Mirror’s Edge

9
Longevidade : 6/10
Jogabilidade : 9/10
Gráficos : 9/10
Som : 9/10

Mirror’s Edge é uma daquelas agulhas num palheiro, uma daquelas pérolas perdidas no meio de tantas rochas à beira-mar. Os últimos dois/três/quatro anos foram muito frutuosos em lançamentos de jogos de qualidade, nas diversas consolas. Os jogos actuais têm um grafismo que se supera a si mesmo de jogo para jogo; as editoras apostam na criação de jogos que demoram mais horas a terminar para assim compensar os seus jogadores; cada vez são mais os jogos que têm múltiplos objectivos para concretizar transformando-se em algo muito mais dinâmico. Não obstante, são cada vez mais raros os jogos que se propõem criar algo de novo, pegar num conceito e apresentá-lo ao contrário, apostar em algo fora do comum.

É certo que ainda vão aparecendo algumas tentativas de subverter esta tendência mas o que também é verdade é que os grandes blockbusters vão sendo novas versões de jogos que já tinham sido lançados e registado sucesso no passado.

Mirror’s Edge é a tal agulha no palheiro. A tal pérola perdida à beira-mar. Não é um jogo perfeito mas é perfeito na forma como apresenta um caminho alternativo, algo diferente.

Lembro-me que, quando pus as mãos neste jogo, a minha primeira reacção foi não gostar do mesmo. Achei demasiado estranho e difícil de perceber como funcionava. Porque de facto… um jogo de plataformas que se desenrola na primeira pessoa é algo difícil de compreender, pelo menos inicialmente. É claro que, uma vez que se começa a perceber a premissa aqui presente e o que fazer… o jogo torna-se completamente viciante.

A protagonista é Faith, uma corredora que habita uma sociedade totalitária onde a liberdade de expressão é vedada à população por parte do Governo. Faith integra um grupo de corredores e o seu objectivo é transmitir mensagens fazendo parte duma rede de tráfego ilegal de informações. Se, de facto, a história não tem nada de muito especial, é na jogabilidade e na estética sonora e imagética que assenta a beleza e singularidade de Mirror’s Edge.

Para fazer chegar as mensagens de que somos portadores, teremos que realizar o mais variado leque de acrobacias, já que é nos telhados que conseguimos fugir às forças opressivas do Governo. Assim, iremos saltar entre arranha-céus, correr, deslizar por baixo de obstáculos, dar cambalhotas, correr pelas paredes… tudo o que estiver ao nosso alcance para evitar os soldados que nos tentam abater assim que nos avistam. Os movimentos ao nosso dispor são executados por Faith com uma elegância ao nível dos melhores praticantes de parkour.

E é na fuga aos soldados do Governo que a emoção do jogo se torna ímpar. Ao contrário da maioria de jogos onde, normalmente, cabe-nos como tarefa abater algo ou alguém… aqui o objectivo principal é mesmo não ser abatido e, aliando isso ao facto de não andarmos armados, torna-se uma clara e primordial luta pela sobrevivência como é raro encontrar em jogos. Aproveito para descrever um momento marcante do jogo: estamos num apartamento à procura de qualquer informação quando, subitamente, dezenas e dezenas de soldados irrompem pela porta, completamente armados para nos matarem. Aquilo que teremos que fazer é simples: fugir deles! Evitar a morte. Acrescentem a isto uma música apropriada para qualquer thriller e uma respiração ofegante por parte de Faith, e terão uma das cenas típicas deste jogo: emoção e nervos à flor da pele aliados a um instinto básico de sobrevivência. Não me entendam mal… o objectivo deste jogo não passa por “meter medo” ao jogador como um Resident Evil ou um Dead Space… aqui o objectivo é passar para o jogador a tensão de se estar em desvantagem em armamento face aos opositores.

E se a parte sensorial do jogador é, na minha opinião, a vertente que ainda pode e deve ser bastante desenvolvida nos videojogos, Mirror’s Edge acerta em cheio nesse aspecto. Se a tensão de fugirmos é grande… a sensação de conseguirmos escapar ao inimigo tem um sabor especial como é raro encontrar nos jogos, compensando desta forma o jogador pelo seu sucesso.

A forma como a cidade onde se passa a acção foi recriada também está muito bela e original. O espaço é futurista e simplista e a forma como a luz solar ilumina os interiores ou os exteriores dos edifícios também merece destaque. Também a música oferece uma identidade muito própria ao jogo e acompanha-o de forma muito credível nos momentos de maior e menor tensão.

Em Mirror’s Edge por vezes temos que lutar com um guarda que encontramos pelo caminho. Essa luta passa por desarmá-lo e deixá-lo inconsciente no chão. Além de que podemos fazer uso da sua arma para matar alguns outros guardas. Este aspecto poderia estar mais bem executado pois o movimento de desarmamento do adversário, sem estar mau, não está sensacional. Mas, felizmente, estes momentos acontecem poucas vezes ao longo do jogo pois a acção principal é mesmo a fuga e não o combate. A duração acaba por também ser curta pois não são precisas mais que seis horas para terminar Mirror’s Edge.

São talvez estas duas lacunas que não tornam o jogo tão brilhante como poderia ser. Entretanto já está anunciada uma sequela e, se a editora Dice corrigir estes pequenos erros e mantiver o excelente trabalho feito no primeiro lançamento, estaremos diante dum dos melhores jogos, dentro do seu género.

Este é, ainda assim, uma das melhores surpresas da Playstation 3. É um jogo completamente obrigatório. Alguns poderão não gostar mas os que gostarem… nunca mais se esquecerão dum jogo tão diferente e tão especial como Mirror’s Edge.

Autor: Hugo Pinto Pesquise todos os artigos por

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