Middle Earth – Shadow of Mordor

Middle-Earth (feat Assassin’s Creed)

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Se tenho de vos dizer quem foi John Tolkien podem já parar de ler este texto. Primeiro livrem-se do pecado e deixem-se evangelizar pelos livros. Se também não conhecem Assassin’s Creed sigam as mesmas instruções mas substituam os livros pelos jogos, embora esta segunda opção me pareça menos provável a quem lê esta análise. As obras de Tolkien já geraram vários videojogos e filmes de grande sucesso. Curiosamente, e devo talvez ser uma raridade, o meu primeiro contacto com este mundo foi com The Lord of the Rings: Volume 1 na Super Nintendo. Depois dos filmes da trilogia O Senhor Dos Aneis se tornarem grandes sucessos de vendas era inevitável o cash-in com videojogos. Cada filme teve o seu e até eram jogos bastante decentes. Estes são provavelmente os produtos onde vocês pela primeira vez jogaram algo passado na terra média. Depois tivemos um ainda popular MMORPG e alguns títulos na sétima geração que nunca atingiram qualquer estatuto. Agora, treze anos depois do primeiro filme ter trazido definitivamente o trabalho de Tolkien para a ribalta, chega Middle Earth: Shadow of Mordor. Curiosamente não é um jogo baseado no The Hobbit, o que seria de esperar devido ao sucesso dos filmes no cinema nos últimos tempos.

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Muito sinceramente não estava assim tão entusiasmado quanto isso para este jogo. Mas também, verdade seja dita, muito pouco sabia sobre ele até pegar no comando da Playstation 4 e o iniciar. Algo que é minha prática comum, para evitar spoilers e ter uma experiência o mais genuína possível. Erradamente pensei “ok, deve ser um theme da terra média para o Assassin’s Creed”. Embora o estilo de jogo seja obviamente inspirado na fórmula do franchise da Ubisoft, Shadow of Mordor é… suficientemente diferente. O inicio expõe-nos a uma história do mais básico possível – “ah e tal mataram a minha família e agora estou chateado e vou matar toda a gente”. Super criativo, e sinceramente não desenvolve muito mais do que isso. Existem sim várias referências engraçadas às obras de Tolkien, pena que apenas aqueles que estão familiarizados com tais trabalhos venham a perceber o que se passa, deixando uma boa fatia do público a apanhar do ar.

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Mordor é uma terra desolada e maldita, povoada pelas forças do mal. Para o bom e para o mau isto também é verdade no jogo. Este open world tem infelizmente cenários algo repetitivos, despidos e com uma palete de cores quase monocromática. Ao mesmo tempo o jogador nunca se sente propriamente seguro, o que presumo que fosse normal se Mordor realmente existisse. Alem da desolação geral é também um mundo bastante hostil, nunca estamos livres de perigo, com a excepção de umas torres que funcionam como uma espécie de checkpoints. Os inimigos estão por todo o lado, o que nos safa é que felizmente corremos bem mais depressa que eles. Um outro problema deste sistema de mundo aberto é que as missões têm de ser iniciadas. Quando o fazemos não podemos sair de um certo recinto, algo limitado, e a experiência torna-se bastante mais scripted.

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Não demora muito tempo até nos familiarizarmos com aquela que é a melhor característica de Shadow of Mordor. Algo que o torna uma experiência única e realmente surpreendente, o sistema nemesis. Este dá uma dinâmica enorme ao jogo e torna-se quase uma obsessão. Basicamente as tropas de Sauron têm várias patentes (grunts, captian e warchief). Todos os inimigos podem ser promovidos e despromovidos conforme as nossas acções. Se forem mortos o vosso adversário é promovido, tornando-se mais forte e consequentemente mais difícil de matar no futuro. Vão dar por vocês a perseguir certos orcs pelo mapa todo numa fúria imensa por já terem sido derrotados duas ou três vezes, e ainda por cima eles ainda gozam com a vossa cara. Todos os inimigos mais importantes são únicos, com características, habilidades e pontos fortes e fracos diferentes. Alguns pormenores são fantásticos como o orc que tem medo de insectos e desata a fugir quando rebentamos uma espécie de colmeia de abelhas à sua frente. Não vão apenas assassiná-los mas também fazer com que cooperem convosco. Também isto leva a álbuns momentos hilariantes e a ainda mais diversidade de possibilidades. No fundo, este sistema é quase um micro-management que funciona ao contrário.

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Para ajudar à festa o combate é dos mais satisfatórios que joguei nos últimos anos. Acho que não me divertia assim tanto a aniquilar orcs desde… sempre. O combate está no topo juntamente com jogos como Bayonetta ou DMC, embora notavelmente diferente. Curiosamente mais satisfatório do que Assassin’s Creed, com os golpes a transmitirem uma sensação muito maior de impacto e bastante mais violentos. Existem também vários tipos de inimigos diferentes mas nada fora do vulgar. Alguns têm escudo, outros são apenas sacos de pancada, outros fazem counter aos nossos ataques e etc. A jogabilidade é fluida e as animações são de babar. Não só as animações como os gráficos com efeitos de luz soberbos e super detalhados. Embora sinceramente acho que ainda não chegámos verdadeiramente à nova geração. Não enquanto estes jogos tiverem de ser feitos para duas gerações de sistemas. Os elementos de “parkour” estão bem implementados, a par com a concorrência, embora em Mordor não haja assim nada de significativo para trepar. Aqui esta mecânica está largamente associada aos elementos mais stealth da jogabilidade. Estilo este bastante mais predominante e necessário do que podem pensar. O combate divide-se em três mecânicas, stealth, ranged ou melee, todas elas igualmente importantes e úteis. Ao longo das 15-20 horas de campanha somos obrigados a usar todos os métodos disponíveis. Para cada uma destas vertentes há uma respectiva árvore de habilidades e uma espécie de sockets onde podemos equipar runas que apanhamos. É um sistema complexo e muito completo, mete mesmo muitos Role Playing Gamesnativos” a um canto.

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Quanto mais tempo passava com Shadow of Mordor mais gostava dele. Apesar da história e do mundo de jogo não serem muito interessantes – o que é uma pena tendo em conta uma licença desta envergadura – tudo o resto é soberbo e surpreendentemente viciante. Eu que não sou pessoa de divagar muito nas missões secundárias dei por mim constantemente a passear e a matar orcs para ver as tropas de Sauron reduzidas e a entrarem em conflitos entre elas. Se são fãs de Tolkien lancem-se de cabeça, embora pouco tenha a ver com o seu trabalho, este é o melhor jogo até hoje que tem lugar na terra média. É inevitável comparar e recomendar aos fãs da série Assassin’s Creed que vão encontrar aqui uma nova possível série a seguir. Middle Earth: Shadow of Mordor é um excelente jogo que não deve passar ao lado de nenhum jogador.

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 Veredicto                                                        
Um jogo fantástico e de certa forma único. Um guilty pleasure para fãs de Tolkien e Assassin’s Creed em simultâneo.
 Plataforma            
 PS4
 Produtora             
 Warner Bros.
Autor: Ivan Cordeiro Pesquise todos os artigos por

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