Murasaki Baby

O filho bastardo de Tim Burton

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Não sei quanto a vocês, mas eu sempre fui fã da obra de Tim Burton, seja no cinema com filmes como Eduardo Mãos de Tesoura, ou na animação com Vincent ou a excelente série online Stainboy. O seu universo estético muito negro e cheio de olhos esbugalhados foi sem dúvida uma influência não só para mim como para muitos outros tal como é facilmente visível em World of Goo ou no jogo agora em questão. Murasaki Baby parece ter sido sarrabiscado à mão pelo próprio Burton com traço impreciso e personagens com tanto de inocente como de macabro, características que definem bastante bem a experiência de o jogar.

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A história gira à volta duma bebé que procura insistentemente a sua mamã desaparecida. Se isso não vos despertar o interesse, fiquem a saber que é uma bebé com uma volta na cabeça… a sério, a boca está em cima e os olhos em baixo! O conceito é muito simples mas eficaz, temos um objectivo bem explícito: ajudar esta estranha miúda a encontrar a sua progenitora. Para isso, damos-lhe gentilmente a mão guiando-a por entre caminhos tortuosos e afastando-a de vários perigos. Quando falo de dar a mão digo-o quase literalmente pois um dos vários pontos criativos aqui presentes é a forma como se utiliza o ecrã táctil da Vita para, com o nosso dedo, puxar a mão da criança.

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É daquelas ideias tão incrivelmente geniais que custa a crer como ninguém se tinha lembrado dela antes mas, apesar disso também tem os seus pontos negativos pois o nosso dedo acaba por tapar uma parte considerável do ecrã e nem sempre vemos bem o que estamos a fazer. Por outro lado, a vida da nossa pequena heroína é representada por um balão em forma de coração que devemos proteger ainda mais que à menina pois se rebentar é o fim (até à próxima tentativa). Ora puxar por um braço e por um balão ao mesmo tempo já mistura pelo menos dois dedos em ginástica num ecrã que não é nenhum pavilhão olímpico. Juntem-lhe ainda os momentos em que se altera a gravidade rodando a consola e os toques que temos que ir dando no touch pad traseiro e estamos aqui num jogo que faz uso da quase totalidade da consola mas, por vezes, de forma pouco prática e, se formos pouco cuidadosos, corremos o risco de a deixar cair.

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Ao longo da nossa caminhada vamo-nos cruzando com outras crianças mais ou menos amigáveis às quais deveremos rebentar o seu balão de vida ficando no ar a questão de quem afinal é o mau ali mas esses balões de diferentes cores dão-nos acesso a uma espécie de power-up que não afecta a bebé mas os cenários em si. Passamos a ter a hipótese de escolher o pano de fundo para a nossa acção através de um arrasto no touch pad traseiro e isso desencadeia diferentes resultados. Precisamos de uma rajada de vento? Usa-se o fundo laranja. Precisamos de inverter a gravidade? Usa-se o fundo roxo. Estas e outras habilidades são necessárias para abrir passagem em direcção ao nosso destino final e acabam por funcionar como pequenos puzzles que não me parece que cheguem ao seu pleno potencial mas não deixam de ser interessantes.

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O mais estranho para mim foi mesmo a componente sonora cheia de ruídos e vozes estridentes que, sinceramente, me deixaram incomodado. É certo que estão presentes para ligar à estranheza do resto do ambiente e nalgumas partes são boas mas, de forma geral, sinceramente não me parece que tenham sido a melhor escolha. Para piorar, nos créditos finais entra uma música toda rockalhada que apesar de nem ser má, não tem nada a ver com o que se passou até ali e ficamos tipo “ah…então ok…”

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A vida da Vita não tem sido muito feliz e parece que só os seus JRPGs têm dado algum ânimo ao sistema (pelo menos no Japão) mas, no meu caso, eu gosto da consola pelo potencial inovador que ela tem e este jogo é um dos poucos que o aproveita de tal forma que não poderia ser jogado em mais nenhum lugar. Fica bem na colecção juntamente com Tearaway, Escape Plan e Little Deviants como mostra de diferença e inovação (mas não necessariamente perfeição) que são as razões que me fazem limpar o pó à Vita.

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No fim de contas Murasaki Baby apresenta uma série de ideias interessantes mas também algumas coisas que não encaixam e num instante chega-se ao fim do caminho que não é certamente muito longo (pensem nisto como uma curta-metragem em forma de jogo). O que há no fim? Não vou revelar, mas na sua esquisitice e simplicidade, é um final que me fez pensar: “bebé, tivemos bons e maus momentos mas gosto de ti!”

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 Veredicto                                                        
Ser estranho é defeito ou algo especial? Pensem na resposta e saberão se Murasaki Baby é para vocês (para mim é!)
 Plataforma        
 PS Vita
 Produtora         
 Ovosonico
Autor: Joao Sousa Pesquise todos os artigos por

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