Max Payne

9
Longevidade : 8/10
Jogabilidade : 9/10
Gráficos : 8/10
Som : 8/10

História envolvente | Forte componente cinematográfica

Algumas falhas gráficas em determinados momentos

A pouquíssimo tempo do lançamento do terceiro título da série Max Payne, nada melhor do que recordarmos aqui o jogo que deu início a tudo. Lançado em 2002 pela Rockstar, este jogo tem claramente uma grande influência cinematográfica que se verifica não só na narrativa em si, como na própria jogabilidade.

Damos vida a Max Payne, um polícia em Nova Iorque que se vê obrigado a fugir às autoridades depois de lhe ser armada uma cilada enquanto trabalhava como infiltrado. A história inicia-se com um flashback que nos leva para a casa de Payne 3 anos antes. É aqui que descobrimos que a sua mulher e filho foram assassinados e é assim que começa a busca de Max pela verdade e pela vingança. À primeira vista este poderia parecer mais um jogo de acção com uma história talvez um pouco diferente mas sem muito de novo para nos oferecer. Mas o certo é que as aparências enganam e Max Payne tem uma trama capaz de nos colar ao sofá e que nos faz querer acompanhar todos os detalhes.

A componente cinematográfica de Max Payne é visível desde o início: todas as cenas entre as diferentes partes do jogo são feitas através de uma BD narrada pelas personagens que vão completando a história e nos fornecem informações para melhor compreendermos a narrativa. Em cenários obscuros, com ruas mal iluminadas e prédios em mau estado, acompanhamos Payne pelos tiroteios e perseguições contra os membros do grupo que o tramou. E é nestas cenas de tiroteios que estão presentes as principais características deste jogo, que nos remetem para as inesquecíveis cenas de tiroteios em câmara lenta de Matrix. Aqui contamos com o “Bullet Time”, uma engenhosa opção que ao ser activada nos permite, ainda que por um período limitado, diminuir a velocidade do tempo permitindo assim que consigamos derrotar os inimigos à nossa volta. Existe também uma outra opção, o “Shoot Dodge”, que, além de abrandar a velocidade do tempo, permite-nos ainda saltar em qualquer direcção e disparar em pleno voo, criando um efeito que na época só era visto nos filmes e ainda não tinha chegado aos videojogos. Ao início esta poderá parecer mais uma opção sem muita utilidade, mas a verdade é que com o decorrer do jogo, e com cada vez mais inimigos a abrirem fogo sobre nós, o Shoot Dodge revela-se extremamente útil e faz-nos sentir uns verdadeiros mestres do disparo.

No que diz respeito ao armamento, Max Payne oferece-nos tudo aquilo a que temos direito, desde shotguns, pistolas e snipers a granadas e cocktails molotov. O efeito de cada uma destas armas ao disparar também é variado e realista. Enquanto com uma pistola são precisos vários disparos para deitar o inimigo abaixo, com uma shotgun basta um tiro certeiro para os eliminar. O mesmo se passa quando são os inimigos a disparar contra Payne, que para se curar dos ferimentos desenvolve uma espécie de vício em comprimidos para as dores, que vamos apanhando durante o jogo em armários espalhados pelo cenário.

Ao longo de todo o jogo, Payne vai comunicando com o jogador, dando-nos indicações que facilitam as decisões que temos de tomar e que muitas vezes completam alguns dos aspectos da história. A vida dramática de Payne consegue fazer-nos ficar agarrados devido à forma como nos é contada, sobretudo através das cut scenes em forma de BD narrada, mas também devido a alguns flashbacks que, como já referi anteriormente, nos transportam para a noite fatídica que mudou a vida do nosso personagem. Entre estes flashbacks, estão dois níveis que são um verdadeiro pesadelo para o jogador pois têm uma forte componente de plataforma e passam-se dentro dos pesadelos do próprio Payne. Qualquer pessoa que jogue este jogo certamente ficará com a memória marcada com os sons dos gritos de horror da sua mulher e do choro do seu bebé. Um verdadeiro tormento conseguir passar estes níveis, que, apesar de elevarem a fasquia da dificuldade, adequam-se perfeitamente ao tipo de cenário que os criadores pretendiam para este jogo.

A inteligência artificial não é das melhores, pois, apesar de os inimigos oferecem uma boa resistência e nos proporcionarem boas cenas de troca de disparos, quando morremos os seus movimentos são exactamente idênticos aos anteriores, o que nos facilita em muito a tarefa de os ultrapassar. A par deste ponto negativo existem ainda algumas falhas gráficas como personagens a entrarem pela parede e uma das mais flagrantes falhas é quando matamos o último inimigo de um determinado espaço e ele em câmara lenta cai justamente para dentro da parede ou dos objectos. Apesar disto, a jogabilidade é bastante simples e intuitiva e conta com as opções normais de um third-person shooter.

Max Payne é um jogo que com toda a certeza mereceu a continuidade que lhe foi dada e que, devido às inovações que transportou do cinema para os videojogos, tornou as cenas de tiroteio bastante divertidas e agradáveis de se jogar. São várias horas a enfrentar membros de gangs e a desvendar a história em cenários obscuros que deixam qualquer um agarrado a este jogo.

Autor: Silvia Farinha Pesquise todos os artigos por

Deixe aqui o seu comentário