jogados normalmente no menu inicial, e os mesmos são bastante divertidos, e nem sequer têm nada a ver com o desporto do ténis em si. São supostamente “exercícios” que podemos fazer no RPG para evoluir alguns stats da nossa personagem e muitos deles até são inspirados em jogos da velha guarda da Nintendo como os primeiros Donkey Kong e o Super Mario Bros original. Esta abordagem até poderá ser interessante para quem gosta de jogos de aventura ou RPG, mas para quem tenha comprado este jogo unicamente pelo facto de os jogos desportivos da Nintendo serem simples, rápidos e divertidos irá sair desapontado pela quantidade de diálogos e coisas para fazer antes de sequer jogar a primeira partida de ténis. Quanto muito deveriam ter os outros modos de jogo disponíveis logo desde o início, embora para mim esta abordagem até me seja mais agradável e diferenciada.

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E falando nas partidas de ténis em si a fórmula não difere muito dos jogos anteriores e ainda bem, pois sempre tiveram uma óptima jogabilidade. Infelizmente o elenco da Nintendo é mais reduzido, com apenas 6 conhecidas personagens jogáveis: Mario, Luigi, Donkey Kong, Peach, Waluigi e Bowser, embora também possamos jogar com várias personagens humanas deste modo “academia”. Os controlos são também simples, onde combinações dos dois botões faciais da Gameboy Advance são usados para diferentes estilos de “raquetadas”. A grande novidade porém são os Power Shots, algo já existente na versão Gamecube e trazido também para esta versão da Gameboy. Basicamente são “golpes” especiais, que tanto podem ser ofensivos como defensivos. São aquele elemento “Nintendo” que a Big N sempre gosta de trazer para os seus jogos. Com estes Powershots podemos ver cada personagem a desencadear jogadas absurdas, mas bonitinhas que poderão sem dúvida salvar a partida. Estes Powershots são elemento estratégico fulcral em todo o jogo e como não podem ser utilizados sempre que queiramos devem ser bem pensados e planeados.

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Também teremos uma vertente multiplayer como seria de esperar, e este jogo até é compatível com o adaptador wireless da consola, mas de qualquer das formas ao obrigar um cartucho por jogador mais cabos para ligar as GBAs ou todas elas possuírem o adaptador wireless sempre foi um calcanhar de Aquiles das portáteis pré-Nintendo DS que sinceramente não deixam saudades. Para pura acção multiplayer a versão Gamecube é naturalmente muito mais recomendada. Graficamente é um jogo interessante, embora não tanto como Golden Sun o foi (a produtora Camelot é a mesma). A vertente RPG transporta-nos para os RPGs da era SNES, como a GBA tão fielmente “emulou” e nas partidas de ténis temos direito a ver as personagens com muito mais detalhe e animações e apesar de o jogo não ter um passo tão rápido quanto a versão Gamecube, os powershots são sempre bonitos de se ver. As músicas e efeitos sonoros também são agradáveis e sendo a GBA uma espécie de Super Nintendo portátil, as músicas também me fazem sempre lembrar os grandes clássicos que a Super Nintendo nos proporcionou.

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No fim de contas este é um jogo muito interessante, apesar de a sua abordagem poder desagradar a muitas pessoas. O facto de nos obrigar a começar pelo modo RPG poderá alienar muitos dos fãs dos Mario Tennis originais, mas a verdade é que esse modo de jogo é uma excelente vertente single player e um fantástico modo de tutorial. O jogo está agora disponível na WiiU através da eShop, pelo que é uma boa oportunidade de experimentarem este jogo se ainda não o fizeram. Se no entanto preferirem o multiplayer divertido e clássico da série, recomendo então optarem por outro jogo da série. De resto eu só tenho pena que seja a Camelot, estúdio responsável por pérolas dos RPGs como a série Golden Sun ou os primeiros Shining nas consolas da Sega (até ao Shining Force III inclusive), o estúdio responsável por desenvolver estes jogos “desportivos” do Mario. Preferia de longe vê-los a desenvolver RPGs propriamente ditos.

Autor: Ivo Leitao Pesquise todos os artigos por

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